sexta-feira, 25 de maio de 2012

TUDO PELA BELEZA

TUDO PELA BELEZA

COM CERCA DE 1 MILHÃO DE PROCEDIMENTOS AO ANO, BRASIL É O PAÍS QUE MAIS REALIZA CIRURGIAS PLÁSTICAS EM TODO O MUNDO

APESAR DO CENÁRIO OTIMISTA, CABE UMA RESSLAVA: DO TOTAL DE PROCEDIMENTOS, 60% TEM FINALIDADE MERAMENTE ESTÉTICA

Desde 2008 o Brasil ocupa a liderança entre os países que mais realizam cirurgias plásticas com fins estéticos, com cerca de 800 intervenções ao ano. Atualmente, menos de três anos depois, esse número saltou para  mais de 950 mil procedimentos realizados. Os Estados Unidos, até então em primeiro lugar, ficaram para trás e se tornaram o segundo da lista, com aproximadamente 900 mil cirurgias plásticas realizadas por ano.

De todas as cirurgias realizadas anualmente no Brasil - são mais de 1 milhão - , cerca de 60% têm finalidade meramente estética, sendo que desse universo quase 30% dos procedimentos são realizados em homens. Há apenas cinco anos somente 19% dos homens se submeteram a cirurgias plásticas com fins estéticos.

"Enquanto minhas fotos precisarem
passar pelo Photoshop é porque
ainda não cheguei onde quero chegar",
(Jéssica, modelo, 17 anos e 3 plásticas)

Os dados são da Sociedade Brasileira de Plástica, que também informa que a cirurgia mais praticada continua sendo a de lipoaspiração, seguida por aumento ou redução de mamas e procedimentos na face (nariz, pálpebras e orelhas).

ESTRANGEIROS TEMEM O BISTURI; BRASILEIROS, QUE O RESULTADO NÃO FIQUE TÃO BOM

Para os especialistas ouvidos, o fato de o Brasil ter se tornado o país que mais recorre às plásticas está ligado também à melhora da condição financeira da população, além da questão cultural, que dá grande peso ao fator beleza. Além do mais, a forma como o brasileiro encara as cirurgias plásticas também é diferente, principalmente quando comparado ao que pensam os americanos e os europeus.

"Enquanto nos outros países a cirurgia plástica exige um tempo de pesquisa e reflexão dos pacientes, que se preocupam principalmente com a anestesia e o pós-operatório, no Brasil as pessoas decidem se operar muito mais rápido e só parecem ter medo do resultado, que pode não ficar tão bom quanto o esperado", explicam. É o caso, por exemplo, da modelo Jéssica Aves que, com apenas 17 anos, já passou por pelo menos três intervenções cirurgias para fins estéticos. "Enquanto minhas fotos precisarem passar pelo Photoshop é porque ainda não cheguei onde quero chegar", diz,

quinta-feira, 24 de maio de 2012

VIDA DE CRIMINOSO


CIÊNCIA E FILOSOFIA TENTAM, HÁ MAIS DE 4 MIL ANOS, EXPLICAR A ORIGEM DE MENTES CRIMINOSAS E ASSASSINAS, NUMA BATALHA QUE PARECE NÃO TER FIM ENTRE CARGA GENÉTICA E MEIO SOCIAL


Desde muitos séculos antes de Cristo o homem tenta desvendar, através da análise do intelecto humano, o que pode levar alguém aparentemente saudável a se transformar em um criminoso. Os egípcios, por exemplo, no século quarto antes da Era Cristã já tentavam curar assassinos e outros criminosos praticando trepanações, técnica que consistia em perfurar o crânio humano em diversos pontos para que, através dos orifícios, a maldade e os espíritos assassinos  pudessem escapar do corpo e da mente dos delinquentes.

"EXISTEM FATORES GENÉTICOS QUE DETERMINAM A PROPENSÃOAO CRIME"
(Sobre uma das inúmeras Doutrinas que tentam explicar o surgimento dos criminosos)

Mais de dois mil anos depois, as indagações a respeito do funcionamento e dos fatores que moldam a mente humana continuam. Mesmo assim, a ciência ainda está longe de entendê-la ou de privá-la de atitudes que gerem sérios riscos a toda sociedade. As pesquisas no campo da psicanálise e da psicologia são incessantes, bem como as hipóteses que surgem, todos os dias, na tentativa de responder às questões: O que leva uma pessoa a matar? Como são geradas as mentes assassinas e criminosas?

