terça-feira, 30 de abril de 2013

SOCORRO EU PRECISO DE AJUDA


Vivendo como bicho

Crimes contra moradores de rua crescem a cada dia no País. Somente em Goiânia, 29 pessoas foram assassinadas nos últimos 8 meses



“Vi ontem um bicho na imundície do pátio, catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, não examinava nem cheirava: engolia com voracidade. O bicho não era um cão, não era um gato, não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.” O poema de Manuel Bandeira, da metade do século 20, retrata a atual e vergonhosa condição dos moradores em situação de rua, que sofrem a indiferença, o desrespeito e a discriminação da sociedade. Como se não bastasse essa degradação, diversos crimes no País estão chamando a atenção das autoridades. Em Goiânia, 29 moradores de rua já morreram assassinados, em 8 meses. A última vítima (até o fechamento desta edição) foi morta com golpes de faca no Setor Coimbra, no centro da cidade. Outras duas foram espancadas a pauladas até a morte no Setor Rodoviário. Uma das vítimas era uma criança de apenas 11 anos. De acordo com a polícia local, as ações covardes podem ser de responsabilidade de um grupo de extermínio. A ministra chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, propõe transformar os casos em crime federal, sob o argumento de que há deficiência no trabalho das polícias que investigam os crimes, o que leva à falta de denúncias ao Ministério Público. Já em Minas Gerais, um skinhead, Antônio Donato Baudson Peret, de 24 anos, foi preso depois de postar foto dele na internet simulando enforcar um morador de rua na região centro-sul de Belo Horizonte. A imagem, chocante e humilhante, ajudou nas averiguações da Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos (Deicc), com apoio da Guarda Municipal de Americana (Gama).


A reportagem da Folha Universal acompanhou o grupo Anjos da Noite na capital paulista e viu de perto a situação dessas pessoas, numa noite fria, com os termômetros registrando 17 graus C. Todas as quintas-feiras o grupo sai para levar a palavra de Deus, fazer orações e entregar centenas de marmitex aos moradores, levando o alimento para o corpo e para a alma. O obreiro Luciano da Rocha, de 41 anos – um dos responsáveis pelo trabalho em São Paulo, que reúne cerca de 50 voluntários da Universal –, conta que um dos maiores problemas que essa população sofre é a violência. “Hoje em dia, tem muitos moradores que dormem com uma faca por perto, porque não sabem o que pode acontecer durante a madrugada. Eles estão com medo de serem assassinados a qualquer momento”, declara Luciano.




A maioria dos moradores está acomodada com a situação e, em um primeiro momento, não aceita ajuda. Mas Luciano explica que os trabalhos sociais, como o dos Anjos da Noite, servem para mudar a visão dessas pessoas. “Ajudamos o morador de rua a repensar, a tirar documentos, arrumar emprego e se reinserir na socidade”.


Ana Paula Raffi, de 30 anos, mora numa praça com sua mãe, Sandra Raffi, de 50 anos, e cerca de outros 40 moradores na mesma condição e à beira da Avenida dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo. “Eu apanhei anteontem do meu ex-marido, que também é morador de rua. Ele me deu uma rasteira e me agrediu”, contou Ana. Com o rosto inchado e com o olho roxo, ela revelou sua verdadeira dor: “Eu nem lembrava se estava doendo, porque isso aqui (apontando para o rosto) vai passar já, já. O que dói é o coração. Esse, sim, demora para sarar”.




Essa dor, todos carregam. Excluídos e desprezados, cada um tem seus motivos para estar na rua.


Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o alcoolismo é o fator que motiva 35,5% pessoas a morarem na rua. O desemprego representa 29,8% das causas e as desavenças com familiares, 29,1%. Os números fazem parte da Pesquisa Nacional sobre População em Situação de Rua, realizada em parceria com a Unesco.


De volta às ruas há apenas quatro dias, Alisson Vicente, de 28 anos, alcoólatra, mora com outros cinco na região do Largo 13 de Maio, na zona sul paulistana, local rodeado de comércio. “Eles (comerciantes) não gostam, têm medo da gente, mas nunca tive problemas”, conta. “Fiquei 2 anos nas ruas e cheguei a ser internado para tratamento por 7 meses, mas voltei”, lembra Alisson.




