terça-feira, 21 de agosto de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
“Tive crises de abstinência”
A menina preparou-me um banho com sais de alfazema. Eu amo o perfume de alfazema. Minha roupa estava em cima da cama, roupa limpa e cheirosa. Limparam as minhas unhas, cortaram e pentearam meus cabelos. Sentei-me à mesa para tomar a sopa.

Tudo estava diferente, eu não entendia nada. Naquela casa havia paz. Havia um perfume de amor no ar... Eu não entendia. Minha cabeça doía, meu corpo ainda estava fraco. Nenhuma palavra saía da minha boca, tinha medo de falar; tinha medo, muito medo.
A menina dormiu do meu lado. Eu olhava para ela e via uma menina, não mais uma "coisa". Era tão carinhosa comigo... Eu não entendia por que o meu ódio por ela ainda existia. Mesmo assim não lhe dirigi nenhuma palavra.
Noite difícil, sentia falta da droga. A abstinência faz nosso corpo entrar em transe, parece que não vai ter fim. Eu queria muito sair daquela vida, mas sozinha seria impossível.
Tinha vontade de chorar, não conseguia dormir, meu corpo tremia muito. Algo me dizia para me matar, dizia que eu não iria conseguir, que para mim não tinha jeito.
Quero ajuda, preciso de ajuda... Vontade de gritar, muito choro. Levantei-me e fui ao banheiro. Fiquei horas lá dentro chorando muito.
A menina se levantou e ficou ao meu lado, me deu um abraço. Fiquei parada sem saber o que fazer, entrei em pânico.
Os dias foram passando e minha tia e a menina frequentavam uma igreja; então era por isso que elas eram diferentes. Parecia que não tinham medo, eram confiantes. Confiantes em quem ou em quê? Também queria aquela confiança.
Preciso de drogas, preciso de ajuda... Ao mesmo tempo que quero sair e mudar de vida, não tenho forças... Uma grande confusão em minha cabeça!
sábado, 18 de agosto de 2012
“Saía com mulheres”
Cada menina tinha o seu ponto, nenhuma podia ultrapassar a linha da outra. Chovesse ou fizesse frio, estávamos lá. Umas porque precisavam pagar a faculdade, outras porque tinham filho para criar, outras para sustentar o vício, e eu... Bem, nem sei por que estava lá.
Quantas vezes vi meninas acabarem de fazer um programa e ligarem para a mãe querendo um consolo, ouvir a voz de alguém que as amasse realmente. Não era fácil, nem sempre pegávamos homens que faziam o que tinham de fazer e iam embora; muitas vezes ouvíamos besteiras, palavrões, até apanhávamos. Outros eram estranhos, feios, fedidos, sujos, horrorosos, parece que queriam devorar a gente só com o olhar. Nessas horas eu me lembrava do monstro.
Uma vez, uma das meninas apanhou tanto do rapaz que ficou com um olho inchado, não conseguia ver nada. Outra teve o braço direito quebrado. Parece que eles jogam toda a raiva e vontade de matar em cima das meninas. Outra ficou grávida e, na hora de fazer o aborto, morreu na cirurgia por causa de uma hemorragia. São muitos os casos que acontecem com mulheres que não são maduras nessa profissão... Porque eu me acho bem madura, sou dona de mim e sei o que faço.
Na verdade, era até bom que elas saíssem do caminho, assim eu teria a clientela delas.
Uma delas saía sempre com mulheres, já tinha as pessoas fixas; mas a coitadinha foi presa por porte ilegal de armas e recebeu uma pena de sete anos. Coitada dela mesmo, porque fiquei com toda a parte que lhe cabia.
Comecei a sair com mulheres também. Eram mais calmas que os homens e pagavam bem. Não era qualquer uma que eu atendia no meu ponto. Eram mulheres ricas, cheias de ouro, bem casadas, e eu nem ligava.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Bullying antibeleza
Críticas nem sempre devem ser levadas em conta
“Aonde você vai vestida desse jeito? Namorado novo?”
“O que houve com o seu cabelo?!”
“Olha a fulana toda maquiada! Vai encontrar com alguém?”
“Vejam como ela se veste! Ela agora pensa que é importante...”
