quinta-feira, 23 de agosto de 2012

“Fui abusada novamente”


Ele não me levou para casa, foi para uma mata, não tinha ninguém por perto...


Decidi contar para minha mãe, eu não iria aceitar isso na minha vida. Quando cheguei em casa, minha mãezinha não estava, meu pai a levou para o hospital, ela passou mau. Corri para lá, era perto de casa. Encontrei meu pai falando com o médico:


– Doutor, quando cheguei em casa, Alicia estava tremendo muito, parecia até uma convulsão, a febre estava muito alta e ela gritava de dores.


Como eu iria falar para minha mãe sobre o monstro estando ela nesse estado? Nem poderia falar para meu pai, a cabeça dele entraria em parafuso.


Fiquei calada e fui para o quarto do hospital cuidar da minha mãe. Ela estava magra, os olhos fundos, dava para ver os ossos de seu rosto. Ela pediu para tomar um banho, eu quis ajudar.


A enfermeira a colocou na cadeira de rodas e me deixou banhá-la. Minha mãe não conseguia ficar em pé. O braço dela estava tão fino, seu quadril, suas costas, eu podia contar os ossos. A pele parecia verde, já não tinha mais aqueles cabelos longos e cacheados como os meus, estavam muito ralos. Seus dentes pareciam maiores, seus lábios sumiram. O cheiro da minha mãe havia acabado, agora cheirava câncer. Ela mal conseguia falar.


Peguei um pano com sabonete e passei sobre a pele dela. Era sabonete de alfazema, minha mãe me olhou. Seu olhar continuava de mãe. Ela me perguntou:


– Meu amor, está tudo bem contigo?


Eu queria tanto gritar para ela tudo o que estava acontecendo, mas como faria isso? Ela é quem precisa de mim, eu não posso falar nada, ela não tem condições de me ajudar agora, eu é quem tenho que ajudá-la. Dentro de mim, gritava:


– Socorro, mãe, eu preciso da senhora!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Pesadelo no exterior




Cartilha orienta brasileiros que pensam em trabalhar fora do País: modelos e atletas são os que enfrentam mais problemas. Existem casos de quase escravidão

O sonho de fazer sucesso em uma carreira internacional pode se transformar em um pesadelo. Brasileiros que buscam a realização profissional no exterior têm cometido erros primários antes de embarcar e depois são submetidos a ficar na ilegalidade, acumulam dívidas enormes, sofrem assédio moral, sexual, não recebem o valor acertado antes da viagem e chegam a encarar uma situação comparável à escravidão. 


O extremo desse pesadelo pode ser bem pior do que o trabalho forçado ou longas jornadas. Há suspeita até de casos de processo de adoção forçado: brasileiros estariam sendo aliciados no exterior em troca de cidadania internacional, segundo hipótese levantada pela deputada Flavia Moraes, na CPI do Tráfico de Pessoas, na Câmara dos Deputados.


“Nós temos que saber se essas pessoas são só imigrantes ou se eles estão lá em situação de exploração. Na exploração existe o aliciamento, que é aquele convencimento com ofertas mirabolantes e quando a pessoa vai, a realidade não é àquela que foi prometida”, disse a deputada à Agência Câmara. “Geralmente, a pessoa que é explorada, passa a trabalhar em condições precárias e grande parte do dinheiro que recebe fica com esse ou essa aliciadora”, acrescentou.


A fim de minimizar o problema, o Ministério de Relações Exteriores criou a “Cartilha de Orientações para o Trabalho no Exterior”, com informações para quem deseja tentar a sorte especialmente nas carreiras de modelo e jogador de futebol, além de dançarinos, cozinheiros e professores de capoeira, atividades que também têm causado transtornos ao Itamaraty. 


“Não é que seja algo comum de ocorrer, mas acendemos a luz amarela justamente para um número maior de pessoas se prevenir”, explica o diplomata Marcelo Ferraz ao relatar que os casos ficaram mais frequentes nos últimos 2 anos.


O material lista os países em que é mais comum o sofrimento de brasileiros. Armênia, China, Cingapura, Coreia do Sul, Filipinas, Grécia, Índia, Indonésia, Irã, Malásia, Tailândia e Turquia foram os que apresentaram problemas recentemente. 


