sexta-feira, 8 de junho de 2012

Crimes macabros e horripilantes marcam 2012







Montagem/Nilton Fukuda/AE-ReproduçãoMontagem/Nilton Fukuda/AE-Reprodução
A morte do empresário e herdeiro da rede Yoki, Marcos Kitano Matsunaga (no detalhe), de 42 anos, entrou para a lista de crimes macabros cometidos nos primeiros meses de 2012.

Matsunaga foi morto e esquartejado no dia 19 de maio por sua mulher, Elize Matsunaga (na foto, no dia do depoimento à polícia), na zona oeste de São Paulo.

Elize confessou ter matado o marido. Em seguida, ela o esquartejou e desovou as partes do corpo dele em Cotia.

Em seu depoimento, Elize contou que atirou em Kitano no meio de uma discussão do casal e usou uma faca para cortar os pedaços do corpo.

Após a reconstituição do caso, a polícia irá pedir a prisão preventiva de Elize.






Montagem/Montreal Police Department/AFP/cbc.cMontagem/Montreal Police Department/AFP/cbc.c


Luka Rocco Magnotta foi preso após ser reconhecido em um bar na cidade de Berlim, na Alemanha.

Magnotta é suspeito de ter assassinado e esquartejado Jun Lin, rapaz de 32 anos com quem Magnotta, que trabalha na indústria pornográfica, mantinha um relacionamento.

O ator pornô também é suspeito de, além de matar, ter filmado e divulgado o desmembramento de Lin.

Pedaços do corpo da vítima foram enviados a uma escola de Vancouver, no Canadá, país natal de Magnotta. Segundo a polícia, os funcionários que abriram os pacotes ficaram muito assustados e estão traumatizados






ReutersReuters


O caso do “canibal pelado” de Miami, no Estado norte-americano da Flórida, chocou o mundo todo nas últimas semanas.

Rudy Eugene, americano de 31 anos, foi morto a tiros pela polícia no final do mês de maio após atacar e comer o rosto de Robert Poppo, morador de rua que dormia debaixo de um viaduto da cidade.

A polícia americana divulgou que está investigando qual tipo de droga Eugene havia usado antes do ataque. A mídia americana apelidou Eugene de “zumbi de Miami”.

Poppo, de 65 anos, ficou com o rosto completamente deformado e ainda está internado em estado grave

Namorada revela o que canibal de Miami fez horas antes do crime

Eles comem carne humana: conheça 18 canibais que horrorizaram o mundo







Reprodução/huffingtonpost.comReprodução/huffingtonpost.com


O mesmo tipo de droga usada por Eugene, o canibal de Miami, pode ter incentivado outro ataque canibal, dessa vez em Louisiana, também nos Estados Unidos.

Após uma briga de vizinhos, Carl Jacquneaux, de 43 anos, arrancou um pedaço da bochecha de Todd Credeur (à esquerda na imagem).

Segundo a imprensa americana, a vítima estava aparando o jardim quando Jacquneaux apareceu e o atacou. Credeur contou que se defendeu espirrando veneno no rosto do vizinho.

Jacquneaux está preso por roubo agravado, violação de liberdade condicional e de ordens de proteção. Credeur foi hospitalizado, mas já se recupera em casa





ReproduçãoReprodução


No final do mês de abril, sete pessoas foram assassinadas em uma fazenda no município de Doverlândia, em Goiás.

As sete vítimas — o dono da propriedade e seu filho (ambos na imagem), o vaqueiro da fazenda e dois casais de amigos do dono — foram mortas com cortes profundos no pescoço.

O filho do vaqueiro conseguiu se esconder e, após a fuga dos assassinos, chamou a polícia.

Aparecido Souza Alves confessou o crime e foi preso na semana seguinte à chacina.

A história acabou se tornando ainda mais trágica no dia 8 de maio. Durante as investigações do crime, umhelicóptero com o suspeito e sete investigadores da polícia caiu próximo à cidade de Piranhas, a 325 km de Goiânia, após ter sido feita a reconstituição do crime. Todos a bordo da aeronave morreram


Divulgação/Polícia de New HavenDivulgação/Polícia de New Haven


No começo de junho, a americana Lowpel Davis, de 38 anos, invadiu um salão de cabeleireiro e roubou uma peruca.

