NOS ESTADOS DO NORTE E NORDESTE A SITUAÇÃO É AINDA
PIOR, LÁ MAIS DA METADE DAS MULHERES JÁ SOFREU ALGUM TIPO DE ABUSO E
QUASE 80% NÃO SE SENTEM SEGURAS NAS RUAS, NEM DENTRO DE CASA
Dados divulgados no final da semana passada pela
Agência Estado mostram que a violência doméstica ainda é um dos crimes
mais temidos pela mulheres e que, diferentemente do que se imagina, esse
tipo de violência não está mais restrito às regiões periféricas das
grande cidades. Hoje ele atinge de forma praticamente uniforme todas as
classes sociais. Os números comprovam esse cenário: em todo o País, para
33% das mulheres o problema que mais as preocupa é a violência do
marido ou parceiro, além do medo de agressão por algum estranho, fora de
casa.
Mais de 50% das entrevistadas confessaram ter
sofrido algum tipo de violência do companheiro ou conhecer ao menos uma
mulher que já tenha sido vítima desse tipo de agressão. Outras 51%
disseram ter amigas ou conhecidas que preferem não denunciar o agressor
por julgar o atendimento ineficiente, por não acreditarem na justiça ou
simplesmente por medo de retaliação.
NORTE E NORDESTE LIDERAM VIOLÊNCIA
Esses dados vêm legitimar a ascensão do crime
doméstico, e em especial contra as mulheres, verificado nos últimos anos
no Brasil. No Sul e no Sudeste, os casos que chegaram às delegacias
aumentaram 9% entre 2007 e 2011. Na periferia das grandes cidades, as
mulheres que declararam se sentir desprotegidas e com medo dentro da
própria casa passaram de 43% em 2006 para 68% em 2011. Os estados do
Norte, Nordeste e Centro-Oeste continuam recordistas. Mais de 62% das
moradoras dessas regiões já declararam ter sofrido algum tipo de
violência dentro de casa, e 74% confessaram não se sentir seguras também
quando estão nas ruas.
Apesar dos números, o Ibope e as autoridades
competentes acreditam que esses valores sejam bem maiores, uma vez que
apenas uma pequena parte presta queixa do companheiro. Prova disso é que
três em cada quatro entrevistadas consideram que as penas aplicadas nos
casos de violência contra mulher são irrelevantes e que a Justiça trata
com descaso as vítimas desse crime. Quase 60% consideram os serviços de
atendimento totalmente ineficazes ou muito pouco funcionais.
MEDO DE APANHAR
Quando interrogadas sobre o que acham que acontecerá
com a mulher logo após uma denúncia, 33% confessaram que "quando o
marido fica sabendo, ele reage e ela apanha ainda mais"; 27% responderam
que não acontece nada com o agressor; 21% creem que o agressor será
preso; outras 12% supõem que o agressor irá receber apenas uma multa ou
será obrigado a doar uma cesta básica. Há também aquelas que acreditam
ser mais seguro ficar calada e sofrendo agressões do que confiar na
Justiça depois da denunciada.



A
definição de ansiedade no dicionário Michaelis é uma atitude que
alterna medo e esperança. A pessoa fica entre dois pensamentos, sem
saber ao certo o que fazer. A psicóloga Cátia Lima Rodrigues explica
como surge tal sentimento. "Quando temos temores subjetivos, como de
ficarmos sozinhos, de sofrermos ou do futuro, desenvolvemos a ansiedade
como mecanismo de defesa."
A
jornalista Ana Paula Ladeira, de 35 anos, travou uma grande batalha
contra a ansiedade na espera por seu amado, Flávio Ladeira, de 31 anos.
Casados há cerca de 5 meses, ela conta que até então havia confiado e
esperado em Deus. "Passei a buscar pela minha vida sentimental aos 21
anos. De lá até aqui, enfrentei perseguições e gozações de familiares e
pessoas próximas, além de ver todas as minhas amigas casarem", relata.
Em
tempos modernos, as mulheres adquiriram muitos direitos sobre o próprio
corpo. A maior representação disso foi a chegada da primeira pílula
anticoncepcional no mercado, em meados da década de 1960, que permitiu
que elas assumissem o controle do planejamento familiar.