segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O príncipe é um ladrão

Seduzidas por estelionatários, muitas mulheres bem-sucedidas dão dinheiro a "namorados" que conheceram pela internet, até perceberem o golpe


veronica.dantas@folhauniversal.com.br
Verônica Dantas | Arte: Edi Edson
Quando conheceu o americano Andrew pela internet, em junho deste ano, a professora de inglês Maria Cecília achou que sua espera por um novo amor havia terminado. Aos 43 anos, 19 deles dedicados a um casamento que acabou em 2010, ela se sentia pronta para viver aquele romance. “Ele me pegou pelo lado mais fraco”, conta a catarinense. “Dizia acreditar em Deus, ser solitário, sem família, sem amigos, e assim foi ganhando minha confiança.”


Andrew tinha uma história de vida triste, perdeu os pais ainda criança e estava viúvo havia 5 anos. Bem-sucedido profissionalmente, ele agora pensava em passar o resto da vida ao lado de Maria Cecília. O que ela não sabia é que tudo que ele disse e escreveu em quase 2 meses de relacionamento virtual era mentira. As fotos enviadas por e-mail eram roubadas da internet e o nome usado por ele era falso. Só após remessas em dinheiro que totalizaram R$ 20 mil para o suposto Andrew, ela se deu conta de que havia caído num grande golpe – e que o príncipe encantado não existia.



Maria Cecília não é seu nome verdadeiro. Como todas as mulheres com histórias parecidas em várias partes do mundo, ela agora se sente humilhada e tem vergonha de falar sobre o assunto, inclusive para a família. “Eu sou uma pessoa esclarecida, estou na segunda pós-graduação e, mesmo assim, caí na lábia de uma pessoa sem escrúpulos. Isso dói mais que o dinheiro que perdi”, lamenta. 


A catarinense foi mais uma vítima do “romance scam”, termo que é utilizado internacionalmente para identificar um golpe organizado que tem como alvo pessoas cadastradas em sites de relacionamento, emocionalmente vulneráveis e com mais de 40 anos. Em todos os casos, o “scammer” (golpista) usa um perfil falso, computadores públicos e argumentos suficientes para convencer suas vítimas que são europeus ou americanos, viúvos, com filhos e à procura de um relacionamento sério. 





Os nigerianos são hoje apontados como os principais golpistas na maioria das denúncias registradas – constatação feita após o rastreamento dos IPs (identificador de origem na internet) usados na comunicação com as vítimas. A fraude, aliás, é admitida pelo governo daquele país africano de 140 milhões de habitantes. Lá esse estelionato se enquadra no golpe do 419 (o 171 nigeriano), conhecido ainda como fraude da antecipação de pagamentos.


Dados do Internet Crime Complaint Center (IC3) – site criado pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) e pelo National White Collar Crime Center (NW3C) para receber denúncias de crimes cibernéticos nos Estados Unidos – indicam que só no ano passado mais de 5,6 mil americanos caíram na conversa dos golpistas do amor e cada um relatou ter perdido, em média, o equivalente a R$ 18 mil. 


Um estudo da University of Leicester, apresentado na conferência anual da Sociedade Britânica de Psicologia em abril deste ano, estimou em 230 mil o número de vítimas do “romance scam” na Inglaterra desde 2008, quando a fraude começou a ser aplicada no Reino Unido. A estimativa do levantamento é que o golpe tenha causado a todas as vítimas um prejuízo médio anual de cerca de R$ 120 bilhões.


Em julho, o jornal australiano “The Sydney Morning Herald” publicou uma reportagem sobre “romance scam” e divulgou que as perdas financeiras com o golpe na Austrália foram de cerca de R$ 44 milhões só no ano passado, com um prejuízo médio estimado de R$ 40 mil por vítima.


