terça-feira, 2 de agosto de 2011

IURD Força Jovem (Workshop sobre teatro no Rio de Janeiro)


Rio de Janeiro (RJ) – O projeto Cultura do Força Jovem do Rio de Janeiro promoveu um workshop de teatro no Cenáculo do Espírito Santo em Del Castilho. O evento, aberto ao público, contou com aulas teóricas e práticas de dramatização. Os alunos aprenderam técnicas de relaxamento, respiração, improviso e expressão corporal. Para os organizadores, a intenção do evento foi trazer a arte para perto dos jovens, apresentando-lhes novas opções de entretenimento e diversão.

Trocadas pelas mais jovens

O que fazer diante desta situação?


Quando a mulher é trocada por outra mais magra, pode fazer dieta, morrer de fome e emagrecer. Se é por uma mais bonita, ela muda seu rosto inteirinho. Quando a outra é mais rica, há possibilidade de ter a vida inteira pela frente para fazer fortuna. E quando se é trocada por uma mulher mais jovem? Como lidar com a situação de troca?


De acordo com o IBGE, os números de divórcios no País tiveram um aumento de 200% desde 1984, quando o instituto começou a estudar estes casos. A última avaliação foi divulgada em 2007. Os motivos que fazem com que um casal se separe são diferenciados. Entre os principais fatores estão: ciúmes, incompatibilidades de opiniões, abuso do álcool, agressões físicas e traição, em especial a troca de mulheres mais velhas por mais novas. Acarretando para a pessoa traída destruição da autoestima e profunda depressão e isto pelo fato de saberem que a juventude é algo impossível de se recuperar.


Segundo a terapeuta Sônia Vieira Coelho, especialista em terapia familiar, de casal e individual, a questão é bem mais abrangente e envolve vários fatores: “Entre eles, destaco a beleza física, mais energia no relacionamento sexual e o assédio bem presente das mulheres. Muitos homens acham que estando com mulheres mais jovens se sentirão mais rejuvenescidos, é uma espécie de autoafirmação”, explica.


Leia mais: Bispo Macedo diz que é preciso ter cautela ao tratar da vida sentimental


“Ela era 10 anos mais nova”


A dona de casa Maria José de Oliveira Lapa, de 64 anos, considerava o seu casamento de 30 anos estabilizado, mas, viu o seu “castelo de areia”, a sua convicção de casamento perfeito, cair por terra quando foi trocada por uma mulher 10 anos mais nova que ela.


“Meu marido foi vítima da sedução. Minha vizinha ficava se mostrando para ele, quando ia se bronzear no sol, bem nos fundos da minha casa. Ele me traiu, me trocou por ela, que é mais jovem que eu”, lembra.


A primeira decisão tomada por Maria José foi a separação, decidiu procurar um advogado para fazer o divórcio. “Mas as consequências precisam ser analisadas, segundo a Palavra de Deus. Por isso fiz as correntes na Igreja Universal em favor da reconstrução do meu relacionamento”, afirma.


Na IURD, Maria José descobriu o segredo para restaurar o casamento: “Sabia que não poderia competir com nenhuma mulher em relação à juventude. Não existem fórmulas para reconquistar a juventude. Meu segredo foi ter um encontro real e verdadeiro com Jesus. Hoje tenho 44 anos de casamento feliz”, conclui.


Terapia do Amor


A Terapia do Amor é uma reunião realizada aos sábados, em todos as sedes estaduais e regionais dos cenáculos do Espírito Santo. Nos encontros, as pessoas recebem orientações de como proceder para que possam obter sucesso nesta área em que há tanto sofrimento. As reuniões acontecem em vários horários, especialmente às 19h.

IURD Bispo Macedo (O ser humano vive pela fé.)


A vida do ser humano depende da fé, todo mundo depende da fé, mesmo a pessoa mais incrédula. O profissional de saúde, o médico, por exemplo, precisa da fé para que possa exercer a sua profissão. Ele tem que crer, acreditar nos livros técnicos, científicos, ou seja, tem que acreditar naquilo que está escrito para poder atender seus pacientes.


Assim é com o advogado, que precisa acreditar nas leis, na constituição. No caso, a Constituição brasileira, para que possa defender o seu cliente. Por isso afirmo: todos precisam de fé. O piloto de avião precisa de certeza, de fé, de confiar nos seus conhecimentos para conduzir o avião. Agora, imagine um ser humano viver sem fé? É impossível!