A reportagem conversou com Zilda Leonarda, de 37 anos, visivelmente inquieta, que disse trabalhar como diarista. Ao lado dela, duas mulheres trocavam um cachimbo para consumo de crack. “Tenho mais três filhos que moram com a minha mãe em Marília (interior de São Paulo)”, conta ela. Apesar de toda condição adversa, Zilda ainda garantiu que tinha uma Bíblia guardada, mas não a encontrou entre suas coisas. A aparente confusão mental dava lugar a instantes de coerência. “Eu vou sair dessa vida. Logo mais vou dormir na casa da minha patroa”, garantiu Zilda.


A poucos quilômetros dali, um personagem parece viver em um mundo à parte de todos os outros. Também pudera, com o nome de Jesus Silva Ribeiro, o idoso era só sorriso com a chegada da equipe dos Anjos da Noite. Ele ofereceu café a quem se aproximava e fez questão de mostrar que era saudável ao levantar a camisa. “Veja, não tenho nenhuma ferida, machucado, nada!”


Orgulhoso, ainda brincou com sua generosa barba. “É grande, né? Guardo tudo aqui, até talheres.” Jesus é obediente e, pelo que se percebe, por isso vive sem grandes ameaças. “Se os policiais pedem pra eu sair, eu saio. À noite durmo aqui, em frente a este comércio, mas quando acordo eu tenho que sair, porque ninguém gosta de um mendigo na sua porta”. Enquanto Jesus continua seguindo a “regra da rua” e contando com a sorte, vale lembrar que muitos casos de mortes ou desrespeito acontecem entre os próprios moradores, normalmente por inimigos ou envolvimento com tráfico.




O obreiro Luciano destaca que os moradores de rua vivem em um cenário desolador, de violência brutal e vícios. “O crack é o que mais detona com essas pessoas, que vão se deteriorando e ficam alucinadas sob o efeito da droga. Por isso, existe muito desentendimento entre elas”, diz ele.


Para a secretária executiva do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Carolina Ferro, a culpa não é só dos políticos ou da ação de gangues. “Não importa quem puxa o gatilho para matar um morador em situação de rua. Quem os mata é a sociedade, uma vez que a política é reflexo da nossa sociedade.”


Em 2012, a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo retirou moradores de rua que ficavam embaixo do Elevado Costa e Silva e os encaminhou para postos de saúde ou abrigos, como o espaço de convivência, na região central. “Para mim, isso é uma camuflagem do problema”, comenta Carolina. “Temos 9 mil vagas nos albergues da cidade, mas são pelo menos 15 mil pessoas em situação de rua. Seis mil pessoas não têm nenhuma opção para dormir naquela noite! Além disso, os serviços são precários e alguns albergues violam os direitos humanos”, ressalta.




Ainda de acordo com o levantamento do MDS, cerca de 50 mil adultos vivem nesta triste condição pelas ruas do Brasil. “Com o tempo, a gente mostra nosso trabalho e ganha a confiança para propor uma transformação”, explica Luciano.


É preciso fazê-los ver que há solução e que não adianta se acomodar. “Ninguém nasceu para sofrer e não podemos acreditar que alguém nos criou para passar por isso, para sofrer. As pessoas que moram na rua são pessoas, como outras. A gente mostra que elas são mais fortes do que a situação em que estão”, argumenta.


Dona Deuza Coutinho é prova disso. Nascida no Maranhão, morou 2 anos nas ruas de São Paulo. “Convivi com mendigos que comiam restos de comida do lixo”. Ela pediu ajuda numa Universal e um pastor lhe disse: “A senhora vai trabalhar e fazer um sacrifício”. Mediante aquelas palavras – trabalho e sacrifício –, Dona Deuza foi em busca de emprego. Depois do primeiro “não”, foi insistente e conseguiu uma colocação no segundo dia. “Cada dia que voltava para trabalhar, tinha desejo de vencer e não esquecia das palavras ‘trabalho e sacrifício’. Não saí do sertão para ser mendiga aqui.” Hoje, Deuza investiu no seu sonho de montar um salão de beleza e prova que, mesmo quando tudo parece perdido, é possível recuperar sua própria humanidade















Conversamos com estas pessoas e tivemos conhecimento de suas vidas do passado, tinham famílias , emprego púbico etc.Devido aos problemas não tiveram forças para vence-los, foram derrotados moram na rua, eles querem 
a nossa ajuda.


