Além disso, Lowpel atacou um dos sócios do salão. Ao ser impedida de sair do salão, a mulher se descontrolou e arrancou um pedaço do braço da dona do estabelecimento com a boca.

A polícia foi chamada e, após controlar Lowpel, levaram-na para a cadeia






Sebastian Kahnert/DPA/AFPSebastian Kahnert/DPA/AFP


No início do mês de junho, um homem de 32 anos foi preso na Alemanha depois de assassinar e esquartejar a mulher na frente dos seis filhos do casal.

Policiais encontraram o criminoso ensanguentado e rodeado por pedaços do corpo da sua mulher.

Os vizinhos informaram que ouviram uma intensa discussão antes do incidente e que o homem atirou a cabeça da mulher na rua







Reprodução/The SunReprodução/The Sun


Um incêndio na madrugada do dia 11 de maio na casa de uma família de Derby, na Inglaterra, matou 6 das 17 crianças que viviam no local. Eles eram filhos de Mick Philpott, de 55 anos, e de sua mulher, Mairead, de 31.

Cinco das crianças, com idades entre 5 e 10 anos, morreram no local, enquanto o sexto, de 13, faleceu três dias depois no hospital.

No dia 19 de maio, o casal foi preso pela polícia local como suspeitos de terem provocado a tragédia







THOMAS THIELEMANS / BELGA / AFPTHOMAS THIELEMANS / BELGA / AFP


O corpo de Diana Farkas, quatro anos, foi encontrado no dia 23 de maio esquartejado no congelador da casa de sua mãe, na localidade de Chatelineu, sul da Bélgica, segundo anunciou a polícia federal do país.

A mãe, Juliana Santana Duran, reconheceu ter estrangulado a criança antes de esquartejar o corpo e guardá-lo em bolsas dentro do congelador, mas não explicou os motivos que a levaram a cometer esse ato brutal





Reprodução/telegraph.comReprodução/telegraph.com


Meenakshi Thapar, 26 anos, atriz indiana de Bollywood, foi sequestrada e assassinada por dois outros atores no final de abril.

Amit Jaiswal, 36 anos, e seu amante, Preeti Surin, raptaram Meenakshi e, mesmo após o pagamento de parte do resgate, enforcaram e decapitaram a jovem.

O crime foi planejado após eles ouvirem a moça comentar que pertencia a uma família rica da Índia





Aijaz Rahi/APAijaz Rahi/AP


Um bebê de três meses foi brutalmente assassinado em Bangalore, na Índia, no início de abril. O caso chocou o país.

O pai da criança matou a pequena por causa do sexo dela — ele esperava um menino.

As imagens do desespero da mãe, Reshma Bano (acima), rodaram o mundo






Reprodução/huffingtonpost.comReprodução/huffingtonpost.com


A polícia do Alabama, nos Estados Unidos, encontrou os corpos de um casal de gêmeos de nove anos e do senhor que cuidava das crianças jogados em uma estrada.

Jordan e Taylor Dejerinett, de nove anos, e Jack Mac Girdner, de 73 anos, estavam desaparecidas desde o último domingo (3).

Autoridades locais prenderam Deandra Marquis Lee, considerado principal suspeito de ter cometido os assassinatos








Reprodução/Rede RecordReprodução/Rede Record


Voltando para o Brasil, um trio foi preso no mês de abril em Garanhuns, Pernambuco, suspeito de vendercoxinhas feitas com carne humana.

O trio foi preso com a suspeita de ter matado pelo menos oito mulheres. Como recheio dos salgados, os canibais de Garanhuns usavam a carne das nádegas, dos braços e das coxas das vítimas.

Segundo o delegado responsável pelo caso, as mulheres eram mortas a facadas e esquartejadas. Em seguida, o trio bebia o sangue e se alimentava da carne das vítimas por quatro dias.

Em depoimento à polícia, os canibais afirmaram que comiam carne humana como processo de "purificação".

Seita de canibais de Pernambuco queria conter aumento da população








Reprodução/thesun.com.ukReprodução/thesun.com.uk


Já na Itália, um pai desesperado jogou os dois filhos pela janela do sexto andar para depois também se matar, na cidade de Brescia, norte do país.

