segunda-feira, 3 de junho de 2013
Instituto Ressoar completa oito anos
Instituto Ressoar, braço de responsabilidade social da Rede Record, completa oito anos de atuação neste mês de maio, e, para comemorar essa data, preparamos uma série de matérias especiais sobre os projetos desenvolvidos pela instituição.
Fique de olho no Programa Ressoar que irá ao ar às 19h do próximo domingo, dia 26, pela Record News, e acompanhe como o Ressoar vem ajudando a construir uma sociedade mais justa!
Adolescência interrompida Além da perda de uma fase da vida, jovens correm mais risco de morrer por complicações durante o parto
Uma em cada cinco mulheres no mundo todo vai dar à luz até os 18 anos de idade. Não, não é uma projeção futurística, esotérica ou coisa do tipo. E, sim, o número assusta. A estimativa é da Organização Mundial da Saúde (OMS), preocupada com a gravidez na adolescência (entre 10 e 19 anos, pelo critério das Nações Unidas), a principal causa de morte das mulheres dessa faixa etária, 1 milhão anuais, segundo levantamento da ONG Save The Children.
As jovens não estão preparadas para gestar uma vida. A organização não governamental alerta que mulheres entre 15 e 19 anos têm duas vezes mais chance de morrer do que mães acima dos 20 anos. Entre meninas de 10 a 14 anos a probabilidade é cinco vezes maior (veja mais dados no quadro abaixo). Nesta última faixa etária, inclusive, ainda com o corpo de menina, cintura e pélvis pequenas, o parto pode ter dificuldades de realização e até ser prolongado. “O problema é coincidir a gravidez com o desenvolvimento do corpo de adolescente”, explica Ademir Lopes Júnior, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). O risco também está presente acima dos 15 anos, “principalmente pela pressão alta e as complicações infecciosas relacionadas ao parto”, acrescenta Marco Aurélio Galletta, professor de Medicina da USP e responsável pelo setor de Gravidez na Adolescência do Hospital das Clínicas de São Paulo.
O perfil dessas jovens mães, de acordo também com estudos da OMS, é de, geralmente, mulheres pobres, com menos acesso à educação e moradoras de áreas rurais. No universo daquelas entre 15 e 19 anos, estima-se que cerca de 15,2 milhões dão à luz anualmente em países subdesenvolvidos. Muitas nem sequer entendem o que estão passando e, desesperadas, com pouco ou quase nenhum dinheiro, apelam para o aborto de risco, utilizado por aproximadamente 2,5 milhões. Acabam vítimas de locais com péssimas condições sanitárias e podem sofrer sérias consequências. “É perigoso para qualquer uma. Entre adolescentes é mais arriscado. A ficha só cai muito depois, aí fica complicado: mais infecção, mais perda sanguínea e maior chance de esterilidade”, avisa Galetta.

A juventude mostra pouca adesão às orientações do pré-natal, isso impede cuidados essenciais. Cerca de 1 milhão de crianças morrem todo ano logo no primeiro dia, ou por asfixia (pelo nervosismo da mãe), ou por prematuridade na formação de órgãos.
O último levantamento do Ministério da Saúde registrou perto de meio milhão de grávidas em 2009: 444.056 grávidas, para ser exato. “Não é nem questão de fazer campanha, dar camisinha e pílula, porque essas meninas que engravidam sabem de tudo isso. É muito mais complicado. Tem a ver com a perspectiva de vida dessas moças para o futuro”, reconhece Galetta. “A gravidez é, na verdade, um indicador de vários problemas que já estavam ocorrendo anteriormente. Investir em educação naturalmente faria com que as mulheres se cuidassem e pensassem em projetos de vida para além do ‘ser mãe’”, sugere Lopes Júnior.
Prevenção é sempre o melhor caminho. Adolescentes que tenham objetivos definidos para o futuro e que saibam se valorizar terão menos chances de interromper suas vidas por conta de uma gravidez indesejada.