Aconteceu neste domingo uma ação organizada pelo Pr Geraldo Vilhena e voluntários da IURD com prestação de serviços de corte de cabelo, barba para moradores de rua no bairro do Brás.Os voluntários sairam pelo bairro informando sobre os serviços prestados e convidaram à todos. Surpresa para os moradores de rua que também receberam sucos variados, lanches de presunto, hot dog e canjica. A felicidade transparecia no rosto daqueles moradores e um deles ficou emocionado com tal gesto de carinho. A falta de esperança, perspectivas de futuro, afeto e abandonados pela sociedade fazem com que estas pessoas não acreditem em amor ao próximo. Pois a nossa sociedade somente oferece este tipo de ajuda em momentos específicos como: eleição, natal, etc.Os voluntários da IURD juntamente com o Pr Geraldo Vilhena conseguiram com esta atitude provar para estes moradores de rua os seus valores e que possuem direitos como qualquer cidadão.

Um dia evangelizando na frente da Fundação Casa, em favor das famílias dos internos, o Senhor Jesus me mostrou a necessidade dos moradores de rua . Então, resolvemos ajudá-los na parte social e espiritual e os resultados pode ser observado no ANTES e DEPOIS.Falou o Pastor Geraldo Vilhena ,Coordenador de evangelização nas unidades da Fundação Casa de São Paulo, em entrevista para o blog IURD NA FUNDAÇÃO CASA.





segunda-feira, 29 de abril de 2013

A famosa TPM

Mais da metade das mulheres em idade reprodutiva sofre com o problema


Sensibilidade aguçada e irritação ao mínimo ruído são sintomas comuns do período pré-menstrual, que atinge cerca de 60% das mulheres em idade reprodutiva. Apresentado por Patrícia Kaastrup, o programa “Coisas de Mulher” abordou o tema “tensão pré-menstrual (TPM)”, com a participação de Luisa Teixeira e Narlet Oliveira.


Segundo a ginecologista Maria Bortolotto, existem três tipos básicos de sintomas, que são inchaço, dores de cabeça e alterações do humor, no qual a mulher fica mais irritada, chora ou briga por motivos banais. A intensidade dos sintomas é variável conforme a mulher.


De acordo com Cristina Barbosa, ginecologista e obstetra, a TPM é um estado fisiológico que, levado ao extremo, pode se tornar uma doença. “A TPM só é considerada patologia quando causa uma disfunção social na mulher. Nós somos um laboratório químico circulante e variamos ao longo da vida e também a cada mês. A TPM surge pelas alterações dos hormônios ao longo do ciclo menstrual”, explica.


Para mulheres que sofrem com a tensão pré-menstrual, a ginecologista aconselha o uso de pílula anticoncepcional indicada por um profissional de confiança. “A pílula cria um clima hormonal mais homogêneo, uma vez que ela evita a ovulação e sem esse processo não há picos hormonais”, diz. Para finalizar, Patrícia Kaastrup fala sobre como reagir ao perceber que os sintomas estão surgindo. “Não aceite este problema como sendo normal. Domine seus sentimentos já que outras pessoas não têm o poder de fazer isso por você. Aprenda a controlar as suas emoções”, pondera.

domingo, 28 de abril de 2013

Aperte o botão



Dispositivo lançado no Espírito Santo pode ajudar a combater agressões contra mulheres

Uma iniciativa no Estado do Espírito Santo promete reforçar a segurança de mulheres vítimas de violência doméstica. O Tribunal Estadual de Justiça lançou um aparelho batizado de “botão do pânico”, que poderá ser acionado sempre que as portadoras se sentirem ameaçadas por agressores. O Dispositivo de Segurança Preventiva (DSP) vai enviar um chamado para a central da Guarda Municipal e a mulher receberá proteção imediata onde quer que esteja. O objetivo é garantir o socorro antes que um mal maior aconteça.

Cinco mulheres já receberam o aparelho, e a expectativa é que esse número chegue a 100 até o fim do mês. As beneficiadas estão sob medidas protetivas, como as que determinam que o agressor saia de casa ou mantenha uma distância mínima das vítimas.

