segunda-feira, 2 de julho de 2012

REAÇÕES PERIGOSAS

Em legítima defesa, idosos com mais de 80 anos matam criminosos. Mas, para especialistas, agir sem pensar é sempre um péssimo negócio



Casos de idosos que desafiaram criminosos despertaram a atenção do País nas últimas semanas. Em Caxias do Sul (RS), uma aposentada de 86 anos atirou no assaltante que tentou invadir sua casa. Um agricultor de 84 anos também atirou em um ladrão que tentou entrar no sítio onde vive com a família, em Mogi das Cruzes (SP). Os dois criminosos morreram. Apesar de o ato de defesa ser corajoso, especialistas dizem que reagir não é indicado. Sem arrependimentos, Odete Hoffmann conta que não queria ter feito o que fez. "Meu coração pediu para atirar. Atirei e tive a impressão de que ainda ia acontecer alguma coisa. Dei mais dois tiros". Odete mora sozinha e não pensou duas vezes em se defender com uma arma calibre 32, herança de família, guardada há 35 anos. O assaltante chegou a ser socorrido, mas não sobreviveu.


De acordo com o especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello, os casos dos idosos foram exceções à regra. "Em cerca de 80% dos assaltos nos quais as vítimas reagem, há o disparo de arma de fogo por parte dos criminosos. A reação é um péssimo negócio", avalia ele, dizendo que as pessoas não devem tomar os casos como exemplo.


Lordello afirma ainda que, durante o assalto, a vítima deve fazer movimentos lentos, para não intimidar. "Ela deve comunicar o que vai fazer e não pode tentar negociar pertences. Isso aumenta o tempo da ação do crime e o risco", completa.


O manual de Segurança do Cidadão, feito pela Polícia Militar de São Paulo, pede para que a pessoa não ande armada ou tenha arma em casa, pois mesmo que tenha porte legalizado, o risco de que possa ser usada contra ele é grande.


O agricultor de Mogi das Cruzes, que preferiu não se identificar, não seguiu essa regra. Os quatro ladrões pediram para ele abrir a porta da casa, mas o idoso não obedeceu. Em seguida, os bandidos atiraram. Ele revidou com um tiro de espingarda calibre 12 e a bala atingiu um dos assaltantes, que foi socorrido, mas morreu ao chegar ao hospital.


O aposentado Aurino Amaro Albuquerque, de 73 anos, não precisou de revólver para se defender. Ele recebeu voz de assalto quando acompanhava a filha até o local de trabalho, em Fortaleza (CE). Na ocasião, instintivamente, bateu com a própria muleta na cabeça do assaltante, que saiu correndo do local. "Nessa hora, a gente não pensa. Dou a minha vida pelas minhas filhas", disse.

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