O pouco contato com os pais, o vazio existencial e a falta de planejar o próprio futuro, somados à superexposição a programas de TV que banalizam o sexo e que fazem a adolescente acreditar que sua existência se resume a encontrar parceiros, são alguns dos fatores que predispõem os jovens a uma gravidez precoce.

Quando a gravidez acontece, os amigos se afastam, o namorado, na maior parte das vezes, também. Sozinha, a adolescente tem de aprender a lidar com as mudanças indesejadas no corpo, com a solidão e a decepção de ter sido abandonada e com a responsabilidade de cuidar de uma criança. Muitas entregam seus filhos a suas mães, como se pudessem transferir a responsabilidade, e acabam se arrependendo mais tarde.
A sociedade tem se mobilizado em iniciativas como o Projeto T-Amar (saiba mais no site www.projetot-amar.com), que presta assistência a mães solteiras e adolescentes grávidas. Rita Reis, coordenadora do Projeto, conta o objetivo do trabalho realizado com essas meninas: “Queremos mostrar para essas mães que elas podem vencer qualquer situação, não importa se estão sozinhas. Tudo depende delas”.
domingo, 2 de junho de 2013
“Larguei a vida”
Força Jovem ajuda Edson Silva a voltar ao caminho do bem e hoje o jovem orienta outros a superar o vício das drogas
O montador de móveis Edson Silva de Figueiredo sonhava ser pai e ser exemplo para o filho. Hoje, é um homem realizado: além de Kayky, de 6 anos, ele tem Kamyla, de 1 ano, e é casado com a bancária Keite. Mas a segunda parte do sonho não aconteceu com facilidade. Além de assaltante, Edson era drogado e, segundo suas palavras, foi preciso muita fé e apoio do Força Jovem, da Universal, para que sua vida mudasse radicalmente e ele voltasse para a Igreja.
“Com 24 anos, cheguei ao fundo do poço. Quando o meu filho nasceu, eu era o pior dos exemplos para ele. Não queria aquilo nem para o meu pior inimigo. Consumia crack várias vezes ao dia. Até que certa vez cheguei em casa drogado, agredi minha esposa e contei que era viciado em crack. Ela desabou, mas, em momento algum, disse que me largaria; pelo contrário, prometeu me apoiar para me livrar das drogas. Diminuí o consumo, mas não conseguia largar de vez”, conta.
No dia anterior ao nascimento do filho, Edson consumira crack a noite toda. Ainda com dores por conta do parto, Keite tentou localizá-lo. Em vão. Aquele era o pior momento da vida de Edson.
Assim como conta a história do filho pródigo - um jovem que resolveu sair de casa para viver sua vida longe do pai - Edson abandonara a fé, parando de frequentar a Igreja e deixara-se levar por um estilo de vida irregular, como bebida, drogas e dinheiro fácil. Faltava também temor a Deus.
“Tinha muita curiosidade em conhecer os prazeres do mundo, mas não imaginava as consequências. Larguei a Igreja e me entreguei a baladas, drogas... ‘Curtia’ muito, mas era infeliz”, admite.
No blog do bispo Macedo, o bispo Sérgio Correa, responsável pelos obreiros do Brasil, comenta mais sobre o texto bíblico do filho que deixou o lar.
“A princípio tudo parece ser liberdade, felicidade, noitadas, sexo, drogas, bebidas entre outros. Porém, depois que isso consume toda a vida, o afastado se dá conta da fome que sua alma sente, pois nada daquilo serviu para saciá-la. Daí inicia-se a queda livre para o fundo do poço, para o chiqueiro”, referência ao momento de pobreza extrema enfrentada pelo filho pródigo.
A história de Edson só começou a mudar quando sofreu uma infecção estomacal no presídio. Sofrendo, preso por roubo de celular, quando já respondia por outro processo, também por assalto, foi condenado a três anos e seis meses.