Embora esse tipo de golpe já tenha causado prejuízos financeiros e emocionais também no Brasil, país que atingiu 82,4 milhões de usuários de internet no primeiro trimestre do ano, segundo o Instituto Ibope, ainda não existem dados que indiquem o número de vítimas por aqui. De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Crimes Cibernéticos (IBCC), Wanderson Castilho, não existem números oficiais, principalmente porque as pessoas sentem vergonha de assumir que caíram em um golpe e, quando assumem, não sabem direito a quem recorrer. “Nossa legislação não acompanha a velocidade da internet. A Lei Azeredo ficou em discussão desde 1999”, critica o perito em crimes cibernéticos, referindo-se ao projeto de lei sobre crimes da internet aprovado em maio último após 13 anos de intensas discussões na Câmara dos Deputados. 


Sabe-se que há um número cada vez maior de pessoas que se envolvem com estelionatários do amor graças, principalmente, à iniciativa de pessoas como a blogueira Meg D., que em 2010 criou o http://meg-golpistasvirtuais.blogspot.com.br com o propósito de ensinar vítimas a se livrar dos “scammers”. Colaboradora de sites anti-scam como o http://www.scamalert4u.com (que registra e-mails de fraudadores), em janeiro ela decidiu postar informações sobre os tipos de mensagens usadas por golpistas e como eles costumam agir. “Hoje o foco maior do blog é publicar o endereço de e-mails de golpistas. É a única arma realmente efetiva no combate aos crimes praticados por eles”, diz Meg, cujo blog recebe, em média, 800 acessos por dia.




Outro blog que se empenha em publicar denúncias contra “scammers” é ohttp://forascammer.blospot.com.br, administrado por Vânia L. Desde que o blog foi criado, há cerca de 1 ano, ela já recebeu quase 500 denúncias, uma delas sobre um golpista que tirou R$ 70 mil reais de uma mineira, em um momento em que ela estava emocionalmente fragilizada: havia perdido o pai e a mãe poucos meses antes de começar a conversar com o golpista. 


Nos dois blogs há links para que as vítimas façam denúncias às autoridades competentes, dentro e fora do País, entre elas a Polícia Federal. A Folha Universal procurou a Polícia Federal em busca de informações sobre o assunto, mas a assessoria de imprensa do órgão informou que a apuração de crimes cibernéticos é competência da Polícia Civil. A divisão de comunicação e jornalismo da Polícia Civil do Distrito Federal, por sua vez, informou não dispor de nenhuma autoridade para atender ao pedido de entrevista.


Wanderson Castillho, que também preside a empresa de segurança da informação E-Net Security e já atendeu mais de 30 vítimas do “romance scam” nos últimos 3 anos, conta ter identificado os golpistas em todos os casos para os quais foi contratado. “Mas eu não pude fazer nada porque não sou autoridade. Além disso, eles não acatam decisões que não sejam do país deles.”


Procurada pela reportagem, a Embaixada da Nigéria no Brasil admitiu que o golpe virtual por meio de namoro online é realidade no país, mas não apenas nele. “A insinuação de que a fraude é peculiar apenas na Nigéria ou perpetuada a partir da Nigéria não é senão falácia”, informou, por e-mail, o Ministério de Informação e Educação da embaixada em Brasília (DF). “Embora reconhecendo o fato de que poucos nigerianos podem ter essa forma ilegal de ganhar a vida, deve-se notar que um grande número de nigerianos é igualmente vítima desse crime organizado”, diz em nota oficial.


Ainda de acordo com a embaixada, a Nigéria colabora com a United Nations Office on Drug and Organized Crimes para combater fraudes na internet e mantém, desde 2003, uma comissão de crimes econômicos e financeiros para investigar casos de extorsão na internet, o Economic and Financial Crimes Commission (EFCC). Em julho, o órgão divulgou a foto de Bike John Niye (veja imagem na página 16), um estelionatário de 22 anos condenado a 1 ano de prisão após ter deixado pistas de seu golpe. Usando nome falso, o rapaz convenceu a americana Laura Wallmam, que conheceu num site de namoro, a lhe entregar o equivalente a mais de R$ 100 mil. 


O golpista se apresentou à vítima como um empresário que precisava da “ajuda” dela para comprar bens. Por orientação dele, a americana enviou pelo correio um pacote com um ursinho de pelúcia e um tipo sofisticado de celular. Dentro do ursinho havia dinheiro e uma fotografia da vítima. O pacote, endereçado a Toby Encore (nome falso) no subúrbio de Lagos, capital da Nigéria, tinha um número de telefone, o que acabou levando a polícia nigeriana ao golpista. 