“Tem casos que não chegam até nós, mas normalmente os problemas são em países nos quais o idioma é uma barreira”, observa Ferraz. “Há também problema por falta de conhecimento da cultura e da lei local. Sem contar a falta de uma comunidade brasileira representativa nesses países.”


Não dominar o idioma pode atrapalhar na hora de assinar contratos. No início do ano, a paulista Monique Menezes, de 21 anos, e a gaúcha Thelma Kaminski, de 19, foram à Índia para trabalhar como modelo. Cada uma receberia US$ 2.100 por mês (R$ 4.200). Já em solo indiano, as duas descobriram que a realidade era outra. Receberiam só US$ 160 dólares mensalmente e fariam trabalhos diferentes do combinado antes do embarque, como ser garçonete ou recepcionistas em festas nas quais eram obrigadas a servir uísque na boca dos convidados e ainda tinham de suportar o assédio dos homens. 


Após procurar ajuda no Consulado do Brasil na Índia, Monique soube que tinha se comprometido a pagar multa de US$ 500 mil se abandonasse o trabalho. O alto valor da multa invalidou o acordo e ela voltou sem dívida ao Brasil, apesar de ficar sem receber pelos trabalhos feitos depois da denúncia.


Procurar a embaixada brasileira também foi a última opção de dois jogadores de futebol que tentaram emplacar a carreira em um time de Sari, no Irã. O paranaense Lucas Camargo Alves e o gaúcho Cassius Lumar Viana Rosa passaram 3 meses em alojamentos da equipe, que nem sequer montou um time para se inscrever no campeonato local. Com os passaportes retidos, os dirigentes do clube ainda cobraram supostos gastos que totalizavam US$ 30 mil. 


O paranaense voltou do Irã já sem o desejo de seguir a carreira de jogador. O gaúcho está sem clube, mas no primeiro semestre atuou no Ji-Paraná e foi campeão Rondoniense. As modelos que estiveram na Índia não responderam aos pedidos de entrevistas feitos pela Folha Universal, mas, assim como outras modelos, estão sendo ouvidas pela CPI do Tráfico de Pessoas para exemplificar o pesadelo vivido na Índia.


Informação é a melhor forma de evitar arapuca


Acessar o Portal Consular (www.portalconsular.mre.gov.br) é a primeira coisa a ser feita por quem está em busca de uma oportunidade fora do País. Lá, são encontradas informações precisas e específicas que ajudam a evitar situações desagradáveis, além de minimizar o risco de essas pessoas se tornarem vítimas do tráfico internacional de pessoas.


• Todo contrato em idioma estrangeiro deve apresentar tradução juramentada (oficial) para o idioma do contratado (no caso, o português)


• Antes de embarcar, as responsabilidades de pagamentos de passagens (ida e volta), hospedagem e salários devem ser previamente acordados. Cuidado com viagens para “testes”


• Evite entregar a terceiros por longos períodos os documentos pessoais, em especial o passaporte. Se realmente for necessário para o pedido de visto, exija comprovação de que o pedido foi efetivamente protocolado e acompanhe o prazo previsto para o término do processo


• Informe-se, antes de viajar ou logo na chegada, sobre programas voltados à adaptação de estrangeiros no país


• Anote os dados de contatos da Embaixada ou Consulado do Brasil. Apresente-se ao agente consular, faça a matrícula e forneça informações detalhadas sobre o empregador ou empresa que tenha intermediado a negociação.


• Não aceite de forma alguma ficar na clandestinidade no país e nem acredite em promessa de regularização futura. Isso gera insegurança, pode resultar no acúmulo de multa e deixa o empregado dependente das atitudes do empregador

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

“Tive crises de abstinência”

A menina preparou-me um banho com sais de alfazema. Eu amo o perfume de alfazema. Minha roupa estava em cima da cama, roupa limpa e cheirosa. Limparam as minhas unhas, cortaram e pentearam meus cabelos. Sentei-me à mesa para tomar a sopa.


Tudo estava diferente, eu não entendia nada. Naquela casa havia paz. Havia um perfume de amor no ar... Eu não entendia. Minha cabeça doía, meu corpo ainda estava fraco. Nenhuma palavra saía da minha boca, tinha medo de falar; tinha medo, muito medo.

A menina dormiu do meu lado. Eu olhava para ela e via uma menina, não mais uma "coisa". Era tão carinhosa comigo... Eu não entendia por que o meu ódio por ela ainda existia. Mesmo assim não lhe dirigi nenhuma palavra.