O botão do pânico é uma alternativa a mais para quem já procurou a Lei Maria da Penha e ainda assim continua sendo perseguida. Talvez ele também represente a esperança de que as vítimas tenham mais coragem de denunciar ataques. Uma pesquisa do Senado feita em fevereiro mostrou que 74,4% das brasileiras acreditam que as mulheres não denunciam o crime por medo do agressor. Ainda segundo o Senado, 700 mil brasileiras continuam sofrendo violência, mesmo com punições mais severas garantidas pelos quase 7 anos da Lei.

O dispositivo eletrônico possui GPS e mecanismo para gravação de áudio, o que permitirá a produção de provas para o processo criminal ou de medidas protetivas de urgência, de acordo com o juiz auxiliar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Álvaro Kalix.

O Espírito Santo é o Estado com mais assassinatos de mulheres no Brasil, segundo o Mapa da Violência 2012. Mas o alto índice de violência se estende para outras regiões, como pode ser observado ao lado. Nosso País é o sétimo com mais homicídios de mulheres em todo o mundo. Mais de 70% das agressões ocorrem dentro da própria residência da vítima e a maioria dos casos envolve companheiros, o que torna o problema ainda mais difícil de ser combatido.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um dos serviços gratuitos do governo federal criado para orientar mulheres em situação de violência sobre seus direitos. O atendimento funciona 24 horas, todos os dias da semana, e são aceitas ligações de celular pré-pago, mesmo sem créditos ou recarga. Só em 2012, foram mais de 700 mil ligações, entre relatos de violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.

Já no Rio de Janeiro, outra medida lançada pela ONU Mulheres, Unicef e ONU-Habitat pretende ajudar as fluminenses a conhecer os órgãos de assistência da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Um aplicativo gratuito para celular e computador traz informações sobre locais de atendimento, como e em que momento acessá-los, como deve ser feito o encaminhamento de vítimas e o acompanhamento de cada caso.

Estados mais violentos

1º Espírito Santo

2º Alagoas

3º Paraná

4º Pará

5º Mato Grosso do Sul

6º Bahia

7º Paraíba

8º Distrito Federal

9º Goiás

10º Pernambuco

Fonte: Mapa da Violência 2012 – Homicídios de Mulheres no Brasil

sábado, 27 de abril de 2013

Uma das coisas que diferencia a Universal de muitas religiões e denominações é exatamente a sua maneira simples e brutalmente honesta de apresentar Deus para as pessoas. Sem rodeios nem rituais, sem a erudição peculiar aos religiosos, sem usar a emoção para levar as pessoas a uma experiência religiosa.





Uma das coisas que diferencia a Universal de muitas religiões e denominações é exatamente a sua maneira simples e brutalmente honesta de apresentar Deus para as pessoas. Sem rodeios nem rituais, sem a erudição peculiar aos religiosos, sem usar a emoção para levar as pessoas a uma experiência religiosa.

De volta à pobreza


Iludidos por montanhas de dinheiro, ganhadores da loteria gastam tudo para satisfazer desejos




O sonho de ser milionário é o que garante os negócios do paulistano Munir W. Niss, desde a década de 1970. Aos 78 anos, ele coleciona participações em dezenas de reportagens e prefere ser chamado de “Munir, o Pé Quente”. Munir promete ajudar os jogadores a aumentar as chances na loteria, mas confessa que não é fácil ganhar. “É jogar dinheiro fora. No jogo simples, a chance é mínima”, destaca. O veterano está certo. A possibilidade de acertar os seis números da Mega-sena com um jogo de R$ 2 é de apenas uma em mais de 50 milhões.


Mesmo com a probabilidade pequena, muitos brasileiros insistem em fazer apostas sempre que um prêmio acumula. Os jogadores se iludem com a falsa ideia de que a fortuna é a saída para todo tipo de problema. Acabar com as dívidas e ainda ter dinheiro para gastar sem se preocupar com a conta parece um plano perfeito, não é mesmo? Mas ficar rico em pouco tempo também pode gerar problemas. “O dinheiro traz alegria e tristeza, se a pessoa não tiver equilíbrio emocional, perde tudo. Conheço gente que fez loucuras, pessoas que acreditavam que eram donas do mundo, só porque tinham uma fortuna”, opina Munir.