As investigações revelaram que o nigeriano havia recebido várias somas em dinheiro por meio da Western Union, empresa de transferência de valores com 480 mil pontos de atendimento espalhados por mais de 200 países. Para receber o dinheiro, o golpista usava documento falso, que destruía após sacar a quantia enviada. 


Em fevereiro deste ano, o tabloide britânico “Daily Mail” publicou uma história parecida sobre envio de dinheiro. Vicky Fowkes, de 59 anos, também foi enganada por um falso namorado que conheceu pela interntet e entregou a ele suas economias da vida inteira. Um suposto engenheiro civil que dizia se chamar John Hawkins e vivia na Inglaterra estaria na Nigéria a trabalho. Quando disse que retornaria à Inglaterra e poderia encontrá-la, teria sido impedido de sair do país por dever impostos. A quantia que ele pediu à Vicky Fowkes foi o equivalente a mais de R$ 100 mil.


No caso da catarinense Maria Cecília, citada no início desta reportagem, a verdade só veio à tona quando, depois de esperar o suposto Andrew durante horas no Aeroporto de Navegantes (SC), ela recebeu o contato de um homem se dizendo advogado de Andrew e informando que ele não havia embarcado em Johannesburgo, na África do Sul, porque tinha pego, por engano, uma mala com cocaína e, por isso, estava detido na imigração. “Mesmo depois de eu ter enviado quase R$ 20 mil, continuam tentando me convencer de que estão falando a verdade”, revolta-se ela.


Um estudo da University of Exeter School of Psychology, encomendado pelo Escritório de Comércio do Reino Unido, revelou que pessoas que já foram vítimas de golpe estão propensas a cair em um novo, dos mesmos fraudadores. Um truque usado pelos golpistas, diz o estudo, é o contato de um suposto advogado, funcionário do governo ou da polícia do país do golpista oferecendo algum tipo de solidariedade.


A paulistana Ana Cláudia, de 44 anos, não chegou a enviar dinheiro ao “pretendente virtual” que conheceu no Facebook em julho, mas acreditou que estava conversando com um viúvo de Londres que se chamava John Webb e dizia ser engenheiro naval. Acreditou também quando ele disse que viajaria para a Austrália. E teria acreditado mais se a história inventada não fosse tão mirabolante (veja trechos das mensagens enviadas nesta página). 




A designer gráfico Bianca, de 39 anos, também desconfiou da história triste do engenheiro civil com sobrenome brasileiro que morava em Londres e não enviou os US$ 900 (R$ 1,8 mil) que ele queria para uma “emergência”. Mesmo assim, Bianca fez uma denúncia à delegacia de crimes cibernéticos em São Paulo. “A mulher que me atendeu disse que, se fosse eu, não mexeria com o assunto. Fiquei com medo”, diz a moça, que conheceu o golpista no site de namoro EBDA, voltado ao público evangélico. 


A amazonense Renata, 40 anos, também conheceu um golpista em um site evangélico, o Amor em Cristo. Dizendo ser divorciado, sem filhos e interessado em casar, o suposto americano convenceu Renata a enviar dinheiro. “Tinha muitas dúvidas sobre o que ele dizia e, mesmo assim, acreditei”, arrepende-se ela, que tirou tudo o que tinha na poupança (R$ 300) e fez um empréstimo bancário de R$ 1,7 mil, que vai pagar em 24 parcelas.


Ela ‘caça’ golpistas


A tentativa de golpe que um suposto russo tentou aplicar em Márcia, de 50 anos (foto ao lado, escurecida a pedido), a incentivou a virar caçadora de “scammers”. A abordagem foi feita pelo Facebook em fevereiro e a troca de mensagens durou 37 dias. “Na segunda mensagem já comecei a achar muito amor para quem só tinha fotos. Peguei parágrafos e joguei no Google para descobrir de onde tirava tantas palavras apaixonadas.”