"TODO HOMEM NASCE BOM,A SOCIEDADE É QUE O CORROMPE"
(Jean Jacques Rousseau, filósofo suíço)

Apesar de os métodos de pesquisa terem evoluído significativamente nos últimos anos, os estudiosos ainda se dividem em dois grupos bastante distintos: Para o primeiro, existem fatores genéticos (uma espécie de defeito cromossômico) que determinam a propensão ao crime. A explicação, portanto, deixa de lado os fatores sociais e foca o "lado orgânico do crime". Portadores dessa disfunção se veem atraídos para todo tipo de delito, como o tráfico de drogas, roubo, estupro, etc.  Já o segundo grupo ainda se sustenta nas teorias do filósofo suíço Jean Jacques Rousseau, segundo o qual todo desvio de conduta é resultado das influências exteriores, ou seja, sociais. "Todo homem nasce bom; a sociedade é que o corrompe", afirmava Rousseau.

Embora as linhas de raciocínio sejam bastante distintas, cresce a cada ano o número de pesquisadores que acredita na interação entre carga genética e influência social como a principal responsável pela construção da personalidade.

"TODO DESVIO DE CONDUTA É RESULTADODAS INFLUÊNCIAS DO MEIO"
(Sobre a Doutrina defendida por Jean Jacques Rousseau)

"Quantas pessoas conhecemos que não gostam de pizza de vegetais, por exemplo. Essa repulsa é determinada pela carga genética delas. Mesmo assim, o convívio com pessoas que saboreiam esse tipo de pizza regularmente pode interferir no gosto dela, que, com o passar do tempo, começa a apreciar o sabor da pizza, contrariando o que determina a genética. Com a inserção no mundo do crime, pode acontecer algo parecido”, exemplificam os estudiosos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

“Será que puxo o gatilho?”

O que eu faço? Quero minha mãe... Por que eu não disse a ela tudo o que estava acontecendo? Por que tive medo naquele dia? Alguém iria me ajudar... Ela iria me ajudar. Eu não quero mais ficar aqui, não quero mais essa vida.


Descendo as escadas, vejo muitos mortos, muito sangue pela calçada. Meninas que faziam programas junto comigo estavam mortas, pedaços de corpos por todo lado...Uma chacina.


Sentei-me no batente de um bar, ou do que sobrou dele, coloquei meu rosto junto aos meus joelhos e chorei, chorei de medo, chorei de saudade, chorei por causa
da depressão.


Uma voz dizia dentro da minha cabeça para eu me matar. Tinha uma 12 milímetros com três balas no pente; a voz começou a gritar na minha cabeça para eu me matar e eu peguei a arma.


Eu não queria me matar, queria viver, queria ser feliz, mas como pode uma pessoa como eu ser feliz? Não tem mais solução, eu fui abusada quando pequena, minha mãe morreu com câncer, meu pai de tanto beber... Tenho uma "coisa" que saiu de dentro de mim e que eu odeio muito, não tenho família, não tenho ninguém. Como pode existir Deus? Se Ele existisse, não deixaria eu passar por tudo isso.


Fiquei com a arma na mão por alguns minutos, coçava minha cabeça com o cano dela e tinha uma sensação de bem-estar toda vez que pensava em puxar o gatilho...


Comecei a ver monstros novamente vindo ao meu encontro; pareciam homens de preto ou vultos, não sei. Davam medo, eram feios e o cheiro era horroroso; não era o cheiro de sangue das pessoas mortas, mas um cheiro podre. Comecei a sentir calor, estava tudo muito quente. Os monstros estavam me chamando, queriam me puxar pela mão, eu estava ficando louca. O que eu faço agora? Puxo o gatilho?

terça-feira, 22 de maio de 2012

Aposta perigosa

Para entender o que leva as pessoas ao vício – e à ruína – em jogos de azar como o bingo, repórter da Folha Universal visita locais de aposta e conta sua experiência de risco ao lado de jogadores compulsivos


Não é fácil, para muitos, resistir a uma aposta. A chance de ficar milionário ou ganhar um troco está por todos os cantos. Os brasileiros podem apostar nas loterias federais e em corridas de cavalo quase todos os dias. Tudo dentro da lei. Ou se aventurar em carteado, máquinas caça-níqueis (que aliás levaram à prisão o empresário Carlinhos Cachoeira, pivô de escândalo político), cassinos clandestinos ou bingos, agora ilegais, e outros jogos proibidos há tempos, como o bicho.