“Foi o momento de reflexão da minha vida e pedi para Deus me salvar”, lembra.
Depois de ouvir um anúncio no rádio sobre a Fogueira Santa, Edson deu um exemplo de fé durante a visita da esposa no presídio.
“Do dinheiro que ela recebia de pensão por eu estar preso, pedi que separasse 10% para o dízimo e colocasse em um envelope para a Fogueira Santa, além de toda a quantia que traria para minhas necessidades. Disse-lhe que só iria me ver quando eu saísse da cadeia. Isso foi numa sexta-feira. No sábado, recebi o alvará de soltura. No domingo, levei o envelope da Fogueira Santa e dei meu testemunho de vitória por ter me libertado daquele inferno”, conta, emocionado.
Hoje, com 30 anos, Edson é exemplo não só para os filhos, mas para a família. Dedicado, tem dois empregos, comprou recentemente um apartamento e planeja fazer uma faculdade. Segundo ele, o Grupo Jovem foi o ponto de inspiração na sua vida.
“O Força Jovem ajuda a me manter no caminho do bem. Aqui, tenho o objetivo de ajudar outros jovens na comunidade a superar situações semelhantes ou até piores que aquela que vivi. Falo do milagre que Deus fez em minha vida e digo que é possível sair desse vício que tem escravizado nossos jovens no Rio de Janeiro”.
sábado, 1 de junho de 2013
Boas-novas a José A humildade do hebreu faz com que ele se destaque na prisão
O capítulo desta semana da minissérie “José do Egito” vai mostrar a importância de temer a Deus. Isso porque, no capítulo anterior, a fidelidade de José ao Senhor lhe custou ser injustamente acusado de ter abusado de Sati, que mentiu a todos porque o hebreu resistiu às suas seduções.
Na pele do escravo, o ator Ângelo Paes Leme disse ao R7 que é preciso ter muita concentração para interpretar o personagem. Apesar de um passado carregado e de solidão, José mantém o amor e a fé. “Ele nunca perdeu a fé em Deus, mas é difícil. Ele é uma pessoa que muitas vezes se abala com tudo aquilo. Como ser humano, ele sofre.”
Preso, José começa a se destacar por conta de seu espírito diferente dos outros. Primeiro, o filho de Jacó ajuda o carcereiro Seneb, ferido gravemente por uma lança atirada por Jetur. Em meio a uma confusão, José consegue arrastar Seneb para um local seguro com ajuda de Azenate, que cuida da ferida do carcereiro.
Com sabedoria, José acalma a situação na cadeia e revela a verdadeira história que resultou em sua prisão. Seneb não entende porque José trata sua ferida e se admira com a pureza do hebreu, que mesmo preso e injustiçado, faz o seu melhor. Mais um exemplo do espírito diferente de José é quando ele inicia uma limpeza em seu alojamento. Inicialmente os presos estranham, mas logo tratam de ajudá-lo.
Uma das cenas mais impactantes acontece quando José descobre que sua amada, Azenate, desistiu de ser uma sacerdotisa. No reencontro, os dois se beijam.
A Rede Record transmite “José do Egito” toda quarta-feira, a partir das 21h45.

Capítulo do dia 28 de maio
Diante de Potifar, Sati insiste em manter sua história de que José teria tentado abusá-la. O comandante revela que sabe do desejo que sua mulher sente por outros homens. Potifar afirma que Sati será punida de acordo com a lei do Egito para adúlteras, caso alguma traição seja descoberta. A punição é ter seu nariz decepado.
Assustado, Benjamin vê um escorpião e acorda Simeon antes que ele seja picado. Simeon afasta o animal, que cai perto de Mara, até então escondida. Com o susto, ela se revela e Simeon a segura com raiva, querendo saber o que fazia por ali. Mara confessa que é responsável pelo escorpião. Descontrolado, Simeon decide chicotear a menina, mas Benjamin intercede e consegue convencer o irmão a mudar de ideia.