A partir do que leu sobre “scammers”, Márcia ficou esperando que ele anunciasse a tal viagem à África. O golpista pediu US$ 2 mil (R$ 4 mil). “Como não enviei, o amor acabou naquele dia mesmo”, diverte-se, dizendo que é muito fácil identificá-los. “São sempre viúvos e com filhos, a esposa morreu de câncer ou acidente, os pais também morreram, geralmente são filhos únicos e não têm amigos.”


Cadastrada no site de relacionamento Par Perfeito, ela costuma rastrear e-mails suspeitos e faz buscas de imagens no Google. Os IP’s, diz ela, são normalmente do Reino Unido, dos EUA e da África.


Fragilidade exposta


O envolvimento amoroso em um momento onde há fragilidade emocional pode propiciar dificuldade de discernir o certo e o errado, o bom e o ruim, o saudável e o patológico. A afirmação é do psiquiatra Luiz Cuschnir, idealizador e coordenador do Gender Group do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Segundo ele, a carência afetiva, quando em uma dimensão maior do que a possibilidade de reflexão, leva a uma cegueira.


“Se há um terreno fértil com essa fragilidade e se superpõem fantasias que fazem parte do mundo interno emocional da pessoa, ela pode perder-se e agir de uma forma sem o controle necessário para não fazer o que não deve de acordo com seus valores e possibilidades”, diz Cuschnir, criador do Centro de Estudos da Identidade do Homem e da Mulher (Iden), ao comentar sobre o fato de muitas pessoas enviarem dinheiro aos golpistas.


A perda do dinheiro, no entanto, é apenas um detalhe nas histórias das vítimas. No estudo da University of Leicester, apresentado na Conferência Anual da Sociedade Britânica de Psicologia em abril, depressão, culpa, vergonha, constrangimento, raiva e medo foram apontados como os principais efeitos que aparecem depois de um golpe emocional. “A pessoa que foi vítima de um golpe romântico deu tudo de si”, disse ao jornal australiano “The Sydney Morning Herald” o psicólogo forense Donald Thomsom, da Deakin Universtity Australia. 


A experiência traumática, analisa Cuschnir, pode servir de aprendizado. “Dar outros valores à vida amplia os horizontes e indica caminhos novos que podem ser de muita valia para quem sofreu essas perdas”, analisa o psiquiatra. Na opinião de Erica Queiroz, especialista em relacionamentos e autora do livro “O amor está na rede”, a internet ainda é o melhor lugar para se encontrar alguém quando a juventude já ficou para trás. Ter sido vítima de um golpe, segundo ela, não significa que a pessoa tenha de desistir de sua busca pela felicidade. “É só não acreditar que existe príncipe encantado.”


Erica observa que existem golpes em todos os lugares, não só na internet. “O problema é que a vítima, na maioria dos casos, está com baixa autoestima e se apaixona por uma ilusão.” Uma maneira de se proteger, diz, é não se relacionar com estrangeiros. “Se já é difícil checar informações aqui, imagine de fora.”

sábado, 15 de setembro de 2012

Voluntários da Igreja Universal do Reino de Deus, fizeram um café especial para as famílias dos internos, da Fundação Casa.




Nesta última manhã de sábado as famílias dos internos da Fundação Casa de Raposo Tavares tiveram uma surpresa, voluntários da Igreja Universal do Reino de Deus, fizeram um café especial para todos.




na oportunidade esteve presente o Pastor Geraldo Vilhena Coordenador de Evangelização, nas unidades da Fundação Casa de São Paulo, fez uma oração para cada família. para que Deus desse forças, para lidar com a situação que cada um está vivendo no momento, falou da importância de cuidar dos filhos, pois senão cuidarmos o mundo cuida, e disse mais, para buscar em Deus auxilio pois só ele e capaz de dar a estrutura necessária para cuidar dos adolescentes,




Nesta manhã também, foi distribuido para todos cestas básica tivemos oportunidade de ver de perto a alegria estampada no rosto de cada familiar, no momento em que recebiam.






Que o Senhor Jesus abençoe a todos e principalmente os voluntários que fazem a Obra de Deus na Fundação Casa de São Paulo.