Marco Turrini, de 41 anos, estava desempregado e deprimido e, após uma discussão com a mulher, atirou os filhos – Samuele, um menino de quatro anos e Benedetta, uma menina de 14 meses – do sexto andar do prédio onde morava.

Depois de jogar as crianças, Turrini também pulou da varanda. O pai e as crianças morreram com a queda.





Reprodução/huffingtonpost.comReprodução/huffingtonpost.com


Mais um crime americano: uma grávida de 22 anos sobreviveu depois de ser sequestrada, amarrada e baleada em Michigan, nos Estados Unidos. Durante o crime, o assaltante também ateou fogo na garota, que não foi identificada.

A mulher, grávida de nove meses, estava deixando em casa o ex-namorado quando foi abordada pelo assaltante. Ela teve as mãos, os pés e a boca amarrados, enquanto tinha uma arma para sua cabeça.

Após levar a mulher até um beco, o assaltante derramou um líquido na moça e ateou fogo em seu corpo. Ao tentar sair do carro, a grávida levou dois tiros.

Ela se fingiu de morta e, após o bandido fugir a pé, a americana conseguiu dirigir até um hospital e tanto ela quanto o bebê passam bem.

A policia investiga o envolvimento do ex-namorado no caso, que, segundo a vítima, "não fez nada para ajudar". Na imagem, o carro usado no crime.

Entre a vida e a morte




Lembrei-me por um momento de quando tinha 6 anos de idade, e minha mãe me levou à igreja. Eu fiquei na escola dominical. A professora disse que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho, Seu único Filho, para morrer por nós. Lembrei que nesse dia eu havia feito uma oração para que Deus cuidasse de mim.


"Se o Senhor está aí mesmo, se existe de verdade, então olha para mim agora e mostra isso. Senão vou apertar o gatilho e me matar. Nesse momento, um policial apareceu e gritou: "Sobrevivente!"


Daquele tanto de gente que havia no morro, apenas três pessoas sobreviveram, eu era uma delas. Me levaram para uma ambulância e lá me examinaram. Eu estava em estado de choque, fui levada para o hospital. Adormeci, não me lembro de mais nada.


Uma semana à base de remédios, a dependência da droga fazia com que eu me debatesse o tempo todo. Então tiveram que me amarrar.


Emagreci mais ainda: 1,70 m, pesando 39 quilos, pele e osso. Acordei, não sabia onde estava. Olhei para os lados, as paredes brancas, cheiro de éter, aparelhos ao meu redor, não conseguia enxergar bem, estava muito fraca, mal abria os olhos. Havia alguém ao meu lado, com perfume de alfazema, mão pequena, pele clara, segurando meu rosto com uma das mãos e com a outra trazendo para minha boca uma colher com sopinha de leite e bolacha. Era a "coisa".


Ai, ai, o que eu faço agora? Não consigo gritar para ela sair daqui, não tenho forças nem para abrir os olhos direito, não consigo nem pensar...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

PAZ E TORMENTO
























Este é um cemitério.
Perfeito lugar de paz e tranquilidade.
Nele não há    qualquer disputa.
Todos os que ali se encontram levaram consigo        amor e ódio, alegrias e tristezas, esperança e   desespero, fé e dúvidas,                                        bondade e maldade,   humildade e orgulho,                                      riqueza e pobreza...
Todos tiveram o mesmo destino.
Suas matérias deterioram-se em paz.
E suas almas, onde estão?
Seja lá onde quer que estejam, estarão também          em paz?
O SENHOR Jesus disse: “E, se um dos teus
 olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor 
 entrares no Reino de Deus com um só dos 
teus olhos do que, tendo os dois seres lançado 
no inferno...” Marcos 9.47
Se um olho é capaz de enviar muitas almas 
para o inferno, imagine quando pecado 
domina todo o corpo.

O inferno está cheio de almas que, em vida,     eram bem intencionadas.

Mas nunca temeram o Criador.

Nunca deram crédito a Sua Palavra.

Antes, levaram a vida de balada em balada,
de farra em farra...

Não fizeram caso do significado da morte 
de Jesus.

E até debocharam de Sua Palavra.

Nunca a levaram a sério.

Achavam que podiam viver de qualquer       maneira porque, segundo eles,inferno é      invenção humana.