Ruben jura para sua esposa Naamá que nunca mais se aproximará de Bila e pede perdão.
Após o casamento, Tamar se decepciona com Onã, que a usa já na primeira noite de amor. Durante a festa, Onã discute com Tamar e a agride. A briga chama a atenção de todos. Jacó e Lia decidem se aproximar, mas, antes que consigam chegar, Onã se engasga com seu alimento e morre nos braços do pai.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Os riscos do consumo precoce Contato de crianças com bebida alcoólica aumenta chances para a compulsão
O gole despretensioso, feito só para provar ou experimentar uma bebida alcoólica, pode ser determinante na vida dos jovens. Uma pesquisa inédita feita pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade de São Paulo (Unifesp) revela que, quando o primeiro gole é feito por menores de 12 anos, ele aumenta em 60% as chances de a criança se tornar um consumidor abusivo na fase da adolescência.
O estudo, feito a partir de entrevistas realizadas com 17 mil adolescentes de todo o Brasil (alunos do ensino médio de escolas públicas e privadas), mostra o quanto é perigoso tornar o álcool uma bebida acessível à juventude. A pesquisa também apresentou outro dado relevante: 82% dos entrevistados afirmaram já ter consumido algum tipo de bebida alcoólica e, desse total, 11% experimentaram pela primeira vez ainda na infância.
Para a professora do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp e uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, Zila Sanches, o contato que a criança tem com bebidas na infância pode gerar um adolescente que ocasionalmente fica de porre e pode, sim, adquirir um padrão abusivo de consumo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 320 mil pessoas entre 15 e 29 anos morrem ao redor do mundo anualmente de causas relacionadas ao consumo do álcool. Apesar de proibida a venda para menores de 18 anos, a bebida alcoólica ainda é o primeiro tipo de droga que eles experimentam.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Quem é normal? Manual psiquiátrico aumenta número de doenças e causa polêmica
A partir de agora você pode se descobrir doente mental do dia para a noite. Uma publicação da Associação Americana de Psiquiatria está causando muitas controvérsias. A nova edição do “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais” (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, ou DSM-5, na sigla em inglês), conhecido como a “bíblia da psiquiatria”, amplia o leque de doenças mentais, englobando comportamentos que são vistos como normais e outros que eram vistos como sintomas de outros transtornos. A publicação é utilizada por médicos em todo o mundo, inclusive no Brasil, como base para se definir o que é “normal” e o que não é.
Se hoje em dia os diagnósticos de depressão e transtorno bipolar se avolumam e medicamentos controlados são vendidos aos montes, quanto mais não serão depois dessas novas regras, em que até mesmo o período de luto, se prolongado por mais de duas semanas, poderá ser diagnosticado como depressão? Muitos médicos criticam o novo manual, enquanto outros certamente o receberão de braços abertos, como têm feito há tantos anos, junto com os representantes dos laboratórios e suas cápsulas de respostas às doenças listadas no manual. A cada nova doença, um novo medicamento.
Os críticos dessa edição apontam falhas nos critérios para efetuar diagnósticos (além de questionarem os novos “transtornos”). Com menos sintomas a serem considerados, agora temos uma margem muito mais estreita do que é realmente normal. “As fronteiras da psiquiatria continuam a se expandir, a esfera do normal está encolhendo”, afirma o psiquiatra Allen Frances, que, ironicamente, coordenou a quarta edição do manual, lançada em 1994.
Agora, a criança que se joga no meio do supermercado, gritando e esmurrando o chão, pode ser diagnosticada como portadora de “Transtorno Disruptivo de Desregulação do Humor” . Crianças (de até 18 anos!) que apresentam “irritabilidade persistente e episódios frequentes de extremo descontrole comportamental” pelo menos três vezes por semana, ao longo de 1 ano, poderão ser diagnosticadas com esta nova doença. “Meu temor é que crianças normais com ataques de birra sejam diagnosticadas equivocadamente e recebam medicação inapropriada”, alerta Frances. Seu temor tem fundamento. Se não abrirmos os olhos, poderemos nos tornar uma massa consumidora de pílulas para qualquer coisa que alguém diga que é um distúrbio.