"É um comportamento de origem remota no mundo e de frequência elevada no Brasil. Essa atividade lúdica e banal, porém, pode se transformar num padrão de comportamento que foge ao controle do indivíduo", avisa, logo de cara, Thais Maluf, psicóloga e coordenadora do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Unifesp, São Paulo.


Este repórter, aparentemente, não é viciado e ainda está dentro do controle. Já apostou na loteria, brincou de bingo em evento beneficente e tentou adivinhar um resultado ou outro em bolões de Copa do Mundo. Mas fui escalado para visitar e entender melhor os locais responsáveis por deixar tantos bolsos vazios e tantas pessoas dependentes de jogos – cerca de 2,5 milhões no País, em 2010, segundo dados da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas. Pior, com "prejuízos individuais e sociais decorrentes de dívidas, prática de atos ilegais e rompimento de relações familiares e profissionais", como ainda alerta Thais.


A primeira parada foi no tradicional Jockey Club de São Paulo. Os apostadores são homens acima de 40 anos e, em sua maioria, idosos. Vários se conhecem. Acenam um para o outro, trocam uma palavra ou outra. E, às vezes, até se agrupam para conversas animadas – o que não é tão frequente. Chegam sozinhos, suspirando solidão.


Um veterano que lá trabalha há mais de meio século tem a devida paciência e bondade de esmiuçar como a coisa funciona. Os clientes que por ali passam vão soltando pérolas. Alguns tentam me animar: "Imagina, é fácil de aprender". Outros vêm com advertências: "Aí é que começa o problema". O funcionário garante: "Só arranja confusão quem quer".


"Não é bem assim, metade da dependência está ligada ao ambiente", explica Hermano Tavares, psiquiatra e coordenador do Ambulatório do Jogo Patológico (Amjo) do Hospital das Clínicas da USP. Por mais inofensivo que pareça, essa oferta toda faz diferença. "E a outra metade é genética. Por isso, a atenção é maior para quem tem familiares com antecedentes de dependência, com problemas de jogo, álcool, cigarro ou drogas", diz.


Decido arriscar logo no 1º páreo. A aposta mínima é de R$ 2. O moço ao lado sugere o cavalo "Boneco de Vento". Mas gosto do "Driblador", um azarão, e já imagino minha fortuna. Os cavalos passam voando. Sinto a adrenalina, torço para que meu favorito atropele no final, mas acaba em quarto lugar Como uma criança, só penso em ir de novo!


Com o programa em mãos, busco mais dicas. Ganho, em troca, a pecha de "arisco", jargão para iniciante que ganha na primeira visita. Percebo hostilidade, inveja e, ao mesmo tempo, assim como todos, acredito que sou o predestinado a faturar. Tudo bem, vou confiar nas táticas básicas: nome, número, uni-duni-tê... Nem o favorito vinga. Só depois de uma tarde inteira e R$ 40 a menos no bolso – confesso que decidi perder a conta em certo momento – paro e penso: "Será que não vou ganhar?" Deixo a consciência sentada num canto e vou para mais um páreo. Desta vez, não escolho o cavalo. Aposto na joqueta Jeane Alves, vitoriosa em duas corridas anteriores. E ela me decepciona: em segundo lugar, por meio corpo. E eu me decepciono com tudo aquilo.


"Você fica pensando como ganhar. Se ganha, em como ganhar mais. Se perde, em recuperar. Se perde tudo, onde arranjar dinheiro para recuperar tudo", diz um jogador compulsivo em recuperação, como se autodenominam os integrantes dos Jogadores Anônimos.


Não é tão fácil vencer uma aposta. E perde-se muito. Por que, então, insistir? "As pessoas apostam pela adrenalina", responde o psiquiatra Hermano Tavares. Ao seu lado, alguns trabalhos sobre o tema dizem, inclusive, que a sensação de euforia é a mesma de quem usa drogas. "Nós alimentamos a expectativa de que algo grande sempre está por vir", contribui também o nosso entrevistado anônimo, que para os médicos é o jogador patológico.


