domingo, 5 de junho de 2011

PEGA, MAS NÃO SE APEGA



PEGA, MAS NÃO SE APEGA
DEPOIS DAS REVOLUÇÕES PROMOVIDAS NAS DÉCADAS DE 60 E 70, O JOVEM PARECE TER SE CANSADO; MENOS AMBICIOSO, O QUE IMPORTA AGORA, PARA ELE, É O 'CARPE DIEM': APROVEITE O MOMENTO E ESQUEÇA O RESTO

Depois da revolução sexual pela qual passou a geração dos anos 60, dos protestos de cunho político, como o movimento pelas ‘Diretas, Já’ e da combustão vivida pela música, cinema e demais artes, os jovens desta geração, nascidos em meados dos anos 90, se cansaram das revoltas. E promoveram a calmaria. Não uma calmaria evidenciada pela não-necessidade de mudanças político-comportamentais. O que mudou é que os jovens de hoje se isentaram de responsabilidades. Não se vê mais movimentos estudantis ou mobilizações de cunho político.

“QUANTAS DOENÇAS SEXUAIS EXITEM?
ELAS CABEM NOS DEDOS DE UMA MÃO?”

Num país mergulhado em escândalos que vêm do poder, em profundas disparidades sociais e num sistema educacional degradante, seria de esperar algum posicionamento diante disso tudo. Mas não, não se vê mais isso. Virou coisa careta, coisa do passado.

“HOJE, BASTA LER O KAMA SUTRA PARA
SER APONTADO COMO INTELECTUAL”

O imperialismo moderno dita outras regras. A nova ordem, agora, é regida pelo ‘carpe diem’ , ou seja, aproveite o instante o máximo possível. Não existe o amanhã, o que importa é o aqui e agora. E se esqueça do resto!

Prova disso são os relacionamentos pessoais. Foi na década de 80 que surgiu a expressão “ficar”. Esse quase-neologismo passou a representar uma nova condição de relacionamento em que as pessoas mantêm contatos físicos e afetivos durante um curto tempo (minutos, ás vezes), sem que isso signifique um vínculo duradouro. O ‘ficar’, no entanto, tem suas regras, e a principal delas é não se envolver emocionalmente com o ‘ficante’. E tem também um lema: “A gente pega, mas não se apega”.

“A NOVA ORDEM AGORA É REGIDA PELO
‘CARPE DIEM’ [...] APROVEITE O INSTANTE [...]
NÃO EXISTE O AMANHÃ.
E ESQUEÇA O RESTO”

Fato é que a sexualidade está sendo vista e vivida de maneira cada vez mais banalizada, assim como também os relacionamentos afetivos. Essa aparente liberdade sexual, conquistada ao longo de quatro décadas, gera conflito, principalmente entre aqueles que estão vivendo um momento de transição entre a adolescência e a vida adulta.

“HÁ POUCO TEMPO, O QUE TIRAVA O SONO DOS PAIS
ERA SABER QUE O FILHO LIA, ESCONDIDO,
KARL MARX E QUERIA PÔR TUDO
AQUILO EM PRÁTICA”

Tudo em excesso é prejudicial, dizem por aí. E não há como contestar a afirmação. A liberdade sexual tomou proporções tão avantajadas, que esta geração está padecendo diante dela. Quantas doenças sexuais existem? Elas cabem nos dedos das mãos? Quase 50% dos partos realizados no Brasil são de mães que ainda não atingiram os 18 anos!

“O ‘FICAR’, TEM, SIM, SUAS REGRAS:
A PRINCIPAL DELAS É NÃO SE ENVOLVER”


E pensar que, há algumas décadas, o que tirava o sono dos pais era saber que o filho estava lendo, escondido num canto do quarto, um livro do jovem Marx, e querendo colocar todos aqueles ideais esquerdistas em prática. As coisas realmente mudaram muito.

Hoje, basta ler o Kama Sutra para ser apontado como um intelectual.

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