Isso é o que eu chamo de bullying antibeleza!
Talvez você tenha passado a maior parte da sua vida sem se preocupar com sua aparência, mas depois de descobrir que existe uma mulher linda dentro de você e que é importante, sim, se valorizar, tem início uma nova etapa. Aos poucos sua maneira de se vestir vai mudando, você redescobre sua autoestima e começa a se tornar uma nova mulher, mais bonita, mais interessante, mais segura de si. Então o que acontece? Aparecem pessoas surpresas com a sua mudança, e começam a zombar e tentar desencorajá-la para que volte a ser como antes, afinal de contas, “quem você pensa que é para ser melhor do que eles?”, pensam.
É como se ninguém tivesse o direito de melhorar, se cuidar, se sentir bem. E aqueles que se atrevem a quebrar essa regra têm que sofrer com deboches e piadas de mau gosto.
Que triste isso!
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
AMC É UMA SEMENTE DE AMOR, FÉ E ALEGRIA.
Logo que brilhou o sol Rosana, com a
equipe de voluntárias, se dirige à Fundação Parada de Taipas. Um lugar deserto,
guardando quase sessenta internas que cometeram deslizes na sociedade.
Inicialmente Rosana agradece aos responsáveis e funcionários, valoriza o trabalho desenvolvido pelo Pr. Geraldo Vilhena, da Igreja Universal, onde, semanalmente, com um grupo de apoio busca resgatar a ideia perdida, e mostra, através da palavra de Deus, que há uma nova chance para quando ficarem livres desse passado.
No retorno, são presenteadas com um livro que fala do Pecado e Arrependimento, onde Rosana lê uma página e explica o significado de se perdoar. Dá o incentivo de uma nova chance e, ainda com todos os erros cometidos, Deus está pronto para recebê-las com o arrependimento. Todas atentamente dão ouvidos e acompanham cada palavra.
Para surpresa das meninas a AMC leva um Kit de maquiagem para cada uma, e Gianni Albertoni (modelo e apresentadora), com todo o brilho e luz, ensina como se maquiar. Todas muito atentas fazem uma roda ao seu lado e começa a aula.
Carlinda finaliza com uma oração, pedindo a Deus a sua misericórdia e determinando um novo coração na vida de cada uma delas.
Na idade de 14 a 21 anos ali elas
permanecem, e dentro da rotina vão se socializando e se educando nas regras e
leis a cumprir.
Chegando à quadra, um espaço cedido
para o evento, elas aparecem sorrindo e cumprimentando o grupo da AMC que lhes
espera.
Inicialmente Rosana agradece aos responsáveis e funcionários, valoriza o trabalho desenvolvido pelo Pr. Geraldo Vilhena, da Igreja Universal, onde, semanalmente, com um grupo de apoio busca resgatar a ideia perdida, e mostra, através da palavra de Deus, que há uma nova chance para quando ficarem livres desse passado.
É feita uma oração de agradecimento e
são convidadas a participar de um café da manhã preparado por todas as
voluntárias.
No retorno, são presenteadas com um livro que fala do Pecado e Arrependimento, onde Rosana lê uma página e explica o significado de se perdoar. Dá o incentivo de uma nova chance e, ainda com todos os erros cometidos, Deus está pronto para recebê-las com o arrependimento. Todas atentamente dão ouvidos e acompanham cada palavra.
Para surpresa das meninas a AMC leva um Kit de maquiagem para cada uma, e Gianni Albertoni (modelo e apresentadora), com todo o brilho e luz, ensina como se maquiar. Todas muito atentas fazem uma roda ao seu lado e começa a aula.
Gianni com sorrisos e simpatia
comenta cada detalhe e pinta as meninas de forma profissional, dando muitas
dicas dos passos que se devem seguir. Elas, que também fazem alguns cursos
profissionalizantes dentro da Fundação, dizem que foram privilegiadas com essa
visita.
Sempre muito alegres, não deixam
transparecer que, por trás de cada uma, já exista uma história marcante.