O descontrole emocional e a falta de estrutura pessoal e familiar contribuem para a gastança, segundo o psicoterapeuta Irineu Miano Júnior.


Que o diga o baiano Antônio Domingos, um dos brasileiros que foi enganado por cifras astronômicas. Quando ganhou na loteria, em 1983, ele tinha 19 anos de idade e acreditou que poderia fazer tudo o que quisesse com o prêmio equivalente a R$ 30 milhões. A primeira providência foi se mudar para o hotel mais luxuoso de Salvador à época, onde morou por quase 2 anos na suíte mais cara. Em entrevista concedida ao “Domingo Espetacular”, da Record, Antônio disse que gostava de gastar dinheiro com mulheres, restaurantes sofisticados, carros luxuosos, rodadas de uísque com os amigos, presentes e diárias de hotel que nem chegava a usar. No aniversário de 22 anos, Antônio fez questão de pagar a conta de todos que estavam no restaurante em que ele jantava. Só ali, ele desembolsou R$ 20 mil. “Quando um dos carros quebrava, eu não consertava. Largava aquele e comprava outro. Usava roupas e nem mandava lavar, era tudo descartável”, disse Antônio. A vida de luxo e excessos corroeram a bolada em apenas 5 anos. Antônio afirmou ao “Domingo Espetacular” que se arrependia por não ter ajudado a mãe no período em que era milionário.


Antonio, como muitos, acreditou que com o dinheiro poderia fazer tudo o que quisesse. Ele se esqueceu de algo que o dinheiro não preenche: o vazio existencial. De acordo com Miano, nesses casos, “há um problema emocional, uma grande insatisfação com a vida que leva a pessoa a buscar prazeres imediatos”. Só quando ela perde tudo é que se dá conta que isso não ocorre. E a lição serviu para o baiano: “Hoje eu sou mais feliz porque vivo a realidade. Naquela época eu vivia na fantasia”, declarou Antonio.


A atitude adotada por Antônio Domingos é muito comum entre pessoas que recebem uma fortuna repentinamente, segundo o diretor da Capital Serviços Educacionais, Guilherme Braga. “Para aumentar seu patrimônio, pessoas gastam além do necessário com ‘brinquedos sofisticados’ como carros, iates, joias e casas luxuosas. Com uma abrupta mudança no orçamento, é preciso ficar atento às tentações que esse ‘novo mundo’ irá trazer”, diz.


A ambição de realizar sonhos extravagantes também levou Nivaldo Eduardo dos Santos da riqueza para a pobreza em 6 anos. Em julho de 1972, ele ganhou cerca de R$ 6 milhões na loteria esportiva. Com o dinheiro, ele revestiu os dentes de ouro, pagou pela companhia de várias mulheres e comprou carros luxuosos. Nivaldo gostava de bancar para os amigos viagens de avião de Salvador para o Rio de Janeiro sempre que o time dele, o Bahia, jogava no estádio do Maracanã. Chegou a ser vizinho de jogadores do Flamengo em apartamentos do requintado bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, mas a brincadeira de satisfazer todos os prazeres momentâneos o arrastou de volta para a vida de dificuldades financeiras. “Esse descontrole é como a compulsão por alimentos ou a dependência de drogas”, explica Irineu Miano. De nada adianta tentar preencher o vazio com coisas materiais. Ele vai continuar! O sucesso financeiro só virá com a pessoa totalmente estruturada interiormente. E, aí sim, usar o dinheiro “com sabedoria”, como ensina o educador financeiro Mauro Calil. “Muitos amigos irão aparecer nesse momento, mas saiba lidar com a situação aprazivelmente. O principal erro é o gasto tolo. Realizar compras de objetos caros repentinamente, emprestar dinheiro para terceiros”, destaca (veja mais dicas nas ilustrações espalhadas pela página).


A riqueza acabou levando discórdia para a vida do casal britânico Roger e Lara Griffiths. A dupla ganhou uma quantia equivalente a R$ 5,6 milhões na loteria britânica, em 2005. As ostentações do par incluíram mansões, roupas e acessórios de grife e carros das marcas Porsche, Lexus e Audi. Em uma viagem a Dubai, o gasto chegou a R$ 45 mil entre hospedagem em hotel cinco estrelas e passagens na primeira classe. Em Roma, os Griffiths escolheram suíte com um mordomo só para o casal.




