Igreja Católica teria recebido cerca de R$ 1,2 milhão para
enterrar o chefe de máfia italiana em basílica, a mesma onde foram
sepultados papas e cardeais
Sob a garantia
de anonimato, ele disse que há 22 anos, "apesar de inicialmente
relutar", o cardeal Ugo Poletti (1914-1997), à época vigário-geral de
Roma, "face ao montante conspícuo, deu sua bênção" para o enterro
incomum de Enrico De Pedis, chefe do grupo mafioso Banda de Magliana,
assassinado por comparsas em 1990.
Para
justificar a atitude, especula-se que o dinheiro do mafioso teria sido
utilizado "para fins nobres", como a restauração completa da Basílica de
São Apolinário, além de bancar diversas missões católicas. O escândalo
pode ser mais nefasto do que aparenta. O procurador Giancarlo Capaldo
acredita que altos funcionários do Vaticano sabem muito mais do que o
sepultamento de um simples mafioso. De alguma forma, eles estariam
envolvidos com a Magliana – inclusive no episódio do desaparecimento em
1983 de Emanuela Orlandi, que tinha 15 anos. O pai da garota teria
provas que ligam o Banco do Vaticano, o Istituto per le Opere di
Religione, ao crime organizado. O sumiço seria, na verdade, um sequestro
para forçá-lo a se calar. De Pedis, que teria organizado tudo, morreu,
antes que pudesse depor sobre o caso. "Há pessoas que estão vivas dentro
do Vaticano, e sabem a verdade", diz Capaldo.
Outra teoria
sugere que os restos de Emanuela estariam junto ao corpo de De Pedis,
como forma de ocultar as provas do crime. O Vaticano nega. Para encerrar
as suspeitas, se dispôs a abrir a cripta especial do mafioso diante da
polícia. E negocia a transferência do corpo para local mais adequado.
"Parece que nada foi escondido e não há segredos do Vaticano a serem
revelados", declarou Federico Lombardin, porta-voz do Vaticano.
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