E muitos, no caminho do erro, mantêm
os mesmos pensamentos e 
continuam praticando os mesmos pecados.

Mas a pergunta que não se cala é:


Sua consciência está em perfeita paz com 

respeito à salvação de sua alma?


Se morrer hoje, você sabe onde 

passará a eternidade?


O rico implorou para Abraão enviar Lázaro para 
avisar seus cinco irmãos sobre o inferno. 
Lucas 16.27-28
O mesmo se dá em relação aos que lá estão.
Gostariam de avisar seus filhos, pais, irmãos e 
seus entes mais queridos a respeito da salvação 
em Cristo Jesus, a fim de não serem lançados 
também para lá.
Mas não podem.
Imagino a angústia deles.
“Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que
 tens preparado, para quem será?”

quarta-feira, 6 de junho de 2012

PROSTITUIÇÃO INFANTIL




BRASIL POSSUI MAIS DE 900 MUNÍCIPIOS ONDE CERCA DE 500 MIL CRIANÇAS SÃO EXPLORADAS SEXUALMENTE 

"ALGUMAS CHEGAM A TROCAR ALGUNS MINUTOS DE SEXO POR UM PRATO DE COMIDA", DIZ UMA FONTE DA UNICEF

Em todo o País, mais de 500 mil crianças, em 927 municípios,  ainda são exploradas sexualmente. Os dados foram colhidos a partir de uma pesquisa elaborada pela Unicef, em parceria com e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SNDH).

"É comum que muitas crianças troquem
alguns minutos de sexo por um prato de comida"

A pobreza, o abandono das famílias e a falta de perspectiva de vida são apontados pelos estudos como os principais responsáveis pelo problema. "É comum que muitas crianças troquem alguns minutos de sexo por um prato de comida", relata um membro da Unicef que participou do levantamento. Segundo a fonte, "muitas meninas trabalham de três a quatro horas e chegam a ter mais de cinco parceiros em um único dia". Em decorrência disso, essas crianças são expostas a inúmeros tipos de doenças sexualmente transmissíveis, entre elas, a AIDS, que já atinge grande parte delas.

"Há relatos de adolescentes que
engravidaram aos nove anos de idade."

Ainda de acordo com relatórios divulgados pela Unicef e pela SNDH, essas crianças e adolescentes vêm majoritariamente de famílias desestruturadas, em que pais, padrastos e até irmãos abusam sexualmente delas. São frequentes também os casos em que a própria mãe sabe do crime que acontece dentro e fora de casa, mas prefere ignorá-lo, quase sempre por medo de represália ou por influência de alguns trocados que esse crime chega a render.

Outro grave problema decorrente dessa exploração é a gravidez precoce, verificada até mesmo entre garotas entre 13 e 15 anos de idade, mas há relatos de adolescentes que engravidaram aos nove anos. Sendo assim, muitas delas recorrem ao aborto clandestino, seja por vontade própria, seja por imposição da família, que não pode perder a 'renda' da exploração sexual.


"Muitas famílias preferem sabem que a filha se prostitiu
Mas não intervêm por medo de represália ou porque a prática
Rende alguns trocados no final do dia"

Os métodos abortivos mais utilizados por essas adolescentes são os chás caseiros (extremamente tóxicos e nocivos à saúde), a utilização de agulhas de crochê para matar o feto, a ingestão desorientada de remédios (geralmente provocam também a deterioração do útero) e a procura por charlatões, ditos especializados no assunto, que cobram para realizar o aborto.

Segundo a SNDH, o maior indicativo da dimensão da exploração sexual infantil no Brasil ainda é o disque-denúncia. Criado em 2003, a Secretaria recebe cerca de 60 ligações  ao dias.

"Todas as denúncias são imediatamente encaminhadas às instituições que combatem esse crime", informa a Secretaria.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Escrevendo contra a fobia


Blogs funcionam como uma "terapia da tecla", ajudando jovens que sofrem desse transtorno. Permitir que os leitores comentem as publicações potencializa resultados


Transformar sentimentos em palavras escritas é para cientistas que desenvolvem estudos sobre "expressive writting" (expressão pela escrita) um modo eficaz de lidar com traumas e experiências dolorosas, como medos, brigas e até doenças crônicas. Em tempos de internet, relatar os sentimentos num blog é um remédio tão ou até mesmo mais eficiente do que contar as angústias num diário de papel.


