
De olhos bem abertos
Não
é de hoje que as mulheres têm sentido no corpo a sobrecarga de
atividades ao atuarem como profissionais, mães, donas de casa e esposas.
Por conta do estilo de vida agitado, muitas têm sacrificado a saúde, a
alimentação, a vida sexual e, na tentativa ofegante de dar conta de
tudo, o sono. Um estudo realizado pela Fundação Nacional de Sono, dos
Estados Unidos, concluiu que duas em cada três mulheres enfrentam
problemas relacionados a dormir pouco. Outra pesquisa do University
College, de Londres, e da Universidade de Warwick, ambas na Inglaterra,
alertaram que a falta de uma noite bem dormida aumenta os riscos de
doenças cardíacas mais em mulheres do que em homens. Riscos Os
pesquisadores descobriram que os níveis da proteína C reativa de alta
sensibilidade, ligada a problemas cardíacos, foram mais altos em
mulheres que dormiam por 5 horas ou menos. Da mesma forma, os níveis de
uma molécula chamada interleucina-6, responsável por desencadear
inflamações, foram bem mais baixos naquelas que dormiam cerca de 8
horas, comparando-se com as que dormiam menos tempo. O neurologista
Luciano Ribeiro Pinto Júnior, do Instituto do Sono da Escola Paulista de
Medicina, garante que o sono é importante para a saúde física e mental,
e a privação crônica dele pode acarretar transtornos metabólicos,
imunológicos e cardiovasculares. E, apesar de o estudo mostrar o
predomínio dessas alterações nas mulheres, ele acha precoce tirar
conclusões: “As mulheres têm características biológicas, psicológicas e
sociais próprias. Portanto, as variáveis são muitas.” (I.S.)