Agora que fomos todos, em menor ou maior grau, etiquetados como “doentes mentais”, quem sabe a sociedade abra os olhos e se dê conta do quão ridículo é entregar a algo ou alguém o poder de definir quem é normal.
Confira algumas novas “doenças”
Compulsão alimentar periódica
Quem devora quantidades excessivas de comida descontroladamente, e em período de até 2 horas, agora é considerado doente mental
Skin-picking
Esse transtorno consiste em cutucar a pele constantemente, causando ferimentos. A nova doença foi incluída no capítulo sobre transtorno obsessivo-compulsivo e doenças relacionadas
Transtorno Disfórico Pré-Menstrual
Uma forma mais grave de TPM (Tensão Pré-Menstrual), o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual é classificado como doença mental
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Apelos da mídia levam crianças a trocar brincadeiras típicas da idade por comportamentos de gente grande
A banalização de comportamentos eróticos na mídia tem estimulado crianças a substituir a infância por imitações da vida adulta. A qualquer hora do dia ou da noite, é possível encontrar na televisão moças com roupas curtas rebolando ao som de músicas que remetem ao ato sexual. Em filmes, seriados e novelas, personagens escandalosas, cenas de sexo, vocabulário chulo, violência e a vulgarização da mulher dominam. Tudo isso é acompanhado por pais e filhos como algo natural. Na internet, os exageros se repetem.
Um dos casos mais recentes envolvendo erotização de menores está sendo investigado pelo Ministério Público de Niterói, no Rio de Janeiro. Há denúncias de que as coreografias do grupo Bonde das Maravilhas – com integrantes entre 13 e 20 anos de idade – tenham apelo sexual. Um dos vídeos do Bonde já foi acessado mais de 26 milhões de vezes na web. Em defesa do grupo, seu empresário afirmou ao portal UOL que as músicas não são eróticas e fez uma revelação preocupante para os pais: o Bonde deve lançar músicas para o público infantil.
Enquanto isso, programas de auditório exploram a imagem de crianças que mais parecem adultos em miniatura. Em lojas de roupas, muitos trajes infantis são cópias idênticas de peças típicas do vestuário das chamadas “periguetes”, sempre muito curtas e justas. Indústrias de cosméticos investem em maquiagem para meninas e uma infinidade de produtos de beleza infantis ocupa prateleiras de supermercados e farmácias em recipientes coloridos e chamativos. Como se não bastasse essa lição de “faça como eu faço”, uma empresa de bebidas alcoólicas chegou ao absurdo de criar um “espumante” sem álcool com garrafas semelhantes às da bebida para adultos. A diferença é que a embalagem do refresco infantil trazia personagens de desenhos animados.
Diante desse cenário, como evitar a erotização precoce das crianças e a invasão do mundo infantil por coisas típicas de gente grande? Segundo a coordenadora da EBI (Educação Bíblica Infantojuvenil) São Paulo, Jane Garcia, os pais devem ser responsáveis por traçar os limites para os filhos. “Não dá para fugir. Desde que o mundo é mundo há o lado obscuro. O problema é que hoje essas influências negativas estão mais acessíveis para as crianças. Os pais devem investir na educação, colocar limites e regras por meio do diálogo e do próprio exemplo”, explica a coordenadora, que ainda atua no Pré-Sisterhood, trabalho da Universal aberto para meninas de 6 a 14 anos.

Jane destaca a importância de se resgatar os valores perdidos durante as transformações da sociedade. De acordo com a especialista em educação, essa é uma das grandes preocupações das reuniões no Pré-Sisterhood. “A essência é fazer com que as meninas se sintam bem com elas mesmas e que elas se transformem em pessoas melhores. Resgatamos coisas que a sociedade tem deixado de lado, a essência do que é ser mulher, a feminilidade”, explica. Jane argumenta que a criança precisa ter responsabilidades, como fazer os deveres escolares, organizar os brinquedos e ajudar os pais nas tarefas da casa.