Trocadas pelas mais jovens


O que fazer diante desta situação?



Quando a mulher é trocada por outra mais magra, pode fazer dieta, morrer de fome e emagrecer. Se é por uma mais bonita, ela muda seu rosto inteirinho. Quando a outra é mais rica, há possibilidade de ter a vida inteira pela frente para fazer fortuna. E quando se é trocada por uma mulher mais jovem? Como lidar com a situação de troca?

De acordo com o IBGE, os números de divórcios no País tiveram um aumento de 200% desde 1984, quando o instituto começou a estudar estes casos. A última avaliação foi divulgada em 2007. Os motivos que fazem com que um casal se separe são diferenciados. Entre os principais fatores estão: ciúmes, incompatibilidades de opiniões, abuso do álcool, agressões físicas e traição, em especial a troca de mulheres mais velhas por mais novas. Acarretando para a pessoa traída destruição da autoestima e profunda depressão e isto pelo fato de saberem que a juventude é algo impossível de se recuperar.

Segundo a terapeuta Sônia Vieira Coelho, especialista em terapia familiar, de casal e individual, a questão é bem mais abrangente e envolve vários fatores: “Entre eles,  destaco a beleza física, mais energia no relacionamento sexual e o assédio bem presente das mulheres. Muitos homens acham que estando com mulheres mais jovens se sentirão mais rejuvenescidos, é uma espécie de  autoafirmação”, explica.


“Ela era 10 anos mais nova”

A dona de casa Maria José de Oliveira Lapa, de 64 anos, considerava o seu casamento de 30 anos estabilizado, mas, viu o seu “castelo de areia”, a sua convicção de casamento perfeito, cair por terra quando foi trocada por uma mulher 10 anos mais nova que ela.

“Meu marido foi vítima da sedução. Minha vizinha ficava se mostrando para ele, quando ia se bronzear no sol, bem nos fundos da minha casa. Ele me traiu, me trocou por ela, que é mais jovem que eu”, lembra.

A primeira decisão tomada por Maria José foi a separação, decidiu procurar um advogado para fazer o divórcio. “Mas as consequências precisam ser analisadas, segundo a Palavra de Deus. Por isso fiz as correntes na Igreja Universal em favor da reconstrução do meu relacionamento”, afirma.

Na IURD, Maria José descobriu o segredo para restaurar o casamento: “Sabia que não poderia competir com nenhuma mulher em relação à juventude. Não existem fórmulas para reconquistar a juventude. Meu segredo foi ter um encontro real e verdadeiro com Jesus. Hoje tenho 44 anos de casamento feliz”, conclui.

Pedaço do inferno



Traficantes do bairro vizinho vieram tomar o morro, querem matar os donos do tráfico para assumir a posição e ter mais poder e respeito. Gritos por todos os lados, bombas de gás lacrimogêneo são lançadas dentro do quarto em que estou. Tiros por todos os lados, metralhadoras, granadas, M16, Ares Predator II, Ares Crusader, Heckler & Koch HK227-S, AK-97 SMG/Carabina, UZI, Steyr AUG SCL... Meu Deus! O mundo está acabando! O confronto entre os traficantes é violento, virou uma guerra, vamos morrer!

O barulho dos tiros penetra em minha mente, sei quais são as armas porque eu ajudava a limpá-las por alguns trocados. Estou com vertigem, não consigo respirar, muitos gritos, pedidos de socorro, sinto gosto de sangue na minha boca. Minha cabeça vai explodir, preciso do crack, preciso fugir. O barra pesada está do meu lado; levanta-se e saca a arma, foi atingido. Eu nunca vi nada parecido, o inferno estava na minha frente, uma bala atingiu sua cabeça. Ele havia acabado de matar o monstro com dois tiros na cabeça e agora foi atingido. Ficou irreconhecível, seu corpo caiu ao meu lado. Desespero, dor, tenho que me esconder. O único lugar seria embaixo do seu corpo morto. Três horas de confronto, não sobrou nada. Silêncio. Cheiro de pólvora, sangue e dor. Policiais e paramédicos buscam por sobreviventes. Eu me levanto, estou coberta de sangue... Sangue do morto. Estou apavorada, bichos estão atrás de mim e eu nem estou sob efeito do crack. Não consigo pensar, minha cabeça está explodindo.