Noite difícil, sentia falta da droga. A abstinência faz nosso corpo entrar em transe, parece que não vai ter fim. Eu queria muito sair daquela vida, mas sozinha seria impossível.

Tinha vontade de chorar, não conseguia dormir, meu corpo tremia muito. Algo me dizia para me matar, dizia que eu não iria conseguir, que para mim não tinha jeito.

Quero ajuda, preciso de ajuda... Vontade de gritar, muito choro. Levantei-me e fui ao banheiro. Fiquei horas lá dentro chorando muito.

A menina se levantou e ficou ao meu lado, me deu um abraço. Fiquei parada sem saber o que fazer, entrei em pânico.

Os dias foram passando e minha tia e a menina frequentavam uma igreja; então era por isso que elas eram diferentes. Parecia que não tinham medo, eram confiantes. Confiantes em quem ou em quê? Também queria aquela confiança.

Preciso de drogas, preciso de ajuda... Ao mesmo tempo que quero sair e mudar de vida, não tenho forças... Uma grande confusão em minha cabeça!

sábado, 18 de agosto de 2012

Gianni Albertoni (Modelo e apresentadora) fala da importância da AMC na Fundação Casa.


“Saía com mulheres”


Cada menina tinha o seu ponto, nenhuma podia ultrapassar a linha da outra. Chovesse ou fizesse frio, estávamos lá. Umas porque precisavam pagar a faculdade, outras porque tinham filho para criar, outras para sustentar o vício, e eu... Bem, nem sei por que estava lá.

Quantas vezes vi meninas acabarem de fazer um programa e ligarem para a mãe querendo um consolo, ouvir a voz de alguém que as amasse realmente. Não era fácil, nem sempre pegávamos homens que faziam o que tinham de fazer e iam embora; muitas vezes ouvíamos besteiras, palavrões, até apanhávamos. Outros eram estranhos, feios, fedidos, sujos, horrorosos, parece que queriam devorar a gente só com o olhar. Nessas horas eu me lembrava do monstro.

Uma vez, uma das meninas apanhou tanto do rapaz que ficou com um olho inchado, não conseguia ver nada. Outra teve o braço direito quebrado. Parece que eles jogam toda a raiva e vontade de matar em cima das meninas. Outra ficou grávida e, na hora de fazer o aborto, morreu na cirurgia por causa de uma hemorragia. São muitos os casos que acontecem com mulheres que não são maduras nessa profissão... Porque eu me acho bem madura, sou dona de mim e sei o que faço.

Na verdade, era até bom que elas saíssem do caminho, assim eu teria a clientela delas.

Uma delas saía sempre com mulheres, já tinha as pessoas fixas; mas a coitadinha foi presa por porte ilegal de armas e recebeu uma pena de sete anos. Coitada dela mesmo, porque fiquei com toda a parte que lhe cabia.

Comecei a sair com mulheres também. Eram mais calmas que os homens e pagavam bem. Não era qualquer uma que eu atendia no meu ponto. Eram mulheres ricas, cheias de ouro, bem casadas, e eu nem ligava.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Bullying antibeleza


Críticas nem sempre devem ser levadas em conta


“Aonde você vai vestida desse jeito? Namorado novo?”

“O que houve com o seu cabelo?!”

“Olha a fulana toda maquiada! Vai encontrar com alguém?”

“Vejam como ela se veste! Ela agora pensa que é importante...”

Isso é o que eu chamo de bullying antibeleza!

Talvez você tenha passado a maior parte da sua vida sem se preocupar com sua aparência, mas depois de descobrir que existe uma mulher linda dentro de você e que é importante, sim, se valorizar, tem início uma nova etapa. Aos poucos sua maneira de se vestir vai mudando, você redescobre sua autoestima e começa a se tornar uma nova mulher, mais bonita, mais interessante, mais segura de si. Então o que acontece? Aparecem pessoas surpresas com a sua mudança, e começam a zombar e tentar desencorajá-la para que volte a ser como antes, afinal de contas, “quem você pensa que é para ser melhor do que eles?”, pensam.

É como se ninguém tivesse o direito de melhorar, se cuidar, se sentir bem. E aqueles que se atrevem a quebrar essa regra têm que sofrer com deboches e piadas de mau gosto.

Que triste isso!

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