A ideia de que este vício é um desvio de personalidade, segundo Tavares, "é preconceituosa". Jogar compulsivamente é, sim, um problema. Ou melhor: uma doença mental, assim reconhecida pela Associação de Psiquiatria Americana desde 1994, comum nos impulsivos e geralmente relacionada à ansiedade e à depressão. Caracterizada pela perda do controle e pela persistência mesmo diante dos problemas que decorrem. "O dinheiro evapora como uma gota de óleo na frigideira quente. É inacreditável ver que tudo o que você construiu virou pó", afirma outro jogador, também de identidade preservada.


No bingo, minha segunda parada, ninguém parece se importar com isso. As cinco velhinhas que dividem mesa comigo num estabelecimento ilegal em Santo Amaro acham tudo aquilo "pura diversão". Quando sabem que vou gastar só R$ 20, riem. "Não saio daqui antes de torrar R$ 80, R$ 100", confessa uma delas. O que é plausível. As rodadas não duram nem três minutos e cada cartela custa R$ 2. Numa conta rápida, em meia hora, lá se vão os meus R$ 20. Duas horinhas são o suficiente para atingir a meta da senhora.




"A gente sempre acaba ganhando", tenta se convencer outra, que aproveita a proximidade do trabalho para "passar o tempo". Não consigo entender exatamente como. O ambiente não é de todo claro e, sem janelas, abafado. Completamente lotado, com cerca de 500 pessoas, a maioria idosas, espremidas numa loja comprida, de 100 metros, ao som nauseabundo e frenético de uma locutora cantando números sem parar.


Todos se concentram, cabeça baixa, marcando de canetinha números na cartela num ritmo que deixa qualquer principiante – como eu – perdido. Quando me localizo, alguém grita: "Linha!". Óóóóóó [alguém ganhou o primeiro prêmio]. E, sem que dê tempo para checar a situação: "Bingo!" [alguém completou a cartela e levou a bolada]. E lá vem novo óóóóó, que se repetiria sempre em seguida ao berro do vencedor, como uma surpresa, verdadeira injustiça divina. Mesmo assim, todos insistem em peitar o destino mais uma vez. Vou atrás. Sinto, de novo, a adrenalina e mentalizo: agora vou ganhar. E, cartelas depois, percebo que estou no ritmo de todos, um zumbi alucinante, trancafiado e ainda sob o risco de ser detido.


É tudo muito tenso. Busco engatar uma conversa para aliviar, mas não há tempo, nem nos intervalos. Só lamentos do número que quase saiu, ou, "puxa vida, faltaram dois" e "nossa, essa locutora está dando azar". Saio e penso como isso ocorre a menos de 400 metros de um posto da Polícia Militar.


Fora o prejuízo, quantas histórias ali começam e viram os dramas que conheci nos Jogadores Anônimos? Ouvi gente que queimou carro de estimação no bingo. Um jamais viu a filha de 2 anos e a maioria perdeu bens da família, da empresa ou particulares simplesmente apostando a própria sorte. Lembro da sentença de Tavares: "A única pessoa que está 100% livre do risco de dependência é quem nunca jogou".


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Novo tratamento: correr reduz desejo de jogar


Além dos tratamentos convencionais, com acompanhamento psiquiátrico, psicológico e prescrição de medicamentos em alguns casos, surge agora uma alternativa para diminuir o desejo dos jogadores patológicos pela aposta: a atividade física.


Já se sabia que a prática ajudava a combater a ansiedade e a depressão, principais sintomas ligados à doença, mas ainda não se tinha certeza de que teriam efeito sobre dependentes de jogos de azar.


O primeiro estudo a chegar a essa conclusão foi apresentado em novembro do ano passado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo pela educadora física Daniela Lopes.


Seu trabalho acompanhou 33 pacientes do Ambulatório do Jogo Patológico (Amjo), maiores de 18 anos, voluntários e capazes de seguir o programa de exercícios aeróbicos de 8 semanas.