Nos dias atuais, é cada vez mais comum pessoas com transtorno do pânico; é o conhecido medo do medo, medo de sair de casa, de andar de automóvel. Por quê? Porque falta fé, só isso! A falta de fé deixa as pessoas debilitadas, doentes, enfermas, oprimidas.


Muitos, por não dar a atenção devida a essa fé, ficam reféns do medo, do desespero, das dúvidas, das ansiedades. Ora, por isso Deus falou: “O meu justo viverá pela fé.” (Hebreus 10.38)


Caro leitor, ponha a sua cabeça para funcionar, pense, raciocine; você não precisa ter uma grande fé porque é um ser inteligente. Preste atenção: o ontem não existe, o amanhã tampouco existe; o que existe é o agora.


Então, preocupe-se com os problemas de agora, deixe o amanhã para depois, e esqueça o ontem, porque ele não vai voltar atrás. Se você plantar o que é bom hoje, certamente vai colher no futuro; se plantar o que é ruim, irá colher isso amanhã; não tenha dúvida!


O seu futuro depende do que for semeado neste momento. Portanto, nós temos que semear a Palavra de Deus, a certeza de que Ele é conosco. Ele é com você agora, tanto quanto é comigo.


Como Deus vai corresponder à nossa ansiedade se nós não concordamos com Ele? Você diz assim: “Ah, bispo, eu gostaria de ter a sua fé!” Talvez a sua fé seja maior do que a minha; o problema é que você não se associa com Ele. O seu pensamento, a sua mente, o seu coração não estão ligados nEle. Por conta disso, fica difícil controlar as dúvidas no seu coração.


Nós somos radicalmente contra qualquer tipo de religião, porque as religiões levam as pessoas a uma fé emotiva: “Ah, eu estou sentindo isso...” Eu não estou sentindo nada! A fé é certeza, convicção. Se Deus é comigo, então eu sou com Ele! Se eu sou com Ele e Ele comigo, então eu vou arrebentar!


Deus abençoe a todos.

IURD Templo de Salomão (A todo vapor)

Obras do Templo de Salomão seguem à risca cronograma e devem ser concluídas até 2014

Ivonete Soares

ivonete.soares@folhauniversal.com.br


Desde o lançamento da pedra fundamental, que marcou o início das obras da réplica do Templo de Salomão, em agosto do ano passado, em São Paulo, a movimentação no local é grande. Depois da primeira fase – quando ocorreram as instalações do tapume, as demolições, as escavações e as contenções –, os demais estágios da obra até a conclusão (prevista para maio de 2014), serão cumpridos rigorosamente seguindo o cronograma estabelecido no projeto, afirma o engenheiro civil, Edimar Pereira da Silva, gestor do projeto.


Todos os passos do enorme empreendimento, que terá mais de 70 mil metros quadrados de área construída, podem ser acompanhados através do site www.otemplodesalomao.com, criado especialmente para informar aos interessados o andamento da obra, as novidades e tudo o que acontece por trás dos imensos tapumes montados ao redor dela, cujas imagens expostas embelezaram o imenso quarteirão de 28 mil metros quadrados, localizado no bairro do Brás, na zona leste de São Paulo. A grandiosidade do projeto do Templo de Salomão foi notícia em vários jornais e sites internacionais.


Segundo comerciantes e moradores da região, a expectativa pelo término da obra é grande, pois, eles acreditam que os imóveis serão valorizados e o comércio nas adjacências ganhará ainda mais força.


Mas não é só a valorização dos imóveis e a beleza do bairro que contam numa obra grandiosa como esta. De acordo com a equipe de engenharia, centenas de empregos foram gerados. “Na obra, temos o pessoal em campo, além do apoio administrativo, que gira em torno de 250 pessoas, podendo chegar a mais de mil profissionais. Indiretamente, contamos com mais de uma centena deles envolvidos na produção do concreto, na fabricação dos pré-moldados, entre outros. A Igreja Universal dispõe de uma equipe de engenharia capacitada e multidisciplinar com aproximadamente 250 profissionais, dos quais 20 deles trabalham de forma exclusiva para apoiar e fiscalizar a execução dos serviços contratados”, explica.