Saúde do homem sob controle


Exames anuais evitam o agravamento de doenças e aumentam a qualidade de vida da população masculina



Os homens brasileiros vivem, em média, 69 anos – 7 anos e 7 meses a menos do que as mulheres, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma das explicações pode estar na falta de interesse deles com a saúde. Uma pesquisa do Centro de Referência da Saúde do Homem, órgão da Secretaria da Saúde de São Paulo, mostrou que 60% dos homens só vão ao médico quando a doença já está em estado avançado. 





























Para Claudio Murta, coordenador do serviço de urologia da secretaria, o problema está ligado a questões culturais. “O homem acha que não vai ficar doente. No caso do exame de toque, muitos pensam que vão perder a masculinidade ou que o exame é doloroso. Isso não é verdade”, esclarece. 


O câncer de próstata é o que mais atinge os homens no País, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Perde apenas para os tumores malignos de pele. A estimativa para este ano é que mais de 60 mil novos casos de câncer de próstata sejam registrados no País, o que corresponde a 30,8% das novas ocorrências de câncer em homens brasileiros. 


Apesar da grande incidência, as chances de cura chegam a 95% se a doença for descoberta no início. Murta destaca que, a partir dos 40 anos, o homem deve ir ao urologista anualmente. Segundo o médico, o toque retal e o teste de PSA são fundamentais para avaliar a presença de câncer de próstata. “O check-up também monitora doenças cardiovasculares, infertilidade e o crescimento benigno da próstata, que atinge 100% dos homens e prejudica a qualidade de vida”. O urologista também deve ser consultado nos primeiros meses de vida e na adolescência dos meninos, fases em que pode ocorrer câncer nos testículos. Já o urologista Celso Gromatzky, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que os exames preventivos ajudam a evitar danos mais graves ao organismo. (veja quadro ao lado) “Eles podem orientar a mudança de hábitos do paciente”. Gromarzky lembra que a alimentação balanceada, a prática de exercícios físicos, o abandono do cigarro, o controle do estresse e a redução do consumo de bebidas alcóolicas podem retardar e até evitar enfermidades. Com o objetivo de capacitar profissionais em saúde masculina, o Ministério da Saúde vai distribuir, no primeiro semestre de 2013, 35 mil cartilhas sobre o assunto.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

PREGUIÇA

Todo mundo sabe que fazer exercícios 

físicos 

faz bem à saúde. O que a maioria 

desconhece

 é que o sedentarismo mata mais 

de 3 milhões 

de pessoas por ano


Usar elevador, ir à 
padaria 
de carro, trabalhar 
no 
computador e
 pedir 
comida por 
telefone 
tornam a vida 
contemporânea 
menos 
cansativa. 
Aparentemente 
inofensivos, os 
minutos 
poupados em tarefas 
cotidianas contribuem 
para o crescimento 
acelerado do sedentarismo. Mais de 
3 milhões de pessoas morrem por ano 
por causa da inatividade física, e o risco 
de todas as causas de mortalidade sobe 
até 30% para pessoas insuficientemente 
ativas, segundo a Organização Mundial da
 Saúde (OMS). 


Estudo publicado em julho no periódico
 “The Lancet” mostra que o sedentarismo 
pode ser tão mortal quanto o tabagismo, 
fato que o tornaria uma nova “pandemia”
 mundial. A pesquisa, comandada por 
I-Min Lee, professora de epidemiologia da 
Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, 
concluiu que a falta de movimentação 
causou uma em cada dez mortes por 
doenças cardíacas, diabetes e câncer 
em 2008, o que corresponde a 5,3 milhões 
de óbitos no mundo. Para se ter uma 
ideia, o cigarro mata 5 milhões de 
pessoas todos os anos. 