Após alongamento, o grupo caminhava, trotava ou corria ao ar livre por 50 minutos, no limite de cada um. E o que se verificou, consultando os jogadores antes e depois desse esforço, pedindo que apontassem numa escala de zero a dez seu grau de fissura, sempre foi a redução. A queda se verificou tanto no dia da atividade como no decorrer das semanas – e também para os níveis de ansiedade, depressão e outros fatores relacionados ao comportamento do jogo.


"Os pacientes dão depoimentos de que têm ajudado muito. Um deles, inclusive, hoje é um desses maratonistas amadores", conta Daniela Lopes, também responsável por puxar as corridas. "Os médicos têm começado a incluir a atividade física no tratamento", acrescenta.


Em recuperação: para sempre


A dependência não tem idade para começar. Prova disso é o jogador que deu entrevista. Também sob a condição de anonimato, ele lembrou que com 12 anos "já começava suas estripulias".


Entregador de pão no interior de São Paulo, passou a frequentar bingos em casas de família. Era aí que morria o troco da venda de pães e, também, nasciam as dívidas.


A solução para acabar com o problema foi fugir do padeiro. Deixou de aparecer para o serviço e, claro, a mãe soube. Envergonhada, ela resolveu com "uma surra".


E o que se viu foi um reincidente. "Sempre gostei do jogo", confessa. Ele vivia a ilusão de "que tinha algum controle", ainda que, anos mais tarde, já tivesse virado noites jogando, mentisse para a mulher e não parasse de contrair dívidas: "Detonei tudo o que tinha e mais um pouco".


A ficha só caiu aos 48 anos. "Você só percebe quando está no fundo do poço mesmo. Era muito mais sério do que imaginava", diz. Ainda hoje não tem ideia do que aconteceu para degringolar e perder tudo: "Tinha casa, carro, poupança, investimentos. Não faltava nada".


A virada veio com uma sugestão da mulher. "Ela me disse que eu deveria procurar um psicólogo." As sessões ajudaram, mas foi numa sede dos Jogadores Anônimos que ele achou "incentivo maior, por serem pessoas que estavam passando pelo mesmo problema".


A despeito de sua atitude para tratar a doença e reconhecê-la, as cobranças e contas continuavam a chegar. Ajudou muito a orientação financeira que recebeu do grupo após os 30 primeiros dias, e a segurança para resolver tudo aos poucos, uma coisa de cada vez.


Com "um alicerce bem construído", superou todas as questões pendentes e já faz uma década que não joga. Mesmo assim, não dá trégua: "Para não alimentar o bicho que está dentro de mim, dormindo". A cada dia que vence a batalha, provavelmente, deve ir para cama repetindo o mantra que encerra as reuniões dos Jogadores Anônimos: "Só por hoje".

segunda-feira, 21 de maio de 2012

PAQUERA SEM LIMITES


"CIÊNCIA DA SEDUÇÃO" MOSTRA QUE, NA HORA DA CONQUISTA, HOMENS E MULHERES SÃO MAIS PARECIDOS DO QUE SE IMAGINAVA, MAS CADA UM TEM SUA 'ARMADILHA' SECRETA, ADQUIRIDA AINDA NOS TEMPOS PRÉ-HISTÓRICOS
Há um verdadeiro abismo separando homens e mulheres no que diz respeito ao aspecto físico e ao comportamento intelectual, mas a ciência mostrou que, quando o assunto é o jogo da conquista, ambos têm mais coisas em comum do que se imaginava: tanto um quanto outro fazem uso de jogos para conquistar a pessoa pretendida, e apesar de cada preparar suas armadilhas à sua maneira, os princípios são praticamente os mesmos.

A mulher, de forma geral, lança mão de seus atributos físicos para atrair a presa pretendida.. Por isso, ela sempre se veste de forma sensual, usa perfumes que cativam o olfato masculino, salto alto para dar-lhe  aparência sedutora e atraente. A gesticulação corporal também entra ação, mesmo que de forma inconsciente, na hora da paquera. Movimentos repetitivos, como passar as mãos no cabelo, ajeitar alguma peça da roupa e copiar os movimentos do pretendente são fortes sinais de que a mulher está "jogando".

Os homens utilizam-se de algumas táticas semelhantes às das mulheres, mas, no geral, eles são muito diferentes delas. Em comum com o sexo feminino, ele tem o hábito de preservar a aparência e impressionar pelos sentidos. Para tanto, ele procura aparecer bem-vestido e perfumado.

