Ainda sem cura, maior causa de cegueira no País será tratada com remédio liberado por lente de contato que está em fase de pesquisa
"Concluímos a fase de bancada da pesquisa com sucesso. Usamos um princípio ativo que diminui a pressão do olho em um dispositivo de liberação controlada. A forma da lente ainda será desenvolvida até chegarmos ao modelo mais confortável para o paciente, mas trabalhamos com silicone como matriz no dispositivo que estamos usando", explicou José Roberto Rugero, coordenador da pesquisa realizada durante 3 anos no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), com ajuda de profissionais da Unifesp e apoio do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da empresa Ophthalmos.
Agora, a pesquisa será testada, o que exige um financiamento em torno de R$ 1 milhão, segundo Rugero. A previsão é de que sejam necessários mais 2 anos de estudo até o produto chegar ao mercado. "Iria facilitar muito a adesão ao tratamento", acredita o presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Aderbal Alves Jr. "Como o glaucoma é comum em idosos, há problema de esquecimento de um tratamento que tem de ser diário e durante a vida toda."
De acordo com Mello, a fidelidade ao tratamento é a grande vantagem de usar um dispositivo que libera a droga na concentração adequada, diferentemente do colírio. Segundo ele, o glaucoma se dá pelo aumento da pressão no nervo ótico, o que pode ser detectado em exames oftalmológicos. A doença, afirma ele, apesar de não ter sintomas em 80% dos casos, é mais comum começar a se manifestar em quem tem mais de 40 anos, em negros, pacientes com mais de 6 graus de miopia e ainda por herança genética.
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