O cardiologista Carlos Alberto Machado,
 diretor de Promoção da Saúde 
Cardiovascular da Sociedade Brasileira 
de Cardiologia (SBC), concorda com 
a avaliação. “O problema é muito grave, 
estamos diante de uma epidemia. A 
vida em grandes centros urbanos, com 
longas jornadas de trabalho, faz com 
que as pessoas deixem de se movimentar.”
 Segundo a SBC, 49% dos brasileiros 
não praticam nenhum tipo de atividade física. 
A pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, 
aponta que 49% dos adultos estão com 
excesso de peso e a obesidade atinge 16%
 deles. 


Machado lembra que exercitarse 
regularmente ajuda a prevenir o 
corpo de doenças cardíacas, além
de controlar a pressão arterial
e ajustar os níveis de colesterol
e açúcar no sangue.
"A pessoa que faz atividade física
está reservando um tempo para
sí, tornando-a mais comprometida com
a qualidade de vida"





























A gerente de comércio exterior Cristina 
Gonçalves, de 32 anos, conhece as 
vantagens dos exercícios e até chegou 
a se matricular em academia, mas confessa
 que sempre tem uma desculpa para 
evitá-los. “Não é prioridade, acho um 
tédio correr na esteira”, explica, 
acrescentando que há 4 anos fez 
cirurgia para retirar a glândula tireoide e, 
por isso, está acima do peso. Agora, 
pretende investir em hidroginástica, 
atividade que considera mais prazerosa. 




Para o fisioterapeuta e educador físico 
Marcio Marega, responsável pelo 
programa Anti-Sedentarismo do 
Hospital Albert Einstein, Cristina 
tem chances de sucesso. “Quando há
 prazer, consegue-se mais regularidade. 
Uma dica é criar um diário e comemorar 
as pequenas metas alcançadas, além de 
contar com o suporte de familiares”, ensina.


A falta de tempo não pode ser 
empecilho. Segundo Marega, é 
preciso criar oportunidades de movimento,
 como estacionar o carro mais distante e 
caminhar até o destino final, preferir escadas
 e não ficar muito tempo no sofá. “Qualquer 
atividade que envolva gasto de energia
 além do necessário para a sobrevivência, 
durante 30 minutos por dia, pelo menos 
cinco vezes por semana, tira a pessoa do 
sedentarismo.” (veja mais dicas nos
 infográficos espalhados pela página). 


Para as crianças, o ritmo das atividades
 deve ser de moderado a intenso, pelo
 menos 60 minutos por dia. “Elas estão
 em fase de crescimento e precisam 
gastar mais energia”, argumenta Marega.
 Iago de Oliveira, de 18 anos, aproveita a 
bicicleta para ir à escola e ao trabalho. 
“Gosto de pedalar, até nos fins de semana”, 
conta. 


O envelhecimento da população brasileira 
também reforça a importância de hábitos 
saudáveis. Em 50 anos, o percentual de idosos 
mais que dobrou no País, segundo o Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
“Precisamos começar agora. Se houver 
um grande número de idosos doentes daqui
 a alguns anos, não vai existir sistema de 
saúde capaz de suportar”, analisa Machado. 


O futuro foi o estímulo que levou o 
empresário brasiliense Claudio Garbi, de 
38 anos, a se livrar de mais de 60 quilos e 
da obesidade mórbida em apenas dois anos. 
Com 1,94 m de altura, ele pesava 180 quilos
 quando marcou cirurgia de redução de 
estômago. No entanto, após dez dias em 
um spa e 8 quilos mais magro, Claudio 
cancelou a operação e decidiu mudar o 
estilo de vida radicalmente. 
































“Tenho dois filhos, precisava dar o exemplo”, 
relembra. Ele começou com caminhadas 
de 6 quilômetros por dia, que logo evoluíram para 
corridas. Quando ganhou a primeira medalha, ficou 
empolgado e desde então já participou de 115 provas, 
incluindo uma maratona de 42 quilômetros “A 
vontade de viver cresceu, o sono 
melhorou, a pressão arterial está 
controlada. O impossível não 
existe, basta tomar a iniciativa”, acredita. 