ELAS ATÉ PODEM ESTAR MAIS "ATIRADAS", MAS O XAVECO CONTINUA SENDO UMA ARMADILHA TÍPICA DO SEXO MASCULINO

Mas é a cantada a principal responsável por colocar um abismo entre os dois sexos: ela é um tipo de arma exclusivamente masculina. O homem também é mais incisivo na hora de manter uma troca de olhares ardentes com sua paquera. Cabe a mulher apenas retribuir ou não, pois ela pouco se utiliza desse gesto. Mesmo em tempos modernos, cabe também aos homens tomar a atitude de aproximação da mulher. Para quem estuda a arte da conquista, essa tática faz com a maioria das mulheres se apaixone, uma vez que sugere que o homem que age assim é presente, e não ausente.

FICA A DICA

Uma dica valiosa dada pelos profissionais da conquista é que homens e mulheres  não devem tentar, a todo o momento e sem nenhum critério, conquistar alguém. "Isso vai se parecer mais com desespero. Espere a oportunidade certa", ensinam. Mas procurar mostrar simpatia, ser educado e ter personalidade são as armas mais infalíveis que existem, garantem. Agora é com você. Boa sorte!

sábado, 19 de maio de 2012

O Vaticano e a máfia

Igreja Católica teria recebido cerca de R$ 1,2 milhão para enterrar o chefe de máfia italiana em basílica, a mesma onde foram sepultados papas e cardeais

O dinheiro parece ser capaz de comprar tudo mesmo. Com o pagamento de 1 bilhão de liras italianas – a antiga moeda do país (cerca de R$ 1,2 milhão) – e o pedido encarecido de uma viúva, o enterro de um famoso chefão da máfia teria sido autorizado pela Igreja Católica, no interior de uma basílica do Vaticano, reservada a papas e cardeais. A informação, que chocou o país europeu, é da "Ansa", agência de notícias da Itália. Sua principal fonte é um funcionário do Vaticano.

Sob a garantia de anonimato, ele disse que há 22 anos, "apesar de inicialmente relutar", o cardeal Ugo Poletti (1914-1997), à época vigário-geral de Roma, "face ao montante conspícuo, deu sua bênção" para o enterro incomum de Enrico De Pedis, chefe do grupo mafioso Banda de Magliana, assassinado por comparsas em 1990.

Para justificar a atitude, especula-se que o dinheiro do mafioso teria sido utilizado "para fins nobres", como a restauração completa da Basílica de São Apolinário, além de bancar diversas missões católicas. O escândalo pode ser mais nefasto do que aparenta. O procurador Giancarlo Capaldo acredita que altos funcionários do Vaticano sabem muito mais do que o sepultamento de um simples mafioso. De alguma forma, eles estariam envolvidos com a Magliana – inclusive no episódio do desaparecimento em 1983 de Emanuela Orlandi, que tinha 15 anos. O pai da garota teria provas que ligam o Banco do Vaticano, o Istituto per le Opere di Religione, ao crime organizado. O sumiço seria, na verdade, um sequestro para forçá-lo a se calar. De Pedis, que teria organizado tudo, morreu, antes que pudesse depor sobre o caso. "Há pessoas que estão vivas dentro do Vaticano, e sabem a verdade", diz Capaldo.

Outra teoria sugere que os restos de Emanuela estariam junto ao corpo de De Pedis, como forma de ocultar as provas do crime. O Vaticano nega. Para encerrar as suspeitas, se dispôs a abrir a cripta especial do mafioso diante da polícia. E negocia a transferência do corpo para local mais adequado. "Parece que nada foi escondido e não há segredos do Vaticano a serem revelados", declarou Federico Lombardin, porta-voz do Vaticano.

Família: o berço de tudo

Família: o berço de tudo

Pais e filhos juntos ainda formam a base da sociedade moderna. É importante criar rotinas que promovam o convívio e fortaleçam os laços dessa união, para enfrentar as dificuldades da vida
Para o Código Civil, a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família, é reconhecida como entidade familiar. Mas, muito além do que está previsto juridicamente, a família é realmente a base de tudo e seu fortalecimento impulsiona o crescimento pessoal e, consequentemente, do País. É o que revela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo 2010.