Cientistas da Universidade de Haifa, em Israel, dividiram 161 adolescentes que sofriam de fobia social, ansiedade e timidez em grupos. Durante 10 semanas, alguns dos jovens que suavam frio só de pensar em se expor aos outros escreveram sobre suas angústias e experiências em blogs, alguns abertos a comentários dos leitores, outros não. A automedicação "da batida das teclas" resultou em adolescentes mais confiantes, com mais autoestima e mais à vontade em situações sociais que antes eram evitadas. "Os blogs podem ajudar as pessoas que gostam de escrever, e ser uma forma de tratamento ou de acompanhamento ao tratamento tradicional. Nem todas as pessoas gostam de escrever ou podem escrever de uma maneira expressiva, e nem todos gostam de usar computadores para isso. Mas se alguns gostam de se comunicar por computador, os blogs podem ser um modo eficiente de ajudá-los", afirma Azy Barak, um dos autores do estudo.


Os resultados foram melhores entre adolescentes que abriram seus blogs para comentários dos leitores. "Pessoas socialmente ansiosas geralmente são socialmente isoladas. Os blogs podem ser um caminho para desenvolver contatos interpessoais e relacionamentos, pois é muito menos ameaçador para eles", diz Barak. Compartilhar os sentimentos e emoções pode trazer benefícios imediatos para quem busca alívio e compreensão. "A comunicação é essencial para nosso crescimento. A escrita terapêutica ajuda a enxergar melhor quem somos, o que sentimos e porque um momento nos marcou tanto", diz Solange Pereira Pinto, dinamizadora de percursos criativos e terapêuticos, que oferece oficinas de escrita em Brasília. Mas, em alguns casos, o acompanhamento de um especialista é necessário. "Dependendo do nível de complexidade e impacto da situação ou traumas, um mediador é importante para ajudar a pessoa a analisar e propor condutas curativas", diz.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Eu tenho medo de gente

Quem tem fobia social sofre calado e não consegue realizar atividades normais, como falar e comer em público. Doença é incapacitante e pode levar ao alcoolismo e à depressão


Ricardo é policial civil, mas sempre sonhou em cursar Direito. Incentivado por amigos, prestou vestibular e passou. Logo nos primeiros 20 dias de curso deparou-se com uma situação que, apesar de simples para a maioria, lhe faz muito mal. "Formem grupos de quatro pessoas, estudem o conteúdo do livro e depois apresentem. Considerando que isso será frequente na vida profissional de vocês, é bom irem se acostumando a falarem em público", disse o professor. Ricardo paralisou-se. Só de imaginar a situação ele suava frio, passava mal e sentia a úlcera incomodar. Apavorado com a ideia de apresentar o trabalho, desistiu do curso e trancou a faculdade. "O simples fato de ter que fazer uma breve explicação para algumas pessoas me tira o sono. Não consigo pensar em outra coisa e sinto um verdadeiro pavor", conta.


Ricardo sofre de Transtorno de Ansiedade Social (TAS), popularmente conhecido como fobia social. A médica Maria Cecilia Freitas, psiquiatra e doutora em saúde mental pela Universidade de São Paulo (USP) explica que a doença se caracteriza pelo medo persistente de agir de forma inadequada em certas situações sociais. "Há medo do embaraço ou de uma avaliação negativa por parte das pessoas em uma interação social ou de desempenho em público, como falar", diz. A doença vai muito além de uma timidez comum e causa prejuízos significativos na vida dos doentes. O psiquiatra Aderbal de Castro Vieira Júnior, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destaca que a fobia social é uma timidez patológica. "A diferença é basicamente quantitativa. A pessoa que sofre de fobia social se limita muito, sofre muito nesse tipo de situação. Já o tímido pode não gostar, prefere não ser exposto, mas quando se depara com uma situação assim consegue encarar", diz. Segundo ele, em casos mais graves, o fóbico social evita até estar em grupos pequenos, entre amigos íntimos.