Para o engenheiro civil e coordenador de obras e estruturas, Vitor Angelo Stefaneli, o principal desafio deste empreendimento está associado ao aquecimento atual do mercado da construção civil, que vem acarretando dificuldades no processo de aquisição de materiais e equipamentos, além de atrasos na entrega de diversas obras no País. “Para lidar com estas dificuldades, a construtora tem a estratégia de antecipar a compra dos itens críticos para, desta forma, minimizar o risco de haver falhas de suprimento na obra”, diz. Para conhecer o projeto, acompanhar a obra e fazer doações acesse http://doacao.arcauniversal.com


Vítimas dentro de casa

Casos recentes nos Estados Unidos e no Brasil escancaram a dura realidade de crianças que são brutalmente agredidas por quem deveria zelar por elas

Talita Boros

talita.boros@folhauniversal.com.br

Elas são chocantes e entristecedoras, mas mesmo assim não param de aparecer nos noticiários. Cenas e casos cruéis de pais, mães e babás que espancam crianças que deveriam proteger são recorrentes no Brasil e no mundo. Além da dor física, a violência doméstica compromete o desenvolvimento pessoal e traz consequências psicológicas graves às crianças e adolescentes. Segundo alguns especialistas, as vítimas podem até se tornar adultos agressivos.


Na semana passada, autoridades do estado de Indiana, nos Estados Unidos, divulgaram cartas do menino Christian Choate, de 13 anos – encontrado morto no mês passado –, em que ele descreve o abuso que sofreu dentro de casa e como vivia trancado em uma jaula de cachorro. Christian teria morrido em 2009, após ter sido espancado e ter sofrido uma fratura no crânio, segundo a autópsia. Seu corpo foi encontrado coberto de cimento em uma cova rasa, depois que a polícia recebeu uma denúncia. O pai e a madrasta de Christian foram acusados de uma série de crimes relacionados à morte do menino.


De acordo com levantamento do Laboratório de Estudos da Criança da Universidade de São Paulo (Lacri/USP) mais de 49 mil casos de violência física contra crianças foram notificados às autoridades no Brasil entre 1996 e 2007. “Estudos recentes apontam que cerca de 63% das crianças que vivem nas ruas fugiram de casa porque eram vítimas da violência praticada pelos próprios pais”, aponta o neuropediatra Saul Cypel, consultor da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, que trabalha para a disseminação de conhecimento sobre o desenvolvimento infantil. Segundo ele, a criança que sofreu violência não se estrutura para enfrentar os desafios do dia a dia. “Ela começa a reagir de forma impulsiva e tem mais chance de se tornar um adulto com alta agressividade, dificuldade de lidar com situações complexas e com outras pessoas”, afirma.


Mas como coibir essa prática? Itamar Gonçalves, coordenador de projetos da organização não governamental Childhood, que atende crianças e famílias em situação de violência, afirma que escuta com frequência a afirmativa ‘aprendi apanhando e agora é assim que eu ensino meus filhos’. “É muito comum isso. Falta informação para as pessoas. Para acabar com essa prática, precisamos trabalhar com prevenção à violência dentro das próprias famílias”, destaca. Para ele, assim como para os outros especialistas, a assistência psicológica é essencial para tratar as crianças que sofreram agressões. “Ela precisa entender que aquele processo a que foi submetida não é natural. Não dá para dizer que, com o acompanhamento, o trauma será apagado, mas a criança pode criar um distanciamento saudável do ocorrido”, explica.



No Brasil, em um caso recente, um lavrador foi flagrado agredindo os próprios filhos, de 7 e 8 anos, com pontapés, em Registro, no Vale do Ribeira, em São Paulo. O espancamento foi filmado pelo outro filho do lavrador, de 17 anos. Ele entregou o vídeo a um tio, que levou para a polícia. A avó dos meninos alegou que o pai deles, que está preso, é alcoólatra.


Mas não são apenas os pais ou parentes os agressores em potencial. Muitas vezes, quem é pago para cuidar das crianças torna-se um vilão do lar. No começo do mês, um vídeo mostrou uma babá agredindo o bebê de 7 meses que cuidava, em Andradina, interior de São Paulo. Ao ser interrogada pela polícia, Neusa Berenguel, de 58 anos, confessou que bateu na criança e alegou que estava em depressão. Ela disse que na época estava sem os remédios para tratar a doença. Neusa chegou a ser presa, mas agora aguarda julgamento em liberdade.


