Veneno caseiro
Lança-perfume de fundo de quintal mata jovens da periferia e revela um problema cada vez mais comum em festas na Grande São Paulo
Talita Boros
talita.boros@folhauniversal.com.br

Muito além dos antigos e saudosos carnavais, o lança-perfume se transformou e virou uma droga feita em casa, cada vez mais acessível e mortal. Jovens da periferia são as principais vítimas. Casos de morte por falência múltipla dos órgãos ou parada cardiorrespiratória são, por exemplo, comuns entre famílias carentes de Taboão da Serra e Embu das Artes, na Grande São Paulo. Jonatan Fadoul, de 18 anos, faz parte da triste estatística feita por assistentes sociais. Nos últimos tempos, segundo a auxiliar de produção Tatiana Fadoul, mãe do rapaz, pelo menos 44 jovens de 13 a 19 anos da região morreram por causa do “loló”, mistura caseira de clorofórmio, éter, formol, tíner e essência de vela.
Jonatan morreu em julho. Era domingo. Tatiana voltava da casa da sogra quando viu um burburinho diante de sua casa. “Quando cheguei encontrei os amigos dele agitados. Eles me contaram onde o Jonatan estava. Corri, mas era tarde.” Ele desmaiou na garupa de uma moto e foi atendido na calçada pelos paramédicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu. Os amigos negaram que Jonatan morreu por causa da droga. “Meu filho morreu. Mas tinha morrido outro menino 3 dias antes, e outros dois no início da semana. Essa droga está matando aos montes aqui”, diz.
O “loló” é um solvente muito volátil, fácil de inalar. Diferentemente do industrializado produzido na Argentina (à base de cloreto de etila) e contrabandeado para o Brasil, o “loló” é clandestino e feito da mescla de substâncias químicas sem controle. Pode matar por infecção aguda depois de inalado. O efeito é uma sensação de euforia, seguida por depressão. Segundo o Ministério da Justiça, a composição do lança-perfume caseiro é pouco conhecida. Isso complica os atendimentos de urgência.

A psiquiatra Carla Bicca, da diretoria da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), diz que, após invadir os pulmões, as substâncias atingem outros órgãos. “Prejudica muito o estômago e pode queimar as vias aéreas. Se a concentração das substâncias for alta, pode gerar uma congestão pulmonar seguida por parada cardiorrespiratória”, explica.
Marcos Rocha, de 37 anos, pai de Jonatan e presidente da ONG A Firma, que lida com crianças carentes do Jardim Leme, em Taboão, lamenta que os jovens façam a própria mistura e vendam para outros. “O moleque que usa ou vende se acha herói. Aqui não se morre mais de tiro ou cocaína. Agora morrem de lança. A garrafinha de 600 ml sai por R$ 5. É barato. Você vê os moleques no pancadão [baile funk] sempre com elas na mão. Eles usam droga para ter status. Não dá outra, toda segunda é uma fila de mães no IML [Instituto Médico Legal]”, declara.
Para ele, falta informação e apoio do Estado para os jovens da periferia. “Eles fazem a mistura em casa e, quando usam, não percebem os sinais de que o corpo não está aguentando. Acham que é o efeito comum da droga e não é, eles estão morrendo. De repente, caem duros”, diz. “Os jovens se sentem abandonados. A escola é uma droga. Tem moleque de 15 anos que não sabe ler e escrever. Eles ficam revoltados”, relaciona.
Vilma Vieira dos Santos, de 47 anos, fica com os olhos cheios de lágrimas ao lembrar o irmão, José Roberto, de 30. “Ele era trabalhador e muito amoroso com os quatro filhos. Nunca deu a entender que estava com problemas. Quando começei a desconfiar que estava usando drogas, tentei conversar. Ele dizia que não usava nada, não me deixava dar conselhos”, conta. José Roberto, também morador da periferia de Taboão, morreu há 4 meses, vítima da mistura de “loló” com álcool. “Até hoje é muito doído. Agora a gente sabe a dor de perder para as drogas uma pessoa querida, trabalhadora e divertida. A gente não se conforma”, afirma Vilma.
Além dos problemas físicos, a psiquiatra da Abeade lista efeitos psicológicos graves que podem afetar o usuário. “Ele fica mais vulnerável, irritado e tem atitudes reativas. Pode desenvolver uma psicose, depressão ou bipolaridade. Além disso, alucinações são comuns e a pessoa fica fora de si: vê e escuta coisas. É uma droga muito popular entre os jovens”, lamenta.

Os programas de universidades abertas à terceira idade existem em diversas instituições do País. Gratuito, o da Universidade de São Paulo (USP) foi implantado há 17 anos e conta hoje com cerca de 10 mil alunos. Para participar é fácil, basta ter a idade mínima requerida, vontade de aprender e nada mais. “O principal requisito é a disposição”, afirma a geógrafa aposentada Constantina Melfi, de 71 anos, uma das alunas mais antigas da turma e membro da Associação de Alunos da Universidade Aberta à Terceira Idade (AAUATI) da USP.
Juntas, ela e Constantina já participaram de todo o tipo de aula, até mesmo sobre terremotos e vulcões. “Além dos curiosos, também há muitos cursos que são práticos para o dia a dia”, destaca Constantina.
Eles resolveram esperar o momento certo e a pessoa certa para se casar. Por isso, enfrentam uma série de dificuldades, tanto a pressão psicológica de alguns amigos como a da própria sociedade, que, inversamente, acaba considerando esse tipo de atitude como do século passado.
Para Juliana e Washington de Mello, de 29 e de 33 anos, respectivamente, esperar pela pessoa certa e o momento certo foi a decisão mais coerente que tomaram. Eles namoraram durante 4 anos e há 5 estão casados. Ambos chegaram à Igreja Universal bastante jovens e até namoraram outras pessoas, mas quando decidiram ficar juntos, nada foi capaz de separá-los.





