"O papel da família na reprodução da sociedade é muito significativo. É na família que a renda é reunida para organizar um orçamento comum que satisfaça as necessidades de cada membro. A renda adquirida pela família é, basicamente, o que define suas possibilidades de aquisição de bens e serviços. Nessa medida, a renda familiar per capita é um indicador bastante eficaz para caracterizar o perfil socioeconômico das famílias brasileiras", diz o IBGE.


Diante dessa linha de interpretação, no que depender da expectativa das famílias, o crescimento do Brasil está indo bem. O otimismo das famílias brasileiras com a situação atual da economia do País atingiu no início de 2012 o maior patamar em 18 meses, segundo o IEF (Índice de Expectativa das Famílias) do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Essa expectativa é feita em cima de itens como a situação econômica do Brasil, a condição financeira para o futuro e a segurança no mercado de trabalho.


Um levantamento mais recente feito pelo Datafolha sobre o tema mostra que o percentual dos brasileiros que dizem que a família é muito importante em suas vidas subiu de 61% para 69%, passando a ocupar o primeiro lugar num ranking que inclui, entre outros itens, estudo, trabalho e dinheiro. Manter um relacionamento próximo com os pais, por exemplo, é considerado muito importante para 78% dos entrevistados, sendo que 20% acham essa proximidade importante. Ou seja, 98% dos brasileiros primam pela preservação das famílias.


Para preservar a união das famílias, algumas dicas simples são bem úteis. Estudos feitos pelo Centro Nacional de Dependência e Abuso de Substâncias da Universidade de Columbia, nos EUA, mostram que crianças em famílias que comem reunidas pelo menos três vezes por semana têm um risco mais baixo de abuso de álcool e substâncias ilícitas e têm mais chances de tirar melhores notas na escola. Especialistas dizem que criar um ritual de refeição familiar é um jeito de trazer estrutura para a vida de uma criança e pode ajudar a desenvolver um senso de tranquilidade e segurança. Além disso, segundo o estudo, é o melhor jeito de cristalizar uma alimentação saudável desde a infância.


A aproximação entre os entes também beneficia a educação dos filhos, formando um círculo virtuoso. "Eu já conversei com muitos professores e está na cara que os melhores alunos são sempre aqueles que são acompanhados de perto pelos pais, que a mãe verifica se fez lição e até ajuda, se necessário. Quando isso acontece o aluno vai melhor na escola. Mas o tipo de acompanhamento não é só a cobrança por nota. Tem que conversar no dia a dia, ver se fez a lição e estabelecer alguma rotina na hora da lição. Não faz mal se não há lição: ele pode aproveitar e ler. Se for obedecido todo dia, vira hábito e nem vai mais precisar cobrar", indica o doutor em educação e palestrante da Educar Educador 2012, Marcos Meier, fazendo ainda um alerta para quando ocorrer a separação dos pais.




"Quando os pais se separam, a criança passa por período de readaptação e mostra sua revolta contra a separação ou que sente culpa. A orientação é que se converse e explique que não é culpada. Pode ocorrer de cair a nota na escola e ela ficar mais irritável por até 6 meses. Por isso, quando isso acontece, os pais têm de explicar, para a escola dar uma atenção."


Mais do que a queda de rendimento de uma criança na escola, o reflexo da separação ou da perda de um líder numa família pode ser devastador. O limpador de vidros Thiago dos Santos, de 25 anos, quase se perdeu no caminho das drogas. Depois de perder o pai e dois irmãos para o vício, o jovem passou 8 anos usando maconha e cocaína, mas foi salvo pelas irmãs e pela mãe, a cozinheira Marineide Maria dos Santos, que hoje tem orgulho do filho, trabalhador e livre do vício há 5 meses.


"Depois que perdi meu marido e enteados, conversamos e deixei claro: seríamos os quatro lutando como se fossemos um só. Deu certo. Sofri muito, até deixei que ele fumasse maconha em casa para que ficasse perto de mim. Foi duro, mas valeu. Aprendi que nunca podemos desistir dos filhos: eles são dádivas em nossas vidas. Hoje ele só me dá alegria", diz, emocionada, dona Marineide.