Dar limites não é tarefa fácil, mas a criança é capaz de fazer opções corretas quando bem orientada. “Os pais devem explicar o que é certo e o que é errado, lembrar que há o livre-arbítrio e que as escolhas erradas podem ter consequências futuras”, avalia. Ela ensina que, quando uma criança pedir para usar uma roupa muito curta e chamativa, o adulto deve explicar que aquela vestimenta não é boa, porque pode atrair a atenção de pessoas maldosas. Já os comportamentos inadequados como gritos, palavrões e desobediência devem ser explicados como uma forma de desagradar os pais e a Deus e, portanto, não são boas atitudes.
A tecnologia também rouba espaço de ursinhos de pelúcia, bonecas e carrinhos. Crianças que mal sabem falar já conseguem se virar muito bem com computadores, celulares e internet, tudo com a aprovação entusiasmada de pais e mães que ignoram os riscos envolvidos. Alguns ainda filmam os filhos dançando de maneira erótica e expõem as imagens na internet, incentivando-os a se tornarem adultos precocemente. A vigilância dos responsáveis pode ser o caminho para minimizar os exageros. “Os pais não devem deixar as crianças soltas, o perigo pode estar em casa! É preciso acompanhar as atividades dos pequenos e bloquear conteúdos impróprios”, ensina Jane Garcia.
Conectados
O livre acesso de crianças à internet é cada vez mais comum no Brasil. O problema é que, sem supervisão dos pais, a web pode se transformar em porta de entrada para conteúdos perigosos para os pequenos. Propaganda inadequada de produtos, bate-papo com estranhos e acesso a sites que promovem o ódio, a violência e a pornografia são alguns dos possíveis riscos.
Pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) mostra que 53% das crianças e jovens de 9 a 16 anos usam a internet todo dia para entrar em redes sociais como o Facebook e o Twitter. O levantamento “Tic Kids Online Brasil 2012” ainda aponta que 66% acessam a web para assistir a vídeos, 54% para jogar games com outras pessoas e 54% para enviar mensagens instantâneas a amigos. Apenas 13% dos entrevistados usam a internet diariamente para fazer as atividades escolares.
Embora a maioria das redes sociais proíba a participação de menores de 14 anos, 42% das crianças entre 9 e 10 anos, 71% das de 11 e 12 anos e 80% dos adolescentes entre 13 e 14 anos possuem contas em redes sociais.
Dos participantes de 9 a 16 anos que utilizam redes sociais, 86% compartilham fotos que mostram seus rostos, 13% revelam seu endereço e 12% expõem o número de telefone. Desses, 22% passaram por alguma situação ofensiva na internet. Entretanto, apenas 6% dos pais acredita que os filhos tenham sofrido algum incômodo ou constrangimento. O estudo foi realizado pelo instituto Ipsos e ouviu 1,6 mil crianças e adolescentes entre 9 e 16 anos e 1,6 mil pais, entre abril e julho de 2012 (veja mais orientações sobre internet na pág. 10i).
terça-feira, 28 de maio de 2013
Como encontrar a saída quando a pressão dos problemas aumenta, a vontade de viver acaba e a única saída possível parece ser a morte?
No dia 6, o jovem Eduardo Hiroshi, de 35 anos, acabou com a própria vida. Segundo o Portal dos Jornalistas, o profissional de um jornal popular de São Paulo voltou para casa na hora do almoço, trocou a foto de seu perfil em uma rede social, divulgou a carta de despedida e simplesmente saltou da sacada do apartamento em que morava na capital paulista.
Bem-sucedido, Hiroshi já estava no ramo há 13 anos e na posição de editor, na seção que tratava de carros, sua paixão confessa. O que, então, levou um jovem como esse ao suicídio?
