domingo, 3 de fevereiro de 2013

Raiva uma tipo de emoção forte, que gera vingança e mata.

Cresce no País o número de assassinatos por impulso e motivo fútil. Ódio, rancor e mágoa são algumas características desses crimes





























Matar por motivo fútil tem sido cada vez mais recorrente no País. Casos recentes chamam a atenção pela violência que tira vidas de forma banal. “Descontrole de impulso, manifestação de ódio, rancor, mágoa e orgulho são, geralmente, as características envolvidas nesses crimes”, explica o psiquiatra Hélio Lauar, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).


Pouco antes da virada do ano, no Guarujá, litoral paulista, o estudante Mario dos Santos Sampaio, de 22 anos, morreu após uma briga iniciada por uma diferença de R$ 7 na conta do restaurante. Segundo o boletim de ocorrência, o rapaz e seus amigos jantaram no local esperando pagar o valor de R$ 12,99, como anunciava a placa, mas receberam cada um a cobrança de R$ 19,99. 



Durante a discussão sobre o valor a ser pago, Sampaio recebeu um tapa no rosto de Diego Passos, o gerente do restaurante. A polícia foi chamada e formou-se uma confusão com outros funcionários, que começaram a agredir o rapaz. O dono do estabelecimento, José Adão, entrou em ação e matou o estudante a golpes de faca.


Levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) mostra que episódios como o ocorrido no Guarujá não são raros. Entre 2011 e 2012, assassinatos por impulso e motivo fútil representaram entre 25% e 80% do total, variando entre os 15 Estados consultados. Em São Paulo, de janeiro de 2011 a setembro de 2012, chegaram a 83% os registros desse tipo.


“Em vez de pensar e planejar uma ação que possa dar à pessoa uma maneira de se safar daquela situação, a pessoa parte para a ação de uma vez. No lugar de um processamento cognitivo para avaliar a melhor intervenção para aquela situação, tem uma ação hostil”, observa o psiquiatra Lauar.


Com o orgulho ferido, humilhado, como alegou em depoimento à polícia de Planaltina, perto de Brasília (DF), Paulo Henrique Miranda de Melo matou Josafá Pereira da Silva, de 46 anos, no dia 15 de janeiro. Um dia antes, ele havia almoçado no restaurante da vítima e tinha sido avisado de que poderia comer à vontade por R$ 7,99, mas não era permitido deixar sobras no prato. Como houve desperdício de comida, o cliente foi advertido. No dia seguinte, voltou ao local com um revólver calibre 38, fuzilou Silva e fugiu. Foi preso uma semana depois. Em Guará 2, próximo ao DF, um cliente insatisfeito com o atraso no conserto de seu carro matou com dois tiros o mecânico que consertava o veículo.


Em outubro de 2012, Caroline Silva Lee, de 15 anos, morreu durante um assalto na capital paulista ao se recusar a entregar a bolsa para um trio de assaltantes. “A impunidade é uma das razões dessa violência, associada à cultura onde a vida humana não tem valor, muito forte no nosso País, e à desigualdade social”, avalia Antonio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz. “As pessoas, em geral, se sentem frustradas com sua existência. Então, diante da mínima ofensa, reagem da forma mais cruel possível.”






Pense antes de fazer, propõe campanha


Existe, desde novembro do ano passado, uma campanha para combater os crimes banais: “Conte até 10”, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em parceria com a Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp).


Com vídeos que têm a participação dos lutadores de MMA (artes marciais mistas) Anderson Silva e Junior Cigano, e dos judocas Sarah Menezes e Leandro Guilheiro, a ação tenta “romper o ciclo de violência”, como explica Taís Ferraz, conselheira do CNMP e coordenadora da campanha.
Mostrar às pessoas a importância de “pensar antes de fazer é o que qualquer psiquiatra receitaria”, aprova Hélio Lauar, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).


Este ano, o “Conte até 10” passará por escolas, estádios de futebol e para o carnaval apresentará novos vídeos e jingles. “As pessoas precisam voltar a se indignar, o que está acontecendo não pode ser considerado normal”, pede Taís.

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