O programa “Crack, É Possível Vencer”, do governo federal, enviou armas de choque elétrico para o combate ao consumo e à venda de drogas no Rio de Janeiro. O Estado deve receber um investimento de R$ 240 milhões até 2104 para solucionar o problema. A medida ainda não foi colocada em prática, mas policiais já começaram a ser treinados para o uso do revólver capaz de imobilizar uma pessoa por 5 segundos com apenas um disparo. A promessa é que o armamento não será usado para abordar usuários diretamente, o que deverá ser feito por assistentes sociais e agentes de saúde, enquanto policiais acompanharão a distância a abordagem aos usuários que vivem nas cracolândias da cidade.
“Isso soa como absurdo. Eu nunca preconizaria esse uso dentro do esquema de abordagem de dependente químico. Não sei da cabeça de quem saiu essa orientação. As pessoas que usam a droga estão desorientadas, sofridas e não representam ameaça para agente social ou de saúde, que na verdade cria um vínculo com elas”, opinou o coordenador paulista de políticas sobre drogas, Laco, que no entanto não descartou ações da polícia nas cracolândias: “Tem ação da polícia para desmobilizar o tráfico e a polícia no pedaço faz com que indivíduos se sintam incomodados. No grupo tem condenado respondendo a processo ou condenado na rua, tem de tudo ali e quando a polícia aparece de maneira ostensiva, há dispersão natural e traficante se mistura disfarçado em meio a usuário também”, ponderou Laco, justificando a presença da polícia no local. Uma presença que normalmente é condenada por psiquiatras e agentes acostumados a abordar viciados, independentemente do poder legal que policiais têm, previsto em lei, para interferir em uma internação involuntária.
“Internação é ato médico e só quem pode internar é médico. Nem juiz pode internar um adulto, enquanto os menores podem ser acolhidos por determinação do juiz de menor na ausência do familiar”, comentou o psiquiatra Jorge Jaber. (Leia mais em "Como tirá-los do vício?")
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