A distância da família também deixou vulnerável o então adolescente Laércio Gonçalves de Jesus Júnior. Quem vê o hoje auxiliar de máquinas de 20 anos trabalhando duro, não imagina que há 3 anos ele era um adolescente que vivia fumando maconha e cheirando lança-perfume. A união da família também salvou Bruno Castellon. Aos 22 anos, hoje ele é pai e trabalha num hotel na Avenida Paulista, numa reviravolta inimaginável para muitos, mas não para os seus pais. "A família é muito importante. Unidos, enfrentamos as dificuldades e com diálogo nos ajudamos", diz Andreia Castellon, de 41 anos, lembrando o período em que via Bruno roubar pertences da família e se sentia humilhada ao ouvir os vizinhos chamá-lo de "noia". Andreia conta cheia de orgulho que, ao lado do marido, o médico Mário Castellon, ganhou a batalha para livrar Bruno do vício.




Convívio com avós também é essencial


A palavra "família" de imediato nos remete a pai, mãe e filhos. Esquecemos que, além deste núcleo principal, há a família anterior a esta, iniciada pelos avós. O convívio com eles, segundo pesquisa da Universidade de Concordia, do Canadá, é essencial para manter a família unida.


O ideal, explica o estudo, é que se criem oportunidades para o estreitamento de laços. E, para isso, mais do que grandes almoços em família, por exemplo, é importante a realização de atividades em conjunto. De trabalhos manuais, como jardinagem, a lúdicos, como jogar baralho.


Nestes momentos os mais velhos dividem histórias de família, lições de vida e experiências pessoais. "Passam adiante valores de família, tradições e enfatizam a importância da união", explica o autor do estudo, Shannon Hebblethwaite.


Do outro lado, os mais novos ensinam o que há de mais atual no mundo. "Alguns avós aprenderam a usar o e-mail e outras formas de se conectar ao mundo com os netos", acrescenta. "Dividir o conhecimento nessas horas é o que permite o fortalecimento do elo."

BONITA, COM DIPLOMA E SEM MARIDO


MUDANÇA DE META: NOVA GERAÇÃO DE MULHERES ASSUME DEIXAR FAMÍLIA, FILHOS E CASAMENTO PARA DEPOIS; OBJETIVO DELAS AGORA É OUTRO, O SUCESSO PROFISSIONAL


MAS ISSO TEM UM PREÇO, ALERTAM OS ESTUDIOSOS: "ELAS CORREM O RISCO DA FRUSTRAÇÃO, POR NÃO TEREM COM QUEM DIVIDIR AS CONQUISTAS ALCANÇADAS AO LONGO DA VIDA"

No Brasil, 52% dos homens sacrificam boa parte do tempo com a família para se dedicarem ao trabalho. Entre as mulheres, apenas 48% abrem mão da casa para dar exclusividade à vida profissional. Do mesmo modo, 47% dos homens têm como objetivo máximo de vida atingir o topo mais alto da carreira. Já entre as mulheres esse número cai para 33%. Os números foram divulgados recentemente pelo Ibope Mídia, responsável pela pesquisa.

Como mostram os dados do estudo, atingir o êxito profissional ainda é uma característica típica do comportamento masculino. Mesmo assim, cresce dia a dia o número de mulheres que conquistam altos cargos dentro de grandes empresas, que chefiam importantes instituições públicas e privadas e que, contrariando aos velhos costumes, dirigem grandes equipes predominantemente masculinas.

Em decorrência desse novo comportamento social, nos últimos 30 anos a taxa de casamentos formais caiu de 41,48% para 34,49% entre as mulheres, com redução de nove pontos percentuais de casamentos religiosos. Assim como no mercado de trabalho e na previdência, tem havido também movimentos em direção à informalidade conjugal.

Segundo os antropólogos, esse fenômeno se deve principalmente ao novo papel desempenhado pelas mulheres na sociedade moderna: elas renegaram o papel de esposa e mantenedora do lar para dar prioridade à profissão. Hoje, a mulher dos grandes centros urbanos não vê o casamento antes do 30 como algo atrativo, pois ela acredita que a vida a dois irá prejudicar o desempenho na profissão. “Mas tudo tem um preço”, alertam os estudiosos. Eles explicam que o êxito profissional pode levar quase uma vida inteira para acontecer, e, se a mulher não estiver atenta, poderá sofrer com a angústia de não ter com quem dividir tudo aquilo que ela conseguiu ao longo da vida.

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