“O xis da questão é entrar em um desespero e não ver mais saída na vida”, explica o psicólogo Irineu Miano Júnior. “Na verdade, a pessoa não quer morrer, quer mudar de vida, quer alguma outra coisa que não aquilo que está vivendo, mas não encontra alternativa”, acrescenta.
Foi o que aconteceu com Ryoko Tashina, de 61 anos. Ao ser abandonada pelo marido, viu sua vida ser tragada por uma espiral que a levou ao fundo do poço. A ideia de suicídio não saía de sua mente e tentou se matar diversas vezes.
Em uma tentativa de mudar de vida e preencher o vazio que sentia, resolveu morar com o filho no Japão. “Achava que era o ambiente, que mudando de lugar minha vida mudaria também, pois estava cansada de tudo. Mas percebi que mesmo morando no Japão, tudo continuou a mesma coisa”, observa Ryoko.
A cultura do pessimismo, em que sobram exemplos ruins e previsões catastróficas, empurra as pessoas cada vez mais para baixo. E quando o pessimismo ganha uma aura de “intelectualidade” e um certo glamour, há a sensação de que os pensamentos negativos é que são, verdadeiramente, reais.
Os pesquisadores Daniel Prezant e Robert Neimeyer descobriram que mesmo com o nível de depressão controlado, a abstração seletiva e a supergeneralização se mantiveram como fatores de previsão do desejo de suicídio. A abstração seletiva é um erro de pensamento que consiste em prestar atenção a um detalhe negativo e ignorar o restante do quadro. É como se olhasse todas as situações com lente de aumento. Por exemplo, achar que receber uma avaliação negativa do chefe significa que todo o seu trabalho é uma porcaria. A pessoa ignora qualquer elogio e se foca apenas na crítica recebida, depois alimenta aquele pensamento focando cada vez mais no detalhe, desconsiderando o contexto.
Já a supergeneralização consiste em tirar uma conclusão negativa radical baseando-se em uma situação isolada e aplicar o conceito a outras situações. Por exemplo, achar que só por ter se sentido desconfortável com um grupo de pessoas, não tem capacidade de fazer amigos nunca será amado ou sequer aceito.
Aprender a desconfiar dos próprios pensamentos é um passo importante no caminho de mudar a direção da vida.
“Existem pessoas com predisposição emocional. O suicídio é mais frequente em quem não tolera frustrações, por exemplo”, ensina Fernanda Rezende, psicóloga clínica e hospitalar com especialização em tanatologia (estudo da morte).

Levantamento da Organização Mundial da Saúde divulgado em setembro do ano passado aponta que um milhão de pessoas se mata por ano, em média, o equivalente a 0,01% da população mundial. É como se alguém se matasse a cada 40 segundos.
O componente da impulsividade até está presente, mas não é o principal. “Ninguém acorda e pensa: ‘Vou me matar!’ É um processo. A pessoa vai tentando pequenos suicídios, quase como uma necessidade de pedir socorro”, explica Fernanda.
O suicídio é um fantasma cada vez mais presente no Brasil. Números da OMS apresentam aumento na quantidade de suicídios de 1980, início da medição, até a última, em 2008. Se antes o índice era de 3,2 suicídios para cada 100 mil habitantes, atualmente está em 4,8. Um aumento de 50% em quase 3 décadas. Muito alto se comparado com o crescimento mundial, de 60% nos últimos 45 anos.
“A pessoa tem um problema e adia a resolução, preferindo apenas administrá-lo. O que é pequeno hoje vai ser grande amanhã. E um problema gera outro. Esse acúmulo faz a pessoa se sentir encurralada e aí uma das opções acaba sendo o suicídio”, lamenta o bispo Emerson Carlos. “Quem pensa que está acabando com os problemas, na verdade está apenas começando. Por isso, vamos sentar, vamos resolver para que nem passe pela cabeça da pessoa a hipótese de suicídio”, emenda.