Viviane Nogueira de Azevedo Guerra, pesquisadora do Lacri e autora de 11 livros sobre violência doméstica contra crianças e adolescentes, explica que nem todas as vítimas de agressão serão adultos violentos. “Tudo depende da presença de uma pessoa afetiva, que a proteja e ampare. Muitas vezes este papel é representado por algum amigo da família, madrinha ou padrinho, tio ou tia”, afirma.


Segundo Viviane, a psicanalista suíço-alemã Alice Miller analisou a biografia de grandes tiranos da humanidade, como o líder da Alemanha Nazista, Adolf Hitler, e de artistas, como o poeta Paul Celan, que foram barbaramente espancados na infância, mas tiveram uma vida adulta totalmente diferente. O fator decisivo foi ter um apoio. “É preciso analisar também o contexto sociocultural que permitiu a essas pessoas se tornar o que se tornaram”, diz.


Decadência precoce.

Com uma carreira de sucesso meteórica, a cantora inglesa Amy Winehouse morre aos 27 anos viciada em álcool e drogas

Raquel Maldonado

raquel.maldonado@folhauniversal.com.br

“A morte dela era apenas uma questão de tempo”, disse Janis Winehouse, após ser avisada da morte precoce de sua filha, a cantora britânica Amy Winehouse, de 27 anos, no último dia 23. Assim como a família da artista, os fãs também não foram pegos de surpresa. Afinal, ultimamente ela era notícia não mais pela voz potente, comparada às das grandes divas do jazz, e suas músicas contagiantes, mas por seu envolvimento com álcool e drogas e pelos frequentes escândalos que estampavam a capa dos tabloides ingleses. Amy foi encontrada morta em seu apartamento em Londres, Inglaterra. A polícia aguarda o resultado dos exames toxicológicos, que devem sair em até 3 semanas, para confirmar a causa da morte, embora especulações apontem para overdose.


A decadência de sua brilhante, porém curta, carreira era evidente. Em 2007, Amy foi hospitalizada por causa de uma suposta overdose de cocaína, heroína, quetamina, ecstasy e álcool. Na época, ela também foi flagrada fumando crack. Um ano mais tarde, a cantora foi presa duas vezes por posse de drogas e agressão. Em junho deste ano, ela suspendeu a turnê que fazia pela Europa, pois não conseguia concluir as apresentações. Durante os shows, esquecia as letras, ficava sem voz e, em alguns momentos, não conseguia nem ficar em pé. “Isso é resultado de muitos anos de uso contínuo de drogas cada vez mais pesadas e da falta de um tratamento correto e do apoio da família. Ela começou a ganhar muito dinheiro e a gastá-lo todo para manter o vício que ia crescendo a cada dia”, afirma Leonardo Gonzalez, acompanhante terapêutico. “No caso da Amy, como no de tantos outros artistas, a indústria cultural teve papel fundamental para esse desfecho”, completa.


Amy Winehouse – que em janeiro deste ano fez cinco shows no País – começou cedo na música. Aos 16 anos, já cantava profissionalmente nos pubs londrinos. Aos 19, lançou seu primeiro álbum “Frank”. Mas foi com seu segundo trabalho, “Back to Black”, que ela alcançou a fama e o reconhecimento internacional, ganhando, em 2008, seis prêmios Grammy.


Entrevistas com familiares nos últimos anos evidenciavam o temor com relação à morte precoce de Amy. O pai dela, Mitchell Winehouse, chegou inclusive a afirmar, em 2007, após ela ser internada por consumo excessivo de drogas, que tinha pronto o discurso fúnebre para homenagear a filha.


A “maldição dos 27”


Amy Winehouse entrou para a lista de ídolos da música que morreram de forma trágica coincidentemente aos 27 anos. Conheça alguns deles:


Jimi Hendrix (1942 - 1970): Um dos maiores guitarristas da história. Morreu após tomar anfetaminas e sedativos e se sufocar em seu próprio vômito enquanto dormia.


Kurt Cobain (1967 - 1994): O ex- vocalista e guitarrista da banda Nirvana se matou com um tiro na cabeça após consumir heroína.


Janis Joplin (1943 - 1970): A cantora morreu de overdose depois de misturar álcool com heroína.


Jim Morrison (1943 - 1971): O ex-vocalista da banda The Doors foi encontrado morto na banheira após sofrer uma overdose de heroína.