Acreditamos que se existir nas instituições motivação, oportunidade de trabalho
e educação seguramente muitas delas serão beneficiadas e, saindo, terão chance
de um começo diferente: sem droga, sem roubos, sem homicídios. É
necessário que existam leis não só para a prisão, mas que existam, no mundo,
sistemas de melhorias de condições para as classes sociais afinal, sempre
estamos na esperança de um país em desenvolvimento, porém também com condições
mais apropriadas e de visão para dignidade do próximo.
Nada justifica, mas tudo colabora.
Com Deus, trabalho e educação muitos estariam protegidos e longe da força do
mal.
Finalmente, Junior com seu violão
anima as meninas que cantam diversas músicas, secular e gospel,
que fazem a alegria de todos.
Carlinda finaliza com uma oração, pedindo a Deus a sua misericórdia e determinando um novo coração na vida de cada uma delas.
“Fiz abortos para me livrar das coisas”
Eu sempre me protegi muito, morria de medo de engravidar novamente de outra "coisa", só que desta vez eu não iria perder tempo, pois agora era madura e experiente, dona do meu próprio dinheiro e muito conhecida, era só fazer o aborto e tudo bem.
Mesmo me prevenindo, em 1 ano fiz dois abortos. Tinha um cliente que conhecia o amigo de um doutor e que sempre ajudava as mulheres da noite a se livrar das tais "coisas".
E o tempo foi passando e eu me achando cada dia mais poderosa, nada nem ninguém mandava em minha vida. O desejo de vingança contra o monstro ainda continuava...
Resolvi mudar o meu estilo, radicalizar! Mudei o meu visual. Era conhecida como a dama da noite e deveria ser mais poderosa do que nunca.
Uma roupa preta. Essa era minha marca registrada: roupa preta, muito justa, quase não entrava nela, e maquiagem muito escura. Meus cabelos já não eram mais loiros e cacheados, eu os pintava de preto e estavam lisos. Os sapatos eram de salto alto e pretos, a meia-calça era rasgada e as bijuterias, grandes
e pesadas.
e pesadas.
Quando eu chegava em casa, por volta das 7 horas da manhã, a "coisa" estava dormindo. Passava longe do seu quarto, não queria nem ouvir a sua voz.
Um dia, cheguei em casa e não tinha ninguém. Resolvi deitar e dormir porque estava muito cansada. Tinha feito cerca de cinco programas naquela madrugada e meu corpo estava quebrado, além da bebida.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
“Crack: o meu grande amor”
Um dia acordei na praia pela manhã, estava toda suja e sem roupas. Meu cabelo estava muito embaraçado, minhas unhas, com sangue e meu corpo, dolorido. Minhas roupas estavam jogadas ao meu lado, meus braços com grandes arranhões, provavelmente eu mesma os tinha feito, estava com uma unha quebrada. A depressão era profunda. Lembrava-me de minha mãe... Coloquei as roupas sujas e fui para casa descalça.
Andei quilômetros para chegar em casa, não sabia como tinha ido parar tão longe, afinal, o ponto que eu ficava era perto e não tão longe.
Tinha uma banheira no banheiro do meu quarto, eu enchi de água e sabão e entrei dentro dela, adormeci.
Depois de algumas horas acordei com muita angústia, uma sensação de vazio imensa, algo parecido com depressão, dava a impressão de que o meu coração havia sido arrancado. Sinto saudades de minha mãe.
Não sei ao certo o que aconteceu. Quando olhei do meu lado, a "coisa" estava lá, me olhando e segurando um copo de leite quente.
– Eu fiquei aqui esperando a senhora, fiz leitinho para agradá-la.
Fiquei sem fala, apenas tomei o leite...
No dia seguinte perguntei para algumas amigas o que tinha acontecido e elas relataram que eu fiquei muito doida. Peguei carona com um homem muito conhecido da rapaziada, que também era usuário, só que ele usava cocaína injetada, o efeito é tão potente quanto o crack.
Disseram que eu saí com ele em seu carro e não voltei mais. Realmente não sei o que aconteceu, não me lembro de nada.
Quando uso o crack, sinto uma euforia, alegria, fico confiante, minha energia aumenta e eu desejo cada vez mais o crack. Daria tudo o que tenho por uma pedra do meu amor, meu grande amor.... o crack.
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