Em março último, Roger e Lara voltaram a ser notícia, mas desta vez para trocar acusações. Em entrevistas ao jornal Daily Mail, eles culparam um ao outro por ter gasto irresponsavelmente toda a quantia do sorteio, o que teria provocado o fim do casamento, após 14 anos de união. “Às vezes eu grito: onde tudo deu errado?”, declarou Roger.


Para o lavrador Renê Sena, que ganhou R$ 52 milhões em julho de 2005, a sorte terminou em tragédia: ele foi assassinado em 2007. Adriana Ferreira Almeida, então companheira de Renê, foi acusada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de ter encomendado a morte do milionário, mas acabou sendo absolvida em dezembro de 2011. Com juros, a herança está avaliada em cerca de R$ 100 milhões e segue bloqueada por determinação judicial. O patrimônio ainda alimenta uma briga entre Adriana e Renata Sena, filha única de Renê, que disputam na Justiça o direito a todos os bens deixados pelo morto. O último testamento de Renê prevê que cada uma delas receba 50% do montante. Já os irmãos de Renê querem que o documento seja cancelado e que Adriana seja excluída da divisão.


A mais jovem ganhadora da loteria do Reino Unido também se deu mal ao receber mais de R$ 3 milhões quando tinha apenas 16 anos. Callie Rogers acreditava que o dinheiro iria deixar sua vida mais fácil, mas ela acabou viciando-se em drogas e tentou suicídio três vezes. Callie usou boa parte dos recursos para comprar quatro casas para a família, carros novos, roupas de grife e festas. Ela ainda alongou os cabelos e colocou implantes de silicone nos seios, além de ter torrado mais de R$ 680 mil em cocaína. Depois de chegar ao fundo do poço e perder a guarda dos dois filhos que teve com Nicky Lawson, ela conseguiu se recuperar. Em reportagem do jornal Daily Mirror de abril do ano passado, Callie alertou que o dinheiro não traz felicidade. Grávida de gêmeos, ela declarou ainda que havia encontrado o homem de seus sonhos, Paul Penny, e que os filhos eram o melhor presente que poderia ter recebido. “Fiz escolhas ruins com homens. Eu era jovem e estúpida, estava festejando até o ponto onde eu estava totalmente fora de controle. Olhando para trás, estou horrorizada com as escolhas que fiz”, resumiu.




Famosos que já pediram falência


Astro de Hollywood, o ator Nicolas Cage chegou a dever US$ 14 milhões para a receita federal dos EUA. Ele também já acumulou gastos excessivos com 15 imóveis, uma ilha nas Bahamas, dois castelos medievais, 22 carros de luxo, quatro iates e um esqueleto de dinossauro.


Quando morreu, o rei do pop Michael Jackson deixou dívidas estimadas em US$ 500 milhões. O astro conseguiu acumular cerca de US$ 710 milhões durante a carreira, mas começou a perder dinheiro nos anos 1990. O motivo? Despesas que somavam US$ 13 milhões por ano, além de projetos profissionais extravagantes, acordos judiciais por divórcio e acusação de pedofilia e quebras de contrato.


Mike Tyson foi à falência em 2003, após gastanças abusivas, problemas com drogas, sonegação de impostos e uma prisão por estupro. A dívida chegou a US$ 52 milhões. O atleta foi o mais jovem campeão de pesos-pesados, mas perdeu boa parte do dinheiro dos ringues com limusines, festas, roupas, joias, mansões e até tigres brancos.


Whitney Houston vendeu 200 milhões de álbuns durante a carreira e foi premiada seis vezes com o Grammy, mas perdeu boa parte da fortuna com escândalos relacionados a álcool e drogas. Ela chegou a receber adiantamento da gravadora Arista para a produção de um novo disco, mas morreu antes de concretizar o projeto, em fevereiro de 2012.


Herói do Botafogo e das Copas de 1958 e 1962, o brasileiro Mané Garrincha perdeu todo o dinheiro ganho na carreira com o alcoolismo.