Mais meninas infratoras

Número de adolescentes na Fundação Casa, a antiga Febem de São Paulo, dispara. Avanço do tráfico e rigidez de juízes explicam fenômeno

Kátia Mello

katia.mello@folhauniversal.com.br


“A escola aqui é mais legal. Lá fora, não te dão muita atenção”, diz Tatiane*, de 17 anos, internada há 5 meses por tentativa de homicídio. “Mas é que lá fora tem tanta coisa pra fazer além de ir para a escola”, completa Fernanda*, de 16 anos, há 8 meses na Fundação Casa, a antiga Febem de São Paulo, por tráfico.


Comentários como estes se repetem nos corredores da Casa Guarulhos Feminina, unidade visitada pela reportagem da Folha Universal. São cada vez mais meninas internadas em São Paulo: de 236 garotas com restrição de liberdade em 2006, a Fundação Casa passou a abrigar 415 este mês.


Desde que se alinhou ao Sistema Nacional de Atendimento Sócioeducativo (Sinase), a Fundação Casa reinsere seus internos na escola, dá cursos de qualificação básica, promove atividades culturais e artísticas e até festas temáticas. Nos quartos e áreas comuns da unidade visitada,flores, desenhos e frases preenchem as paredes, que vêm ganhando demãos de tinta rosa e lilás. Apesar das melhorias, é impossível esquecer a privação de liberdade. “A gente sente saudade de tudo: de casa, dos amigos, das minhas irmãs, de usar a internet, das festinhas. É complicado”, diz Beatriz*, de 13 anos, também internada por tráfico, que, atrás das grades, tornou-se coreógrafa da turma nas apresentações de dança.


Entre os motivos de jovens como Beatriz acabarem atrás das grades está o tráfico de drogas. “Vemos um envolvimento maior das meninas, seja por influência de namorados, para protegê-los, ou para subsidiar o consumo próprio. Nos anos 90, a infração mais comum era roubo ou furto”, diz Berenice Gianella, presidente da Fundação Casa desde 2005, quando o tráfico era causa de 22,5% das internações femininas. Hoje, é de 56,1%.


O aumento do número de adolescentes internados é um problema nacional e não apenas das unidades femininas ou de São Paulo. De acordo com os dados mais recentes da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, de 2010, houve um aumento de 4,5% nas internações de ambos os sexos, passando de 16.940 em 2009 para 17.703 no ano passado. Em todo o País, são 915 meninas internadas. Elas ainda são minoria, 5%, apesar do aumento do número de casos. Entre os fatores que ajudam a entender esse crescimento está o envolvimento com drogas.


Além do tráfico, o aumento, diz Berenice, se deve à resistência de juízes em conceder sentenças mais brandas, como medidas socioeducativas sem restrição de liberdade e prestação de serviços.


Mesmo entre as adultas, a participação de mulheres no crime é pouco significativa. “Elas desempenham papel pequeno no tráfico e não representam perigo para a sociedade. Poderiam ser inclusas em políticas de reinserção social”, afirmou a socióloga Julita Lemgruber, no Encontro Nacional sobre Encarceramento Feminino.


Há ainda outros aspectos que explicam o crescimento do número de adolescentes envolvidas com o crime. “O que observamos é a influência do mercado de consumo no comportamento dos jovens. Eles seguem o raciocínio do ‘ter para ser’. O tráfico é uma maneira de conseguir o dinheiro e poder, pois o fornecedor passa a ser bem relacionado”, analisa o advogado Ricardo de Moraes Cabezón, presidente da Comissão de Direitos Infanto-Juvenis da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo.


“Hoje, há o incentivo exacerbado do consumo, a efemeridade dos relacionamentos afetivos – quase sempre descartáveis –, e uma nítida necessidade de anestesiamento frente às dificuldades cotidianas. Desta forma, as relações de intolerância, processos de criminalização da pobreza, falta de oportunidades, miséria, violência, abandono, falta de atenção, envolvimento com drogas, entre outros, contribuem para a ampliação da criminalidade”, complementa a psicóloga Adriana Ridão, uma das autoras do estudo “Mulheres no crime: análise psicossocial dos contextos de vulnerabilidade de adolescentes do sexo feminino de classes populares no cometimento de atos ilícitos”.


*Os nomes foram trocados para preservar a identidade das adolescentes

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