Um estudo realizado anualmente nos Estados Unidos, conhecido como National Comorbity Survey Replication (NCS-R, ou "Pesquisa Nacional de Comorbidades"), mostrou, em sua última edição, que pelo menos 6,8% dos participantes têm fobia social. Sendo que 68,7% dos casos foram considerados de gravidade moderada e alta pela equipe de pesquisadores. No Brasil, Maria Cecília participou de um grupo de pesquisa na USP de Ribeirão Preto que analisou o comportamento de 62 voluntários. Entre os participantes havia pacientes com fobia social; pessoas com sintomas, mas que não evitam situações sociais e pessoas saudáveis.


"Nosso grupo encontrou uma prevalência da doença de 11,6% em estudantes universitários. Apesar do alto índice, dos prejuízos e da gravidade dos casos, o transtorno de ansiedade social tem sido relativamente negligenciado, se comparado com outros transtornos psiquiátricos", diz Maria Cecília.




Há dois tipos de fobia social: o generalizado e o específico. Segundo a psiquiatra, o generalizado é caracterizado por medo dominante e persistente na maioria das situações sociais. É a forma mais incapacitante da doença. Já o específico é definido pelo medo em certas situações. Os temores mais comuns entre pessoas que sofrem de TAS são falar em público, comer e beber na frente de outras pessoas e usar o banheiro público (veja quadro acima). Quando colocadas em situações como estas, o fóbico social tem sintomas físicos que vão desde voz trêmula até náuseas, tontura, suor e sensação de desmaio. "A pessoa sente uma ansiedade tão grande que tem uma queda brusca de desempenho, o que prejudica a vida pessoal e profissional", diz o psiquiatra da Unifesp. A contadora Flávia, de 32 anos, sofre desse mal desde os 20. "Não consigo assinar nenhum documento na frente de outras pessoas. Fico tão tensa que minha mão fica dura e travo", diz. Por conta da doença, já teve vários cheques devolvidos, pois a assinatura não confere.


Muitas vezes, o fóbico social esconde da própria família que sofre da doença. Isto, segundo os médicos, faz parte da própria natureza do transtorno. É comum que familiares e amigos dos fóbicos sociais considerem o comportamento dos pacientes como "exagerado", como se a pessoa não mudasse simplesmente porque não quer. A sugestão de buscar terapia é feita de forma debochada, em tom de desprezo. Isso leva o doente a não buscar tratamento.


"Na época dos cartões de crédito sem chip, sofria muito quando ia ao mercado com o meu marido e tinha que assinar o comprovante. Escondo o problema dele porque tenho vergonha e porque acredito que ele ia achar besteira", conta Flávia. Com o policial civil Ricardo, a situação é semelhante. "Eu disfarço ou tento disfarçar, mas não comento do problema com ninguém. Sou casado há 10 anos e tenho um filho de 6. Nem mesmo minha mulher sabe desse sofrimento. Sofro calado", relata o policial.




Assim como outras doenças psiquiátricas, não se sabe ao certo o motivo pelo qual a fobia social aparece. "Existem tendências genéticas e influências na interação do indivíduo com o ambiente desde a infância. Na maior parte das vezes, as manifestações se iniciam na adolescência e persistem pela vida adulta quando não tratado", diz Maria Cecília. O psiquiatra Aderbal de Castro Vieira Júnior pondera quanto à possibilidade de identificar e diagnosticar a doença entre crianças: "A gente evita fazer diagnósticos em crianças porque ela está em formação. Pode ser que nesse momento ela tenha dificuldade, mas que depois se resolva. Apesar disso, em grande parte dos que sofrem da doença, encontramos sinais desde a infância".


Há casos em que a doença pode ser curada, mas em outros acontece só uma melhora dos sintomas. "Casos leves podem ser tratados somente com psicoterapia, com a melhora da autoestima, o treinamento de habilidades sociais e o enfrentamento das situações aversivas. O que gera uma redução gradativa da ansiedade", diz Maria Cecília. "Já os casos em que há muitos prejuízos na vida merecem a associação da psicoterapia com medicações que reduzem a ansiedade (antidepressivos e ansiolíticos)", completa. Caso a doença não seja tratada, o paciente tem cada vez menos qualidade de vida e tende a se isolar. O risco de adquirir outros problemas associados à solidão, como depressão e alcoolismo, é enorme.

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