A esposa Evandra e os filhos Cauê, de 
7 anos, e Giovana, de 9, além de amigos 
dele, foram influenciados e também 
participam de eventos esportivos. O próximo 
desafio de Claudio Garbi é a Maratona de 
Amsterdã, marcada para outubro.


O ex-triatleta Fernando Diefenthaeler, doutor 
em ciências do movimento humano e 
professor da Universidade Federal de 
Santa Catarina, compara o corpo a um 
carro que não pode ficar parado na garagem.
 “Para as engrenagens funcionarem, elas 
devem estar em movimento. O exercício 
diminui o risco de obesidade, acelera o 
metabolismo e os ossos recebem 
impactos que estimulam a formação de cálcio”, 
explica.


A atividade física traz benefícios em qualquer 
idade, e não é necessário ser atleta nem 
ter muito dinheiro para se mexer. Vale reunir 
os amigos para uma caminhada, procurar 
associações de bairro e utilizar praças e 
faixas para bicicletas, sugere Fernando 
Diefenthaeler, que conseguiu convencer a 
própria mãe a iniciar um programa de 
caminhadas aos 70 anos.


Orientação é fundamental


Quem já conseguiu sair do sedentarismo 
ou deseja resultados mais rápidos deve procurar 
a ajuda de médicos e profissionais de educação
 física. Os “atletas de fim de semana”, que se 
esforçam muito sem preparo adequado, 
correm mais riscos, diz Diefenthaeler. “É como 
se uma pessoa pegasse um avião sem 
nunca ter pilotado. Ela pode sofrer lesões, 
passar mal e até ter uma morte súbita.”


Para Nilo França, professor da academia 
Companhia Athletica, de São Paulo, os praticantes
 devem usar roupas leves, que 
permitam a movimentação e a transpiração, 
e calçados confortáveis. Além de corrida, 
natação e musculação, há outras opções para 
melhorar o condicionamento físico. “Pilates, 
lutas e escalada trazem os mesmos ganhos. 
O exercício deve ser frequente e de 
intensidade moderada, o suficiente para 
elevar a frequência cardíaca e produzir 
sudorese, mas cada caso deve ser
 avaliado individualmente.”


A nutricionista Carolina Carnevalli, especialista
 em Fisiologia do Exercício, afirma que a boa 
alimentação é aliada na luta contra o 
sedentarismo. Comer pelo menos cinco
 porções de frutas, verduras e legumes 
diariamente e aumentar a ingestão de produtos 
integrais é um bom começo. “É importante
 beber bastante água e nunca se exercitar em 
jejum”, diz ela. Outro estímulo para cuidar 
do corpo pode ser conseguido com a 
redução de alimentos gordurosos ou com 
muito sal e muita açúcar. “O desafio é fugir 
da gordura escondida em cada prato”, ensina.


O cardiologista Carlos Alberto Machado explica 
que, em 2011, o Brasil participou de 
assembleia da Organização das Nações Unidas
 (ONU) para o combate do câncer, diabetes e 
doenças cardiovasculares. As metas preveem
 que a diminuição da mortalidade por essas 
enfermidades seja alcançada a partir de quatro 
eixos: o combate ao tabagismo e ao uso 
abusivo de álcool, o aumento do consumo 
de frutas, verduras e legumes e a 
redução do sedentarismo. Machado acredita 
que essas mudanças ajudariam a reduzir as 
mais de 300 mil mortes por doenças 
cardiovasculares todos os anos no País.


Agita SP é referência mundial


Lançado em 1996 para combater o 
sedentarismo no Estado de São Paulo, o Agita 
São Paulo espalhou o princípio de acumular 
30 minutos de atividade física, cinco vezes 
por semana. O projeto converteu-se em referência 
para a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 
2002. “Existiam outras iniciativas, mas elas
 eram acadêmicas”, avalia Luis Carlos de Oliveira,
 um dos coordenadores. Hoje, o Agita SP faz 
parcerias com órgãos públicos e privados
 para disseminar a ideia, e a rede Agita Mundo 
tem mais de 60 países. “A grande sacada foi 
transformar a atividade física em algo 
simples e acessível”, resume Oliveira. 

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