terça-feira, 28 de setembro de 2010

Criminosos e drogados


A entrada de jovens brasileiros para o mundo do crime vem ocorrendo cada vez mais cedo, e por isso o assunto tem sido motivo de preocupação e debate dentro da ONU, além de servir como matéria de capa para diversas publicações estrangeiras. Um estudo realizado por economistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que as grandes crises econômicas têm atuado diretamente para a crescente participação infanto-juvenil na criminalidade. O ingresso maciço de menores em atividades criminosas, por causa de quedas do salário real ou piora na distribuição de renda, explica quase todo o aumento dos homicídios nos Estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais desde os anos 80 até os dias atuais, conclui o estudo. “Durante os períodos de acentuada crise, é comum a taxa estadual de homicídios por 100 mil habitantes saltar mais de 200% em algumas áreas do País”, registra a pesquisa. Ao entrarem no crime, os adolescentes praticamente selam o seu destino: a grande maioria acaba sendo assassinada antes dos 30 anos. Outro dado dramático revelado pelo estudo é o fato de que os que sobrevivem quase nunca retornam à vida de estudo e trabalho honesto, mesmo quando a economia se recupera. Ainda em suas páginas, o relatório explica de forma amarga a queda do número de homicídios entre jovens e a consequente diminuição da criminalidade (ainda insatisfatória) verificadas nas principais capitais brasileiras nos últimos dez anos. “Essas ondas de violência vão caindo lentamente à medida que os jovens criminosos vão se matando uns aos outros. Portanto, a aparente queda da criminalidade entre esse grupo, na verdade, é o resultado do crescimento da violência ”. Segundo a Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, cerca de 70% dos menores que conseguem sobreviver a esse cenário acabam se tornando reincidentes, ou seja, voltam a cometer, com a mesma frequência, outros crimes depois de cumprir pena, provando que o sistema tutelar que os assistiram não foram capazes de cumprir o verdadeiro objetivo para o qual foram criados.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Separados pelo trabalho


No Brasil, 52% dos homens sacrificam boa parte do tempo com a família para se dedicarem ao trabalho. Entre as mulheres, apenas 48% abrem mão da casa para dar exclusividade à vida profissional. Do mesmo modo, 47% dos homens têm como objetivo máximo de vida atingir o topo mais alto da carreira. Já entre as mulheres esse número cai para 33%. Os números foram divulgados recentemente pelo Ibope Mídia, responsável pela pesquisa. Como mostram os dados do estudo, atingir o êxito profissional ainda é uma característica típica do comportamento masculino. Mesmo assim, cresce dia a dia o número de mulheres que conquistam altos cargos dentro de grandes empresas, que chefiam importantes instituições públicas e privadas e que, contrariando aos velhos costumes, dirigem grandes equipes predominantemente masculinas. Em decorrência desse novo comportamento social, nos últimos 30 anos a taxa de casamentos formais caiu de 41,48% para 34,49% entre as mulheres, com redução de nove pontos percentuais de casamentos religiosos. Assim como no mercado de trabalho e na previdência, tem havido também movimentos em direção à informalidade conjugal. Segundo os antropólogos, esse fenômeno se deve principalmente ao novo papel desempenhado pelas mulheres na sociedade moderna: elas renegaram o papel de esposa e mantenedora do lar para dar prioridade à profissão. Hoje, a mulher dos grandes centros urbanos não vê o casamento antes do 30 como algo atrativo, pois ela acredita que a vida a dois irá prejudicar o desempenho na profissão. “Mas tudo tem um preço”, alertam os estudiosos. Eles explicam que o êxito profissional pode levar quase uma vida inteira para acontecer, e, se a mulher não estiver atenta, poderá sofrer com a angústia de não ter com quem dividir tudo aquilo que ela conseguiu ao longo da vida.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dinheiro da discórdia


Histórias de gente que mata e manda matar por dinheiro, apesar de revelarem um lado negro da espécie humana e serem corriqueiras, ainda chocam. Mesmo assim, nada sem compara ao caso de E. F. C., de 22 anos, que matou o irmão de sangue E.C, de 24, no pátio da casa da irmã, em Roraima. O motivo não poderia ser mais banal: alguns sacos de cimento. O jovem cobrou dinheiro do irmão, que vendeu o material que pertencia à mãe. Insatisfeito com a cobrança, E.F.C correu para cima do irmão e, com uma faca, o assassinou com golpes certeiros no coração. Em depoimento, ele disse que não estava arrependido do que fez, já que “estava com a razão”. E ainda se justificou: “Só fiz justiça”, disse. Outro crime envolvendo disputa financeira e que chocou o País inteiro ocorreu no interior de São Paulo, na cidade de Caçapava. Seu Harada, de 64 anos, foi executado em sua própria casa, localizada na Vila Antônio Augusto. O crime teria sido motivado por vingança dos próprios filhos. A família era tradicional e tinha comércio no Mercado Municipal. Segundo a polícia local, o assassinato do aposentado teria sido planejado pela própria filha, Ângela Yuri, com ajuda do irmão e conivência da mãe. A família pagou R$ 36 mil para os "matadores" executarem a vítima e simularem latrocínio (roubo seguido de morte). Tudo para herdarem o comércio e algumas poucas economias de Seu Harada. No mês passado, D.A.F provocou um incêndio na residência onde mora, em Natal, capital do Rio Grande do Norte, porque um de seus irmãos não quis vender o imóvel, que seria herança de família. Revoltado com a situação, D.A.F, que é alcoólatra, ateou fogo na casa, mesmo sabendo que o irmão, três irmãs e sua mãe estavam lá dentro. No Brasil, segundo o Banco Central, existem cerca de 80 milhões de endividados Cada um deles tem, no mínimo, três débitos diferentes: carro, casa e empréstimo. Para os especialistas, esse cenário não justifica os conflitos e mortes por herança, mas também não deixa de ser uma espécie de gatilho acionador da violência para aqueles que têm propensão ao crime.

Postagem em destaque

MACACO LADRÃO PM 1