Mônica Franco, de 25 anos, tentou o suicídio mais de uma vez. “Fui diagnosticada com transtorno bipolar, tinha síndrome do pânico, ficava 3 dias sem comer. Me trancava no quarto, não dormia, chorava e escrevia cartas com ideias suicidas”, relembra.
Cheia de problemas e perturbações, a moça percebia que havia algo errado, mas não sabia como lidar com toda aquela frustração. Certo dia, apontando uma faca para si mesma, pronta para tirar a própria vida, lembrou-se de Deus, desistiu da tentativa e pediu a Ele para lhe mostrar como sair daquela vida, pois ela não conseguia sozinha. Na mesma semana, decidiu ir à Universal, que ficava próxima de seu trabalho. Mônica afirma que aquele foi um momento de definição. “Tive meu encontro com Deus logo no primeiro dia e cheguei em casa feliz, falando para minha mãe que agora tinha razão para viver. Sabia que iria vencer.”
Já para Rioko Takashina o fim do sofrimento foi um processo mais lento. Ela também resolveu ir à Universal depois de entender que não queria se matar, queria, sim, uma nova vida. “Comecei a participar das reuniões, não foi fácil, aqueles sentimentos ruins lutavam dentro de mim. Mas fui persistindo e hoje estou livre”, conta.
O Bispo Júlio Freitas, habituado a atender pessoas que chegam à Universal sofrendo como Rioko, alerta: “Todos os outros problemas têm solução. Na realidade, só o suicídio não tem solução”.
Acabar com a vida é acabar também com a única oportunidade de resolver o problema. Somente enquanto estiver viva, a pessoa terá a chance de ser ajudada e experimentar uma nova forma de pensar e de viver. Novas possibilidades que a visão distorcida não lhe permitia enxergar.
Falar em suicídio não é apologia e sim prevenção
Profissionais que de alguma forma trabalham com o suicídio costumam ser mal interpretados, como se fizessem apologia. Estão na verdade, em busca de mais prevenção e maior conscientização. Nessa linha, existem grupos como o da psicóloga Fernanda Rezende, o “Vida e Morte”, que atendem pessoas que tentaram o suicídio.
“O suicida é uma pessoa adoecida. A ideia é tentar ajudá-lo a sair desse quadro mais depressivo, psicótico, e, gradativamente, fazer com que volte à sua rotina”, avisa a especialista. “O ato em si é muito agressivo, vai ser sempre uma cicatriz. Tanto para quem sobrevive a uma tentativa como para a família de quem tentou ou ficou.”
Engenheira agrônoma, Adriana Rizzo se interessou pelo tema e há 15 anos é voluntária do CVV.
“É uma conversa mesmo, como se fosse com qualquer um que você conhece. A ideia é acolher essa pessoa, deixar que fale sobre o que quiser e à vontade”, conta. “Não interferimos ou damos opinião. Abrimos o espaço. Encaramos como um momento em que cada um pode esclarecer ideias, facilitar a organização das suas ideias para seguir
um caminho”.
um caminho”.
Hiroshi escreveu, em sua carta de despedida: “Bom, pessoal, é isso. Nos últimos dias contei várias histórias e recuperei fotos de viagens porque queria relembrar bons momentos e dividi-los com os amigos. Mas o retorno para a realidade é mais difícil. Obrigado a todos pela audiência, pela presença e pela amizade. Se não deu, é porque a vida nos reservava outros planos. Parto para outra e não sei o que vou encontrar”. Iludido pela aparência de escape, entre a incerteza da vida e a incerteza da morte, o rapaz escolheu o caminho sem volta, sem retorno, sem solução. Tivesse esperado mais, buscado outros caminhos em vida, o que teria a perder? Porém, escolheu perder a possibilidade de descobrir uma nova vida. E quem aceitar o desafio de escolher a Vida, terá como recompensa a verdadeira paz
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