Naquela noite, fui amamentar minha princesa, meus pais foram para casa, o Léo havia passado de manhã para nos ver. Eu estava sozinha, era quase madrugada, estava muito cansada. Percebi que sua pele continuava roxeada, seus lábios e dedinhos também.
Peguei minha filha no colo e calmamente a amamentei; esperei o tempo certo para que ela não se engasgasse, ela não tinha muito ar na respiração. Fiz tudo com tanto, tanto amor...
Eu acariciava seu rostinho lindo, segurava em suas mãozinhas tão pequenas, tão lindas, seu pezinho era muito fofo, tinha uma boca carnuda linda, eu tinha vontade de beijá-la o tempo todo...
Minha pequena Julia morreu em meus braços. Parecia que ela sabia: minutos antes ficou me olhando, dava a impressão de que estava se despedindo de mim.
Não consegui chamar a enfermeira, não tive reação, apenas chorei. Chorei tanto que dava para ouvir meus gemidos da sala ao lado. A enfermeira veio correndo, já era tarde.
Tentaram tirar a menina dos meus braços, mas foi em vão, eu não a deixava...
Chamaram minha mãe e meu pai, o Léo também veio logo.
Esperei o hospital fazer todo o procedimento, minha mãe trouxe um vestidinho vermelho, com flores, uma tiara de fitas. Arrumei minha filha pela última vez. Minha avó tinha dado uma colônia para ela, então passei em minha filha, queria que ficasse bem perfumada.
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